(Foto Ilustrativa/Pittacos)
Os velhos eram chatos; somos chatos; SQN
André Aquino
Não são só as rugas no rosto e os fios brancos se multiplicando na cabeça comprovam que o inevitável acontece: o tempo passa, meu bem. A idade chega, querido! Prefiro envelhecer à outra opção, tão quão inevitável, a morte. Hoje tudo muda tão rápido como uma mensagem instantânea pelos aplicativos do celular. Nesta semana, conversando pelo WhatsApp com um amigo oito anos menos experiente, ele manda uma resposta codificada que demorei alguns minutos para decifrá-la: "SQN".
Não tive coragem de quebrar o orgulho e perguntar o significado das aquelas três letrinhas que me mostraram que o tempo passa e as gírias mudam: preferi recorrer ao pai dos burros virtuais, o Google.
SQN? Só Que Não. Eba, descobri! Mas só a sigla. O que isso significa? Putz. Encontrei a resposta num blog voltado para aqueles que não chegaram às duas décadas de vida. "Só que não" não significa nada, mas serve para ironizar alguma coisa. Por exemplo: "Sou novinho. Só que não"; "Dercy era linda. Só que não"; "Walesca é pensadora. Só que não". A criatividade dos adolescentes é tão intensa quanto os hormônios. E me propus em buscar mais gírias e observar as conversas das estagiárias do jornal.
Se o tempo fecha, a noite desanda, o computador trava, a novinha some, meu amigo diz: "Deu ruim". Simples assim. É uma gíria que ninguém sabe de onde veio, quem inventou, só se sabe que não pressupõe o seu oposto: "deu ruim" é "deu ruim", ponto. Não é o contrário de "deu bem". Quem ainda não escutou as curiosas expressões teens por aí, certamente vai ouvir nos próximos meses. E também não vai entender nada como nossos avós não entendiam quando dizíamos "De lei" (é assim), "chavecar" (paquerar); ficar; pagando mico.
Os velhos eram chatos. Somos chatos, só que não.
> André Aquino é jornalista
