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Do Premiado Diretor Hong Sang-Soo

"A visitante francesa": vale a pena conferir na tela grande

Sem dúvida, o filme encanta e comunica da forma que se propõe, devido ao lindo trabalho da atriz Isabelle Huppert

Cinema  –  26/06/2013 16:44

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(Foto: Divulgação) 

Filme é contado em três episódios que giram em torno da francesa Anne
e no mesmo local: a pequena cidade de Mohang, na Coréia do Sul

Quando assisti ao filme "A visitante francesa" na sala 3 do Espaço de Cinema aqui no Rio de Janeiro, há mais ou menos dois meses, saí com imensa vontade de escrever sobre ele aqui na coluna. Desisti, pois queria que minha próxima crítica fosse sobre algum filme em cartaz na região. Deveria ter escrito na época, já que a programação do Gacemss (Grêmio Artístico e Cultural Edmundo de Macedo Soares e Silva) mais uma vez me surpreendeu. O mais recente filme do premiado diretor sul coreano Hong Sang-Soo está em cartaz na região sul fluminense

Sem me prolongar muito, queria destacar a importância dessa obra ocupar um cinema em Volta Redonda. Uso esse termo "ocupar", pois acho que ele se enquadra ao falar de um filme do Hong Sang-Soo. Eu não imaginava a possibilidade de um filme do diretor estrear fora do circuito das capitais brasileiras. O diretor já realizou 13 longas-metragens e somente dois estrearam em circuito comercial no Brasil. O primeiro filme a estrear no país veio com dois anos de atraso, foi "Hahaha" (2010). 

Veja o trailer legendado em inglês de "Hahaha" 

Apesar de ser um diretor importante no cenário cinematográfico atual, é raro assistir a seus filmes nas salas de cinema do Brasil. Suas exibições ficam reservadas a mostras e festivais. Sendo assim, de antemão, já digo que vale a pena conferir "A visitante francesa” na tela grande! 

Roteiros "filmados pelo filme" 

O filme é contado em três episódios que giram em torno da francesa Anne (Isabelle Huppert) e no mesmo local: a pequena cidade de Mohang, na Coréia do Sul. Esses episódios são na verdade um roteiro que uma jovem moradora da cidade decide escrever para sair do tédio, esses roteiros escritos pela jovem são "filmados pelo filme" e retratam o estrangeirismo da francesa no local. No primeiro, ela vai visitar um amigo que está prestes a ter um filho e trabalha como diretor. Lá, ao visitar uma praia, conhece um salva-vidas (Yu Jun-sang), que tenta conquistá-la. No segundo, ela é uma dona de casa rica que vai para Mohang encontrar seu amante Soo, diretor de cinema. No terceiro, ela está recém terminada do casamento e vai para a cidade com sua professora coreana para se distrair. Em todos os episódios ela se relaciona com os mesmos personagens do local de diversas formas. 

São nessas relações com os moradores da pacata cidade e como elas são registradas pela câmera de Hong Sang-Soo que mora a peculiaridade do filme. Ele sabe colocar o espectador desde o início como voyer do próprio filme, me senti estrangeiro àquele lugar, assim como a personagem de Isabelle Huppert. Seus personagens estão inseridos naquele espaço singular através dos enquadramentos abertos, temos poucos planos próximos, sua câmera sempre está no tripé, observando com cautela e curiosidade aquele universo. 

Uma vez ou outra temos movimentos de zoom in (constantes nos filmes do diretor), que reforçam com inteligência e sutileza nossa curiosidade para com a história. Hong Sang-Soo usa esse dispositivo de forma precisa e simples. Podemos ver isso na cena que sucede o primeiro encontro de Anne com o salva-vidas na praia. O personagem sugere de irem subindo pela areia, ela aceita meio sem entender para onde ele está levando-a. Em seguida temos um plano geral com os dois a caminho de uma barraca de camping, eles entram na barraca e ficamos ali do lado de fora, distantes e curiosos. Escutamos o diálogo afastados dos dois. No momento que desencostei da cadeira de cinema, projetando meu corpo para frente, a câmera de Hong Sang-Soo se demonstra atenta e sábia perante seu espectador. Pelo zoom se aproxima da barraca (vocês podem conferir este plano no trailer do filme aqui embaixo). 

Espectador se sente parte da viagem 

Logo no primeiro episódio percebemos o esforço dos personagens sul coreanos para se comunicarem em inglês com Anne, todos sempre simpáticos ao receber a turista. Enquanto vão direcionando-a para seu quarto na pousada fazem questão de tratá-la bem, mas em um determinado momento, quando começam a falar dela, eles se comunicam na língua deles na frente de Anne. Quando ela pergunta se estão falando dela para seu amigo sul coreano ele responde "sim, mas não é nada". Nos aproximamos dela, pois a cada risinho simpático e tímido por parte dos coreanos nos sentimos também fazendo parte desta viagem e deste universo tão peculiar para nós ocidentais. 

Neste sentido, acho que em "A visitante francesa" o diretor consegue aproximar mais o espectador e lida de forma mais madura com seus personagens do que no seu último filme exibido no Brasil: "Hahaha". Quando assisti "Hahaha", senti em alguns momentos aqueles personagens orientais meio "abobalhados" demais, beirando a artificialidade. São interessantes e complexos em diversos aspectos, mas o excesso de atitudes "orientalizadas" me afastou daquele universo ao invés de me aproximar. Sinto que em "A visitante francesa", Hong Sang-Soo vai à forra com relação a isso e incorpora esse "problema" da comunicação como mote central do filme e se comunica de forma brilhante. 

Diálogos nunca são gratuitos 

Os diálogos, apesar de serem cotidianos e simples, nunca são gratuitos. Eles são retomados de diferentes formas ao longo do filme, uma coisa sutil é citada em um diálogo no primeiro episódio e isso é retomado em outro episódio gerando um outro sentido ou aprofundando algo que parecia ser "gratuito" lá atrás. Fazendo com que o espectador não tenha escolha, a não ser a de ficar atento a cada palavra pronunciada pelos personagens e cada vez mais sua participação intelectual é necessária ao filme. 

Destaque especial para a atuação de Isabelle Hupert (já citada aqui na coluna pelo seu excelente trabalho em "Amour"). Sem dúvida o filme encanta e comunica da forma que se propõe, devido ao lindo trabalho da atriz, que consegue fazer que não desgrudemos o olho dela um só instante. Fiquei decupando cada movimento, cada olhar, cada fala dessa mulher em cena. Ao ponto de ficar abalado aos exatos 19 minutos e 28 segundos do filme, quando ela diz saber que é sua última noite na cidade. Pensei que aquela viagem não poderia acabar naquele instante, deu vontade de também ser turista na cidade de Mohang. 

Quem é quem no filme 

. Lançamento: 5 de abril de 2013 (1h29)
. Dirigido por: Hong Sang-Soo
. Com: Isabelle Huppert, Yu Junsang, Yumi Jung . Gênero: Drama
. Nacionalidade: Coréia do Sul

Por Renan Brandão  –  brandao.renan@gmail.com

2 Comentários

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  • Renan Brandão

    Gostou Antonio?

  • antonio geraldo ferreira

    Vio Hahaha na mostra de cinema na cultura semana passada.