(Foto Ilustrativa)
Coluna também vau entrevistar diretores,
produtores e pessoas do campo cinematográfico
Antes de começar este texto, aprecio por alguns minutos esta página em branco. Isso me faz refletir sobre o momento anterior ao de um filme começar na sala escura de cinema. Antes dele: a tela branca. Belo momento em que todos os espectadores aguardam o início de algo ainda desconhecido. Todos se ligam pelas poltronas dispostas lado a lado e a tela branca na frente dos seus olhos. É com esta imagem - a de um espectador diante da tela branca de cinema - que quero começar meu primeiro texto aqui na coluna. Dito isso, podemos seguir: As luzes se apagam e o projetor acende. A partir desse momento, cada espectador vai dar razão ao seu próprio sentimento diante do que está sendo visto, cada qual irá tirar suas próprias sensações, interpretações e conclusões. É aí que para mim mora toda a força de uma obra de arte.
Quando vou realizar um filme, sempre tenho em mente uma frase que um amigo me disse ser do Godard. A frase diz que o roteiro de um filme nunca é o que é filmado, que o filme filmado nunca é aquele que vai ser montado, e que o filme montado nunca é aquele que vai ser projetado na sala de cinema, e que nunca será o filme que vai para a cabeça do espectador. O mesmo acontece com a análise textual de um filme, o que seguirá aqui serão minhas impressões de filmes e assuntos relacionados ao cinema. Mas quero neste primeiro contato falar da importância do leitor/espectador conferir com seu próprio olhar os filmes aqui citados. É através desse movimento que a arte se nutre, até porque a crítica nunca irá se aproximar tanto de uma obra de arte como o espectador da obra se aproxima dela.
Trailer legendado de "O garoto da bicicleta"
O que me motiva a escrever
Quando recebi o convite de escrever na coluna de cinema do site OLHO VIVO, peguei o livro "Cartas a um jovem poeta", de Rainer Maria Rilke, para reler. Sabia que ali iria encontrar palavras fundamentais para este primeiro contato com os leitores. No livro, Rainer Maria Rilke (1875-1926 - um dos maiores poetas alemães do século XX) recebe uma carta de um jovem chamado Franz Kappus, que aspira tornar-se poeta e que pede conselhos ao já famoso escritor. Dá-se início a uma troca de correspondência na qual Rilke responde aos questionamentos do rapaz e, muito mais do que isso, expõe suas opiniões sobre o que considerava os aspectos verdadeiros da vida. A criação artística, a necessidade de escrever, Deus, o sexo e o relacionamento entre os homens, o valor nulo da crítica e a solidão inelutável do ser humano. Reler o livro foi fundamental para me aproximar do que me motiva escrever aqui nesta coluna.
"As coisas em geral não são tão fáceis de apreender e dizer como normalmente nos querem levar a acreditar; a maioria dos acontecimentos é indizível, realiza-se em um espaço que nunca uma palavra penetrou, e mais indizíveis do que todos os acontecimentos são as obras de arte, existências misteriosas, cuja vida perdura ao lado da nossa, que passa". (Rainer Maria Rilke em "Cartas a um jovem poeta")
Indicação de obras de Rainer Maria Rilke
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Para instigar o olhar do leitor
Quando falo da importância do leitor tirar suas próprias conclusões a cerca dos filmes que serão analisados aqui na coluna, falo isso partindo de uma grande motivação da minha parte de poder instigar o olhar do leitor para os filmes que estão em cartaz na região. Falarei daqueles que me tocam e que acredito serem importantes.
Lembro agora de uma sessão de cinema no início do ano passado com minha mãe e meu pai em Volta Redonda. Assisti no Gacemss (Grêmio Artístico e Cultural Edmundo de Macedo Soares e Silva), lugar que cresci fazendo teatro, ao filme “O garoto da bicicleta”, de Jean-Pierre e Luc Dardenne. Éramos eu, minha mãe e um casal na sala de cinema. Havia assistido ao filme um mês antes na IV Janela Internacional de cinema de Recife com o cinema lotado, pessoas do lado de fora querendo ver um dos filmes mais esperados do ano de 2011. Foi incrível poder ver novamente "O garoto da bicicleta" na minha cidade natal. Saí do cinema me perguntando porque aquela sessão estava vazia, e com vontade de poder escrever sobre isso. Fico feliz de ter agora um espaço para poder fomentar um cinema de qualidade na região sul fluminense. Estarei antenado no circuito alternativo de exibição do Gacemss, pois ali vivi sessões de cinema que me marcaram o resto da vida.
Godard falando com legenda em português
sobre cinema, televisão e crítica
Tudo "democrático" e de "fácil acesso"
A vontade de falar de filmes que estão fora da sala de cinema, ou que ainda não estrearam na região também me interessa, principalmente pelo fato de estar escrevendo para uma mídia virtual, o que torna desde o início tudo mais "democrático" e de "fácil acesso". Gosto do OLHO VIVO existir virtualmente, me aproxima do leitor de uma forma que nenhuma mídia impressa me aproximaria.
Pretendo também entrevistar diretores, produtores, pessoas do campo cinematográfico para multiplicar todas as trocas de informações. Buscar a troca direta com o leitor da coluna me entusiasma, ali está meu e-mail, onde os leitores poderão me escrever discordando de todas as palavras que escrevi sobre um filme ou um determinado assunto do campo cinematográfico. Escrevam, pois é esta troca que vai tornar a coluna cada vez mais viva!
Será um prazer imenso.
Até breve!
