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Vulnerabilidade

Como identificar se uma criança foi abusada

Psicóloga comenta sobre o sofrimento da criança, as características e a importância de buscar ajuda profissional

Artigos  –  08/10/2019 20:33

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(Foto Ilustrativa)

Para análise correta é preciso correlacionar a observação clínica, os dados coletados em anamnese pelos pais, testes psicológicos e a escuta ativa

 

Daniela Generoso 

Captar a dor humana é algo que apenas o silêncio pode alcançar. No entanto, essa dor pode fugir das percepções humanas, principalmente quando uma criança é abusada. A sociedade de um modo geral precisa estar atenta, já que as crianças são extremamente vulneráveis a qualquer tentativa de maldade humana. 

É importante ressaltar que elas sofrem como um adulto no conceito de dor. O que muda é a forma que percebemos isso. Há alguns indicadores psicológicos muito comuns, quando uma criança é violentada, inclusive as menores de 3 anos de idade.

As principais características são os transtornos alimentares, irritabilidade, alterações no nível de atividade junto com condutas agressivas ou regressivas, uma compreensão precoce da sexualidade e atividades sexuais inadequadas, a mentira como artifício frequente. Além de crueldade contra os outros e os animais e sentimentos profundos de tristeza e desesperança. 

Algumas ainda desenvolvem transtorno de atenção, síndrome da acomodação e da vitimização, jogos sexuais persistentes e inadequados com crianças da mesma idade, como também a insistente desconfiança das figuras significativas, mau relacionamento com seus pais e dificuldades em fazer amizades, dentre outros. 

Esses sintomas isolados podem caracterizar muitas outras questões. Porém, para análise correta temos que correlacionar a observação clínica, os dados coletados em anamnese pelos pais, testes psicológicos e a escuta ativa. Na abordagem existencial humanista, não olhamos para a criança como diagnóstico e, sim, como um ser que precisa ser visto e a sua alma tocada. 

A criança que é abusada, seja por tortura psicológica, física ou sexual, tem sua infância roubada e sua alma dilacerada aos poucos. Geralmente, elas conseguem se refazer de forma mais rápida que um adulto. Porém, quando crescem, acabam remoendo sua dor e seu algoz por diversas vezes pela lembrança de sua mágoa. 

É fundamental protegê-las de possíveis predadores. Pais precisam saber quem se aproxima de seus filhos, por onde andam. Esse cuidado é importantíssimo, pois a dor do abuso perdura por anos e anos e alguns, quando chegam na adolescência ou na fase adulta, chegam até a desenvolver pensamentos suicidas. 

Em todo caso de dúvida, se uma criança foi abusada ou não, procure um profissional de psicologia infantil ou converse com pediatra, porque através de testes psicológicos e a observação clínica é possível identificar. 

> Daniela Generoso é psicóloga e presidente da ONG é Possível Sonhar, que atende crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência doméstica 

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Por Assessoria de Comunicação  –  contato@olhovivoca.com.br

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