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Premio

Nova Experiência

Jornalista Ricardo Nascimento lança terceiro livro

Autor, que morou e trabalhou em Volta Redonda, deixa de lado a literatura e parte para documentário; palco é o Complexo da Maré

Livros  –  18/09/2012 21:32

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(Fotos: Divulgação)

Livro de Nascimento ainda não tem título definido

Autor de dois livros, “Vida que segue” - Editora Baraúna, de São Paulo - e “Um céu sem lua cheia - Editora Multifoco, Rio de Janeiro -, ambos de crônicas e poemas, o jornalista Ricardo Nascimento parte para uma experiência nova. Após cerca de três anos de pesquisas, lança em outubro seu terceiro trabalho, desta vez um documentário.

 - Trata-se de uma experiência nova. Desta vez a ficção ficou de lado, dando lugar a fatos reais de um dos maiores conjuntos de moradores do Rio de Janeiro, o Complexo da Maré - diz o autor, que morou e trabalhou em Volta Redonda. 

Sem ainda título definido, agora é a veia de jornalista especializado em políticas públicas sociais que emerge.

Meados da década de 90 

O livro faz o leitor voltar ao tempo, meados da década de 90. O Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, à margem da Baía da Guanabara e colada à Avenida Brasil, vive dias turbulentos. Tiroteios, sequestros, tráfico de drogas, ameaças... A paz não existia no dicionário dos mais de 120 mil moradores das diversas comunidades que compunham o conjunto de favelas. Abandonados, pelos poderes públicos, a população conviveu com o desacordo de três facções criminosas, fugindo de balas perdidas.

Para chegar às mais de 200 páginas de informações reais, Nascimento visitou favelas, foi em busca de recortes de jornais da época, conversou com moradores e buscou informações com as polícias Militar, Civil, Ministério Público Militar, associações de moradores e gente ligada ao Exército, ao 24° (Batalhão de Infantaria Blindada), hoje extinta do local, mas na época localizada bem próxima a Ramos e Roquete Pinto. 

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Agora é a veia de jornalista especializado em políticas públicas sociais que emerge

O que teria ocorrido durante 11 meses entre 1993 e 1994 que teria chamado a atenção do escritor, formado em letras (português/literatura)? O fato de o Exército ir às ruas, auxiliando as polícias Militar, Civil e Federal, com resultados altamente positivos.

Personagem principal

O personagem principal é o coronel Marco Guedes, comandante do 24° BIB na ocasião. Sem dar um tiro, fez voltar a paz em Ramos e Roquete Pinto, trocando, por exemplo, balas de revólveres por máquinas fotográficas.

- É que ao identificar os moradores, os traficantes com receio de serem descobertos foram deixando as favelas de Roquete Pinto e Ramos rapidamente - conta. 

A narrativa aborda também os trabalhos sociais realizados no Complexo da Maré. As tristes palafitas começaram a ser trocadas por casas de tijolos, construídas em parceria com a comunidade.

- Agora sim dá prazer em viver aqui - disse uma moradora na época, sem se identificar, com medo de represálias por parte de traficantes.

Tráfico continua agindo

O autor confronta o passado com o presente, ao citar as chamadas UPPs, que, segundo relata no livro, apenas amenizaram o dia a dia dos moradores.

- O tráfico continua agindo, basta ficar de olho no que sai nos jornais para ter em mente a devida conclusão - adverte Ricardo Nascimento.

O motivo pelo qual o Exército entrou nas favelas para acabar com o tráfico, foi o fato de um de seus oficiais de plantão ter sido atingido por um tiro. Essa foi a gota d’água para que Guedes entrasse com seus mais de 1,5 mil homens para proteger não apenas seu batalhão, mas também as comunidades.

Essa verdadeira pacificação realizada com erradicação do tráfico de drogas, além de dissecada ao longo de quase três anos de trabalho pelo autor é confrontada com a farsa das atuais UPPs, segundo o autor, com a omissão do poder público e o despreparo do Exército que nunca quis aproveitar-se da experiência colhida pelo 24º BIB e assim teve participação decepcionante na área da Segurança Pública, desde a ECO 92, passando pela decantada Operação Rio, até aos dias atuais.

Uma obra crítica e questionadora

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O autor confronta o passado com o presente, ao citar as chamadas UPPs

Ricardo Nascimento vai mais além quando questiona o por quê de o poder público, incluindo polícias, governos municipais, estaduais e federais nunca terem utilizado em seus programas a busca de soluções, o que foi realizado com absoluto sucesso naquela ocasião.

O curioso é o “esquecimento” que envolveu o projeto, apesar de amplamente divulgado pela imprensa nacional e estrangeira daquela época. Nascimento descerra o manto que foi colocado em cima daquela verdadeira epopeia e ainda questiona quem foi o responsável por afastar o coronel Guedes, mentor e executor desse feito que reputa histórico, e ainda permitir que no dia seguinte retornasse o caos das drogas e dos seus crimes subsidiários com total força e decorrente abandono da população integrada e aplaudindo o projeto desenvolvido ao longo de quase 12 meses de resultados inimagináveis.

Vale a pena ler, entender e cobrar uma solução, mesmo que tardia. Também vale a pena mergulhar a fundo neste problema que afeta a vida de cada um, principalmente quando mais vítimas surgem e as soluções convenientes são esquecidas.

Serviço

> Ricardo Nascimento - Contatos: (21) 9997-7200, (21) 8021-4443 e (24) 9822-1208. Ou pelo e-mail ricardognalmeida@gmail.com

Por Redação do OLHO VIVO  –  contato@olhovivoca.com.br

2 Comentários

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  • Giovana Damaceno

    Meu amigo Ricardo dando show.

  • algacir ayres

    Parabéns Ricardo pelo livro, vou ler com certeza. Bons tempos que trabalhamos juntos. abraços amigo.