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Curta de Bárbara Yabrudi concorre no Quarentena online Film Festival

Votação popular, que terminaria em 20 de maio, foi prorrogada para o dia 28; estudante de cinema na PUC do Rio de Janeiro é de Volta Redonda

Cinema  –  21/05/2020 17:39

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Atualização:

Votação do júri popular, que terminaria em 20 de maio, foi prorrogada para o dia 28; clique aqui para votar

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O curta-metragem “Solilóquio”, dirigido por Bárbara Yabrudi, de Volta Redonda, concorre no Quarentena online Film Festival. O filme foi gravado no bairro São Luis, o ator que interpreta Bené (João Ronaldo Ferreira) é avô da Bárbara e o produtor Lucas Mendonça também é de Volta Redonda. “Solilóquio”, segundo Bárbara, foi elogiado pelos professores da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro, onde ela cursa Cinema. A votação do júri popular termina em 20 de maio. Clique aqui para votar.

Sinopse

Benedito, pertencente ao grupo de risco da Covid-19, está confinado em sua casa com a companhia apenas de seu passarinho. Refletindo sobre a solidão e os encarceramentos da vida, percebe que seu companheiro, ao contrário dele, pode ser livre.

Quem é quem no filme

. Direção - Bárbara Yabrudi
. Argumento - Ricardo Yabrudi
. Roteiro - Bárbara Yabrudi
. Direção de Fotografia - Bárbara Yabrudi
. Assistente de Fotografia - Darwin Schmidt
. Direção de Arte - Sueli Pires
. Edição e Montagem - Bárbara Yabrudi
. Elenco:
Bené - João Ronaldo Ferreira
Entregador de pão - Darwin Schmidt
Jovem - Vitor Paulo Ferreira

Confira a opinião do colunista do OLHO VIVO, o filósofo
Ricardo Yabrudi, sobre o curta-metragem "Solilóquio"

O curta, possui uma interação e um equilíbrio digno de uma peça trágica grega da época dourada. Um equilíbrio como querem alguns opinantes da obra de Nietzsche, que sugerem o referido equilíbrio. No curta, prevalece a emoção musical. No entanto, Apolo, a imagem, o “Dran”, a ação, são fortes e chocantes. A solidão do personagem Bené, descrito na sinopse, nos remonta à solidão de “Édipo em Colono”, a segunda tragédia da trilogia de Sófocles. Sua companhia no confinamento desta cidade, permitida pelo rei Teseu, é de sua filha Antígona. No curta, sua companhia, é a do pássaro, o “Belga”. O só, na tragédia de Sófocles é acompanhado pela filha que também sofre. No curta, o pássaro foi o primeiro a sofrer com o cativeiro, talvez seja o Édipo em Colono. A dúvida atroz de quem é o solitário é o tema da solidão natural, o bicho ou o homem, ou o bicho-homem.

A música de “Solilóquio” conta uma trajetória de soledade, porque a própria história humana é pura soledade, o só - nossas lembranças são nossas memórias e as pensamos como um solilóquio. A pior solidão é pensarmos no passado como sós, mesmo que as lembranças sejam das festas, dos amigos e da embriaguez. É o que faz Bené, o personagem, através da música lembra a sua juventude com a música da jovem-guarda. O “Voa passarada”, tocada quando o pássaro voa, no voo solo do Belga, é a música que vai à frente da mudez e ausência de diálogo. Tirem a música, já não existirá mais o curta. O alicerce e fundação da imagem serão sempre através da música, a menos que se invente uma melhor forma de transmitir o “pathos”.

O sucesso da felicidade futura poderá ser vista no trágico que resgata a cautela. Como disse Guimarães Rosa, na fala de Riobaldo, o jagunço: “viver é muito perigoso”. O mundo do perigo é o mundo da vida. A roda da fortuna nos prepara armadilhas. Aproveitar desse conhecimento trágico através da arte é o fundamento de um olhar que despreza a “eudaimonia” (a felicidade) como um alvo a ser atingido imediatamente e com rapidez nos primeiros tiros, mas, sim, através do sofrimento lento, vagaroso, saboreado nas suas minúcias, através das tentativas. A música nos faz pensar porque não depende do entendimento de uma frase verbal, todavia, na espera de uma longa sinfonia, quando nos emaranha com sua teia metafísica.

“Solilóquio” nos faz quietos, apreensivos, porque sofremos a dor maior com o personagem fictício que representa todos os homens - os que sofrem de solidão. Contudo, uma sabedoria de Arthur da Távola, que sempre repetia: “Quem tem a música como companhia, nunca padecerá de solidão”. Por isso, Bené não sofre tanto. Dança e ouve suas lembranças. Não se deprime. Só escuta o pio e o canto de agonia do pássaro que solta. Enquanto a vida se estagna dentro do domicílio, a música revolve o tempo e cria uma atmosfera dinâmica de movimento. A música agita e move o que está inerte. Cria no homem um estado de espírito e o leva a caminhos, mesmo estando sentado só, numa sala de estar.      

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Por Redação do OLHO VIVO  –  contato@olhovivoca.com.br

1 Comentário

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  • Alex Neves

    Bárbara trás os valores herdado do pai de criatividade e inteligência que ela leva para seu papel no mundo do cinema. Parabéns !!!!