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Cláudio Alcântara

claudioalcantaravr@hotmail.com

Educação e Cultura

Uma escola que joga junto com o sonho do hexa

Em Piraí, projeto pedagógico transforma Copa do Mundo em experiência real com nomes do futebol e ações que envolvem toda a comunidade

Educação  –  17/03/2026 17:13

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(Foto: Divulgação)

No dia 25 de março (quarta-feira), às 13h30, a escola recebe o técnico Renê Simões, nome com passagem por clubes como Coritiba, Fluminense, Botafogo, Bahia e Vitória, além de experiências no Catar e em Portugal

 

Em ano de Copa do Mundo, o país muda de ritmo. Na Escola Municipal Luiz Marinho Vidal, em Piraí, essa energia não fica só na TV. Ela entra em sala de aula, ganha forma em projetos e aproxima os alunos de histórias que ajudam a entender o esporte para além do placar.

O Projeto Copa do Mundo 2026: Em Busca do Hexa! é mais um capítulo de uma iniciativa que, desde 2014, aposta em experiências diretas com quem vive o futebol. Em agosto de 2025, a abertura contou com a presença do ex-jogador Ramires, com passagem pela seleção brasileira, Joinville, Palmeiras, Cruzeiro, Chelsea e Benfica. Diante dos alunos, ele falou sobre trajetória e dificuldades, num encontro que foi tratado pela escola como um aprendizado prático de superação.

A próxima atividade já tem data. No dia 25 de março (quarta-feira), às 13h30, a escola recebe o técnico Renê Simões, nome com passagem por clubes como Coritiba, Fluminense, Botafogo, Bahia e Vitória, além de experiências no Catar e em Portugal. Ele também atuou como diretor-executivo em Vasco e Flamengo.

A trajetória de Simões inclui capítulos pouco comuns no futebol. Entre 1994 e 1998, comandou a seleção da Jamaica e levou o país à Copa do Mundo da França, a única participação jamaicana na história do torneio. Em 2004, esteve à frente da seleção brasileira feminina nos Jogos Olímpicos de Atenas, quando conquistou a medalha de prata, a primeira do futebol feminino do país em Olimpíadas.

O projeto atual dialoga com uma lista extensa de convidados que passaram pela escola ao longo dos anos. Nomes como Edmundo, Bebeto e Roberto Dinamite já participaram das atividades, ao lado de atletas ligados à região, como Glauber, Lugão, Jonílson e Valtinho, além do professor Thiago Aprígio e da equipe do Volta Redonda em edições anteriores. A coordenação é dos professores de educação física Fernando Marlos e Leonardo Santos.

Fernando Marlos resume a lógica do trabalho:

- A escola busca inovar constantemente e, com uma equipe engajada, consegue transformar ideias em ações concretas para os alunos.

Num cenário em que a educação frequentemente enfrenta limitações estruturais, a escola do bairro Jaqueira construiu um caminho próprio. São 260 alunos, da educação infantil ao 9º ano, atendidos por professores de diferentes cidades do Sul Fluminense e também da capital. Parte dos funcionários mora no próprio bairro, o que reforça o vínculo com a comunidade.

Crianças e adolescentes como protagonistas

A gestão das diretoras Neyri Justino e Adriana Perozini sustenta uma rotina baseada em projetos que colocam crianças e adolescentes como protagonistas. Um dos exemplos é o Superando Limites, que amplia o contato dos alunos com áreas como esporte, cultura e literatura.

Em 2019, a escola recebeu a cantora e escritora Bia Bedran, referência em bibliografias escolares. A visita mobilizou atividades de música e teatro com participação de alunos, professores e funcionários, todas baseadas na obra da autora. No mesmo ano, o velocista Robson Caetano e o palestrante Waldez Ludwig também estiveram na escola.

A lista de convidados inclui ainda a bailarina Ana Botafogo e o escritor César Souza, além de atletas de diferentes modalidades, como Giovane Gávio, Emanuel Rego e Clodoaldo Silva. Ao todo, 84 convidados já participaram das atividades, todos de forma voluntária, motivados pelos projetos da escola.

A dinâmica envolve preparação prévia em sala. Professores que aderem às propostas desenvolvem atividades com os alunos para apresentação nos dias de visita. Teatro, poemas, leituras, cartas, jograis, vídeos, dança, música e apresentações da fanfarra fazem parte do roteiro, sempre com participação da comunidade. Para 2026, novos nomes já estão em negociação. 

Paralelamente, a escola mantém o Projeto Movimento Verde, voltado ao meio ambiente. As ações envolvem desde hortas e reflorestamento até coleta seletiva e campanhas de recolhimento de óleo. Há também visitas técnicas que conectam teoria e prática. Em 2025, os alunos passaram por espaços como o Museu do Amanhã, o Museu de Arte do Rio e o Parque Nacional do Itatiaia, além de estações de tratamento de água e centros históricos.

Outras iniciativas completam o calendário. O Dia da Alegria, voltado à educação infantil, promove um encontro com brincadeiras e participação dos pais. Já o Luiz Marinho Fashion Kids convida todos os alunos, do infantil ao 9º ano, para um desfile sem caráter competitivo, com roupas e calçados próprios.

No conjunto, os projetos desenham uma escola que funciona como ponto de encontro entre ensino formal e experiências reais. A Copa do Mundo, nesse contexto, deixa de ser apenas um evento esportivo e passa a ser ferramenta pedagógica. 

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Por Cláudio Alcântara  –  claudioalcantaravr@hotmail.com

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