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Cuidados Paliativos

A qualidade de vida de pacientes sem perspectiva de cura

Ainda falta conhecimento sobre o assunto, melhor formação dos profissionais e espaços específicos para o atendimento

Pelo Brasil  –  18/12/2012 15:34

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(Foto Ilustrativa)

Princípio básico: Não acelerar ou adiar a morte

 

A adoção de cuidados paliativos visa proporcionar conforto e bem-estar para pessoas sem chance de recuperação com a intervenção terapêutica. Embora difundida em outros países, no Brasil ainda falta conhecimento sobre o assunto, melhor formação dos profissionais e espaços específicos para o atendimento, conforme opinião compartilhada por especialistas. É necessário que todos os envolvidos na área de saúde pensem nos cuidados de pacientes sem perspectiva de cura perante a intervenção terapêutica.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), "cuidados paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais". Embora tenha importantes ações realizadas, o Brasil ainda precisa avançar em medidas específicas para proporcionar um atendimento humanizado para quem não tem mais chance de cura por meio de intervenção terapêutica. 

Perdemos apenas para Índia e Uganda 

Segundo estudo de 2010, realizado pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit, com 40 países, sobre indicadores de qualidade de vida de pacientes que estão prestes ao óbito, o Brasil aparece em 38º lugar, perdendo apenas para Índia e Uganda. No topo do ranking aparece Reino Unido, seguido da Austrália. Por aqui, há duas entidades dedicadas ao tema, a ABCP (Associação Brasileira de Cuidados Paliativos) e ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos). 

Já dados da Aliança Mundial de Cuidados Paliativos de 2011 mostram que das 100 milhões das pessoas que precisam de cuidados paliativos por ano, apenas 8% delas têm acesso ao tratamento. Dos 234 países existentes, apenas 136 oferecem acompanhamento de doentes, familiares e cuidadores. O resultado revela que 42% dos países não proporcionam espaços para esse tipo de atendimento. 

Ainda há muito a ser feito 

Para Fábio Bitencourt, presidente da ABDEH (Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar), quanto aos espaços destinados ao cuidado paliativo no país, há muito a ser feito. 

- É essencial que ao projetar um ambiente dedicado a pessoas que não têm mais possibilidades terapêuticas, perante a medicina, o arquiteto leve em conta as necessidades tanto dos pacientes, familiares e profissionais da saúde de proporcionar um local acolhedor. No entanto, é fundamental que haja mais discussão sobre o assunto e que sejam elaboradas políticas específicas para a criação de locais dedicados a esse tipo de atendimento. 

Ambientes de saúde 

A disposição do mobiliário, áreas para convivência, contato com a natureza, temperatura e ventilação adequadas, conforto acústico e visual, iluminação natural são algumas das preocupações relevantes para se projetar ambientes de saúde dedicados aos cuidados paliativos. 

- É importante compreender que temos o direito de morrer com dignidade e, nessa etapa, a escolha do paciente deve ser respeitada - explica Bitencourt. 

Necessidade de adoção urgente 

Já Maria Teresa Costa, médica doutora em saúde pública, diz que por conta do envelhecimento da população e do aumento de doença crônicas, há necessidade de adoção urgente de cuidados paliativos: 

- Mas, antes, é preciso que haja melhor formação das equipes de saúde, ampliar o conhecimento sobre o tema e reunir diversos profissionais para que possam prestar um atendimento visando o conforto e bem-estar ao paciente sem condições de cura perante procedimentos médicos. 

Conceito Hospice 

Segundo Maria Teresa, há diferentes ambientes para cuidar de pessoas sem chance de recuperar com a intervenção terapêutica. Dentre esses, estão os espaços dentro do hospital (enfermaria, quartos, entre outros). Outra alternativa é a criação de áreas e serviços especializados no atendimento, também conhecido como conceito Hospice. Além disso, há a opção de fazer o tratamento domiciliar. 

- As unidades voltadas para os cuidados paliativos ou áreas específicas seriam o ideal. Quanto à escolha de ir para a casa, nem sempre é possível, pois é necessário avaliar as condições do paciente, da família, da residência, o uso de medicamentos, a tecnologia que será utilizada e todos os custos envolvidos - observa. 

Os princípios básicos dos cuidados paliativos 

> Aliviar a dor e outros sintomas desconfortáveis ao paciente;
> Considerar o morrer como processo natural;
> Integrar os aspectos psicológicos, sociais e espirituais ao aspecto clínico de cuidado do paciente;
> Não acelerar ou adiar a morte;
> Oferecer apoio aos familiares para lidar com a doença do paciente e após o sua morte;
> Dar suporte ao paciente para que viva mais ativamente possível até morrer.

Por Assessoria de Comunicação  –  contato@olhovivoca.com.br

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