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Males da Modernidade

Dizem que sou louco por pensar assim

Ficar pensando no que poderia ter sido não resolve, e achar que todos estão contra você tampouco é a solução

Artigos  –  16/05/2015 08:24

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(Foto Ilustrativa) 

Ahhh melancolia, traço marcante no meu

temperamento e musa inspiradora do meu dia

 

Renato Barozzi Cassimiro 

Este seria o meu momento. O desfecho perfeito para uma carreira de sucesso internacional. Após brilhar lá fora, volto ao brasil (me deu uma vontade de escrever brasil assim: brasil) para encerrar a profissão no meu clube de coração. Clube do qual eu saí há alguns anos para conquistar vários títulos na Europa.

O momento não poderia ser melhor, afinal de contas já tenho 39 anos e provavelmente jogarei apenas mais esta temporada. Eles precisam de um camisa 10 pra tomar conta daquele meio de campo caótico e eu estou louco para assumir este derradeiro desafio. Além do mais, isso faria bem à minha autoestima, pois ando meio sorumbático, meio...

Pausa...

Eis que emerge uma voz lá do fundo que me diz: lá vem ele. A vítima do mundo. Não é à toa que seu horóscopo neste dia 14/5/2015, no jornal "O Globo" diz: "é tempo de aprender a lidar com o excesso de sensibilidade para que não se sinta oprimido sem motivos concretos para isso".

Voltando...

Ando meio, meio, sei lá o quê. Incompreendido? Alijado?

Meu sapato branco, que na minha concepção é um traço de minha personalidade original, é visto como acessório que destoa do figurino. Sei que isto não passa de uma definição mais branda para ridículo.

Ao meu bigode grosso e fortuito foi oferecido o adjetivo de desatualizado. Fora do contexto. Brega.

Quando me veem chegar de chapéu, sei que no fundo gostariam de vê-lo criar asas naquele exato instante e sair voando para o longe, sem nunca mais voltar.

Meu arco-íris com cadarço, aquele que uso para correr, trabalhar e ir ao cinema deve cheirar mal, pois minha esposa torce o nariz para ele com frequência.

Nenhuma das sentenças acima são verdadeiras. Ficar pensando no que poderia ter sido não resolve. E achar que todos estão contra você tampouco é a solução.

Nada melhor do que ser o que se é.

Verdade! Não entendeu? Parece frase do Sérgio Malandro né?

O que poderia ter sido está no campo da imaginação. E também está nos dois primeiros parágrafos desta crônica. Enquanto o que é, sou eu. Eu mesmo aqui vos escrevendo em carne, osso e melancolia.

Ahhh melancolia, traço marcante no meu temperamento e musa inspiradora do meu dia.

Esse sou eu, quase como o "Vapor barato": "Com minhas calças vermelhas, meu casaco degeneral, cheio de anéis, eu vou descendo por todas as ruas".

Brinco mentalmente com tudo isso e fico a remoer o que seria de mim se eu não fosse este aqui. Mas, o fascinante em tudo é que, o que foi constituído a partir da minha intervenção física, emocional e psicossocial no espaço tempo de todos estes anos é infinitamente insubstituível. Essa "concretude líquida" deve ser exaltada, já que:

O amor é insubstituível.

Minhas conquistas também o são.

Meus pequenos são partes vitais de mim.

Minha doce amada está cada dia mais doce, ou será que estou com diabetes?

Pausa para a mente vagar: AHHH Nãaaoooo. Lá vem ele de novo!!!

Realmente não tenho me sentido bem! Tem algo errado comigo! Talvez seja o almoço? 

> Renato Barozzi Cassimiro - O autor concorda com o diagnóstico e também se diz sofredor dos males da modernidade

Por Redação do OLHO VIVO  –  contato@olhovivoca.com.br

1 Comentário

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  • Cristiane Filgueiras

    Kkkkk.
    Muito bom! Esse é você, inclusive com seus exageros!
    Adoro!