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OLHO VIVO inicia discussão literária entre educadores

Primeira convidada, professora Neuma Oliveira lembra que a educação não apenas transforma, mas pode também deformar

Educação  –  22/09/2012 11:08

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(Foto Ilustrativa)

Que tipo de educação estamos oferecendo

às gerações que nos sucedem?

A editoria “Educação” abre espaço para os educadores. Vamos fomentar uma discussão literária entre eles, e mais para frente apontar as instituições que trabalham com métodos alternativos como forma de educar. A primeira convidada é a professora Neuma de Oliveira.

Educação que transforma x educação que deforma

(Neuma Oliveira)

A grande maioria da população, quando indagada sobre o que é necessário para melhorar nosso país, logo pensa: Educação. É automático, educação é a cura de todas nossas mazelas sociais. Um dos maiores educadores do Brasil, Paulo Freire, já disse muito sabiamente: “Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.” Inegável.

Todavia, muitos dos conceitos e práticas tidas como abomináveis são irremediavelmente transmitidos e perpetuados nas diversas sociedades, independentemente das vontades individuais. Ora, todas as pessoas afirmam, por exemplo, que a fome é algo ruim. Assim sendo, por que não somos todos educados para que haja segurança alimentar? Uma das possíveis respostas poderia ser: Da mesma forma que a educação liberta, pode também oprimir. Quando o mesmo Paulo Freire diz: “Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”, ele está se referindo exatamente a esse esvaziamento da educação, que é simplesmente o retrato da omissão das instituições educadoras em cumprir seu papel de formar seres humanos completos. 

Respeito incondicional

Não apenas as escolas, mas a TV, as igrejas, a família, o governo, as mídias sociais, cada instituição que seja responsável pela transmissão do conhecimento - direta ou indiretamente - deve tomar consciência do tipo de sociedade que se pretende alcançar, e tomar para si a responsabilidade de educar para a liberdade, para a responsabilidade, para o respeito incondicional ao próximo.

A educação quando praticada de forma superficial, apenas com o objetivo de acúmulo de conhecimento científico, torna-se tão somente um instrumento de exclusão de determinados setores, estimula a competição no lugar da cooperação, e a perpetuação dos diversos tipos de desigualdades sociais.

Crescimento coletivo e sustentável

A palavra educação, tão louvada e admirada, só terá realmente uma função transformadora e positiva, se praticada visando o sujeito de forma integral. Tendo como foco o crescimento coletivo e sustentável. A educação só será de fato redentora, quando assumir seu compromisso primário de tirar o indivíduo do fundo da “caverna” e apresentar-lhe a realidade clara das coisas como elas são, quando alcançarmos a compreensão derradeira de que educar para o desenvolvimento implica em desconstruir a ideia de educar para a manutenção dos privilégios de poucos. 

“O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” Já disse Immanuel Kant, que através dessas palavras, ratificava a ideia de que a educação não apenas transforma, mas pode também deformar. Então fica a questão: Que tipo de educação estamos oferecendo às gerações que nos sucedem?

> Neuma de Oliveira é professora

Por Leslie Assis  –  lesliassis@gmail.com

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