(Foto Ilustrativa)
Ahhh melancolia, traço marcante no meu
temperamento e musa inspiradora do meu dia
Este seria o meu momento. O desfecho perfeito para uma carreira de sucesso internacional. Após brilhar lá fora, volto ao brasil (me deu uma vontade de escrever brasil assim: brasil) para encerrar a profissão no meu clube de coração. Clube do qual eu saí há alguns anos para conquistar vários títulos na Europa.
O momento não poderia ser melhor, afinal de contas já tenho 39 anos e provavelmente jogarei apenas mais esta temporada. Eles precisam de um camisa 10 pra tomar conta daquele meio de campo caótico e eu estou louco para assumir este derradeiro desafio. Além do mais, isso faria bem à minha autoestima, pois ando meio sorumbático, meio...
Pausa...
Eis que emerge uma voz lá do fundo que me diz: lá vem ele. A vítima do mundo. Não é à toa que seu horóscopo neste dia 14/5/2015, no jornal "O Globo" diz: "é tempo de aprender a lidar com o excesso de sensibilidade para que não se sinta oprimido sem motivos concretos para isso".
Voltando...
Ando meio, meio, sei lá o quê. Incompreendido? Alijado?
Meu sapato branco, que na minha concepção é um traço de minha personalidade original, é visto como acessório que destoa do figurino. Sei que isto não passa de uma definição mais branda para ridículo.
Ao meu bigode grosso e fortuito foi oferecido o adjetivo de desatualizado. Fora do contexto. Brega.
Quando me veem chegar de chapéu, sei que no fundo gostariam de vê-lo criar asas naquele exato instante e sair voando para o longe, sem nunca mais voltar.
Meu arco-íris com cadarço, aquele que uso para correr, trabalhar e ir ao cinema deve cheirar mal, pois minha esposa torce o nariz para ele com frequência.
Nenhuma das sentenças acima são verdadeiras. Ficar pensando no que poderia ter sido não resolve. E achar que todos estão contra você tampouco é a solução.
Nada melhor do que ser o que se é.
Verdade! Não entendeu? Parece frase do Sérgio Malandro né?
O que poderia ter sido está no campo da imaginação. E também está nos dois primeiros parágrafos desta crônica. Enquanto o que é, sou eu. Eu mesmo aqui vos escrevendo em carne, osso e melancolia.
Ahhh melancolia, traço marcante no meu temperamento e musa inspiradora do meu dia.
Esse sou eu, quase como o "Vapor barato": "Com minhas calças vermelhas, meu casaco degeneral, cheio de anéis, eu vou descendo por todas as ruas".
Brinco mentalmente com tudo isso e fico a remoer o que seria de mim se eu não fosse este aqui. Mas, o fascinante em tudo é que, o que foi constituído a partir da minha intervenção física, emocional e psicossocial no espaço tempo de todos estes anos é infinitamente insubstituível. Essa "concretude líquida" deve ser exaltada, já que:
O amor é insubstituível.
Minhas conquistas também o são.
Meus pequenos são partes vitais de mim.
Minha doce amada está cada dia mais doce, ou será que estou com diabetes?
Pausa para a mente vagar: AHHH Nãaaoooo. Lá vem ele de novo!!!
Realmente não tenho me sentido bem! Tem algo errado comigo! Talvez seja o almoço?
> Renato Barozzi Cassimiro - O autor concorda com o diagnóstico e também se diz sofredor dos males da modernidade
