(Foto Ilustrativa)
Precisamos recuperar a credibilidade
É notório o ódio à política nos nossos dias. As manifestações que se arrastam pelo Brasil há pouco mais de um ano abolem a vinculação à alguma nomenclatura e rechaçam a participação de qualquer índex partidário que os representem.
Essa "idiossincrasia coletiva", se assim a pudermos chamar, pode até rejeitar a política com "p" minúsculo que se faz em Brasília, mas certamente não estará alijada da essência da Política em sua acepção mais nobre.
A ação política é como água, ela ocupa espaços deixados vazios. Não há vácuo na política. Portanto, qualquer interesse implícito ou explicito, para ser alcançado, tem na política seu instrumento ou veio condutor. Como disse Hobbes: "a política consistente nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem". O "adequados" aqui carrega toda carga da política pelo viés ético, legítimo, moralmente aceitável, democrático e persuasivo. Pautado no debate claro, na transparência de ideias e no cabo de guerra da convicção bem articulada e professada no intuito de arregimentar apoiadores. Isso é negociação. Isso é política. E esta Política me encanta.
No exato instante em que escrevo este comentário está se desdobrando uma guerra política que ainda não foi percebida pela maioria. De um lado temos um presidente da Fifa combalido, que nesta sexta-feira, 29, tenta permanecer no cargo por meio de uma eleição legítima, apoiando-se em seus partidários, compostos pelo países que votarão nele. Do outro lado temos um príncipe da Jordânia como concorrente direto.
Há mais do que uma simples eleição aqui. Nesta semana altos executivos da entidade foram presos após diligência do departamento de Justiça dos Estados Unidos e do FBI. Todos oriundos da américa Central e América do Sul, países que apoiam Blatter. Não quero dizer que não tenham culpa, muito provavelmente estão atolados até o pescoço em coisas desprezíveis.
Os Estados Unidos, junto com a China, são a nova fronteira do futebol mundial. Num futuro próximo veremos o que estes dois gigantes podem realizar quando se empenham. Portanto, estudar o terreno minado e extinguir todas as ameaças é próprio da maneira americana de fazer negócios. E a maior ameaça aqui é a falta de credibilidade. Os americanos não suportam a vergonha.
Por falar em credibilidade. Apoiado nos eventos catastróficos à beira de uma eleição e tendo um concorrente que representa a região do mundo de onde muitos bilhões de dólares têm alimentado os cofres de clubes europeus, o senhor Platini não se fez de rogado e aconselhou seu amigo de muitos anos, Joseph Blatter, a abdicar do cargo, pois já não se sustentaria diante de tanta vergonha e desonra. Com um amigo assim, quem precisaria de inimigo?
Este francês não me cheira bem. Sob sua orientação a Europa toda votará no príncipe da Jordânia. Platini não podia perder esta oportunidade. Na política não há vácuo, lembram-se. E Platini agarrou-se naquela falta de credibilidade, justamente a brecha que precisava. E sabem quais os planos do nobre conselheiro? Tirar uma vaga da América do Sul na próxima Copa em prol da Europa. No lugar de quatro vagas e a repescagem mundial, que nos deu a quinta vaga em 2014, ficaríamos somente com as quatro. Tá certo isso Arnaldo? Achamos que não, é claro. Mas, de novo, num continente em que o torneio interclubes é o mais "sem credibilidade" do mundo, onde os cartolas estão sendo presos, onde o principal país toma de 7 de uma seleção europeia em casa e numa semifinal de Copa do Mundo! Fica difícil de sustentar a posição.
Vivemos um quadro onde os apoios se vão pelos dedos. Resta ao senhor Blatter ganhar a eleição (ele ganhou) para podermos respirar um pouco e planejar a próxima jogada.
Isso é política. E para voltarmos a ser protagonistas, precisamos aprender a jogá-la com talento e honradez. Precisamos recuperar a credibilidade.
Tá ouvindo isso Del Nero???
> Renato Barozzi Cassimiro dá uns chutes de vez quando, acertando apenas a vidraça do vizinho
