(Foto Ilustrativa/De Olho no Alvo)
Ter o mesmo pensamento e posições, por mais
que pareça sensato, é uma decisão errada
André Aquino
A vida é feita de tomadas de decisões. O futuro só é a consequência da série de escolhas de hoje, óbvio. Mas sou inseguro e indeciso. A indecisão também é uma decisão, de não decidir nada. Faz sentido? Sou inseguro, avisei. Nesta semana a indecisão bateu forte para a escolha do tema do artigo. A dúvida não veio da falta de assuntos e sim pelo excesso. Listei os possíveis assuntos: balzaquianos tentando tirar habilitação; o medo do novo - mudança de emprego; a vinda do quinto sobrinho (definitivamente fiquei pra titio); os prazeres de um coletivo lotado; as brigas de casais neuróticos; o cadáver e os selfies...
No final, fiquei indeciso. Aliás, decidi por nenhum tema. Decidi escrever sobre a decisão, até porque melhor o risco da escolha errada à paranoia da indecisão.
Decidir não é uma tarefa fácil. Escolhendo um, automaticamente descarto outro opção. No momento em que escolhi ser jornalista, abri mão de ser equilibrista de circo ou domador de leões. Ao optar em perdoar, elimino o sentimento de vingança. Decidi parar de beber; por consequência, não acordo mais de ressaca. Mesmo em momentos difíceis, só eu posso decidir em sofrer ou ver a situação como mais uma oportunidade de crescimento.
Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: ninguém é o mesmo para sempre, a beleza da vida é essa. Ter o mesmo pensamento e posições, por mais que pareça sensato, é uma decisão errada.
Na verdade, o meu único poder é o da decisão. Decidi: vou usá-la sem moderação.
> André Aquino é jornalista
