(Foto Ilustrativa/Toca da Cotia)
Desejo: Que venha logo o Papai Noel!
André Aquino
Quando o juiz italiano Nicola Rizzoli soprou o apito final no Maracanã, em 13 julho, acreditava que ali começava a minha paz em 2014. Pensei: Não vou mais esbarrar com aqueles bêbados nas ruas em plena terça-feira à tarde, nem vou escutar musiquinhas chatas ou enfrentar engarrafamento num domingo na hora do almoço. Nem comprar um simples refrigerante superfaturado em bares lotados, muito menos escutar o blablablá de manifestantes que defendem causa nenhuma.
Doce ilusão, ingenuidade muita era pouca. Nada tão ruim que não possa piorar, assim aflorou meu lado pessimista da vida. E piorou mesmo. Duas semanas depois daquele apito, as bandeiras não eram mais do Brasil e nem do árbitro auxiliar, agora são as dos políticos, coligações e partidos. Não é só mais um mês, são três: a partida eleitoral termina em outubro. E vai piorar mais um pouquinho. Neste mês começam as propagandas nas TVs e rádios.
Trauma de campanha eleitoral vem da minha infância. Queria de qualquer jeito o adesivo do Collor para presidente nas eleições de 89, aquele com os dois "L" em verde e amarelo. Consegui. Colei um monte na Belina bege de minha família. Um ano e pouco depois, com desejo de trocar a Belina por um Chevette 86, meu querido pai teve o sonho frustrado pelo LL, o Lindo Ladrão.
Mas aprendi sempre ver o lado positivo das coisas, mesmo que isso pareça missão quase impossível como no período eleitoral. A campanha é cômica; o resultado, trágico. Divirto-me com os nomes bizarros dos candidatos: Augustinho Carrara, Madonna da Compensa, Pinto Louco, Olga um Beijo e um Queijo, Mulher Bambu e Neymar Cover. Ou escutar um solitário manifestante movido pelo efeito etílico gritar na pracinha numa cidade do interior do Rio: "Quantas pessoas precisam para acabar com o país? Di-uma".
Pois é. Hoje nunca desejei tanto os shoppings lotados, as vitrines em vermelho e branco e musiquinhas de Natal. Que venha logo o Papai Noel.
> André Aquino é jornalista
