
(Fotos: Divulgação)
Grandioso por seus efeitos tecnológicos, filme dirigido por Scorsese é encantador e genial
Ao falar sobre cinema, sempre estamos nos referindo a paixões e gosto - não necessariamente nessa ordem. Não importa. Sempre estaremos discutindo sobre algo que agrega uma legião de espectadores, admiradores e apaixonados pela sétima arte. O que tanto nos encanta, enquanto público, em assistir a um filme? E a quem produz? O que encanta para sempre estar projetando histórias através de um projetor? Em busca dessas respostas, recorro a um filme encantador, que muito chamou atenção desde quando assisti seu trailer pela primeira vez: "A invenção de Hugo Cabret", dirigido por Martin Scorsese.
Apesar de parecer um filme voltado ao público infantil, transmite muito bem essa paixão e responde o questionado. É um filme grandioso por seus efeitos tecnológicos e pelo o que Scorsese propõe: uma homenagem à sua arte, a mesma que chamou sua atenção na infância e se transformou em seu ofício.
Veja o trailer do filme
Uma mágica viagem no tempo

Hugo é um menino curioso em descobrir
o mundo além da estação de trem
Hugo é um menino curioso em descobrir o mundo além da estação de trem, em Paris, esperançoso na busca de uma chave para funcionar o autômato achado no sótão de um museu, a única lembrança do pai. Esse, figura como uma importante peça para o enredo, o pontapé para uma mágica viagem no tempo, chegando à gênese do cinema - invocando um dos pioneiros da sétima arte, após o cinematógrafo, um "invento" dos irmãos Lumière, quando a mágica incorporou-se à imagem em movimento, trazendo a emoção.
Retomando aos questionamentos... A metalinguística ganha força quando o personagem René Tabard é inserido na trama e esse, por meio do seu livro declara: "... O cinema tinha o poder de capturar sonhos". Uma satisfatória resposta, que merece reflexão. Afinal, sendo os espectadores homens que guardam em si a capacidade de sonhar e buscar o subjetivo, nada mais adequado do que conquistá-los por meio de uma projeção realizada. Enquanto espectadores, deixamos ser inspirados por aquilo que assistimos e nutrimos, por vez, uma verdadeira gratidão àquele que realiza toda essa produção. A relação entre aquele que faz e o que assiste é de tamanha cumplicidade.
Com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão...
Os homens de cinema almejam não apenas realizar uma ideia, mas principalmente fazer um filme para ser assistido. É expressar, em sequência, aquilo que deseja migrar ao campo do real.
No filme, o velho Mèliés relembra a causa de sua queda. "A juventude e a esperança chegaram ao fim. O mundo não tinha mais tempo para truques, mágica e exibições de filmes (...) Ninguém mais queria ver os meus filmes". Daí podemos ter noção da verdadeira importância do público para um cineasta, assim como outros artistas que precisam ser vistos e compreendidos. E talvez o grande encantamento de sempre: retornarmos à sala escura. Sentar e assistir a um filme, inventado por alguém que deseja apenas contar uma história que nos encante e nos faz encantar.
