(Foto Ilustrativa)
Objetivo é repensar e enriquecer
a prática docente para promover um
ensino de ciências e matemática mais
crítico para alunos e professores
Desmitificar a ciência e a matemática como algo distante da vida do aluno e criar novas metodologias de ensino. Esse é o objetivo dos professores do IFRJ (Instituto Federal do Rio de Janeiro) campus Volta Redonda, Marta Ferreira Abdala Mendes, Márcia Amira Freitas do Amaral e Paulo Roberto de Araújo Porto, que criaram em 2010 o Laboratório Didático-Metodológico em Ensino de Ciências e Matemática, com o apoio da Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do IFRJ.
No laboratório são desenvolvidas propostas de atividades, materiais didáticos e jogos, todos sobre os conteúdos programáticos escolares, e envolvendo também o ensino de ciência, tecnologia, sociedade e ambiente, experimentação, história e filosofia da ciência, divulgação científica e ludicidade. Tudo isso para apresentar o conteúdo para os alunos de forma nova e diferente. O objetivo é que o que for desenvolvido no laboratório seja uma ferramenta de ensino para ser aplicada em sala de aula.
Jogos foram criados a partir de uma pesquisa
Os jogos foram criados a partir de uma pesquisa realizada pelos professores Paulo Roberto e Marcia Amira e pela coordenadora do laboratório e do curso de pós-graduação em ensino de ciências naturais e matemática do IFRJ campus Volta Redonda, Marta Abdala, com a participação das bolsistas Ana Carolina da Silva Olímpio, estudante da licenciatura em matemática e da estudante Jessica Simões, da licenciatura em física.
Segundo a coordenadora do laboratório, Marta Abdala, o objetivo é repensar e enriquecer a prática docente para promover um ensino de ciências e matemática mais crítico para alunos e professores. "Ao aliar os conhecimentos específicos de várias disciplinas aos aspectos metodológicos diversificados queremos desmitificar a ciência e a matemática como algo distante da nossa vida", esclarece.
É com diversão que se aprende
Twister, Bingo da Matemática, Trilha do Meio Ambiente e da Chuva Ácida são apenas alguns dos jogos criados pelo grupo, que além de desenvolver as atividades as aplicam em escolas parceiras. O jogo que tem como foco o meio ambiente é um dos mais interdisciplinares, pois tem conteúdo de geografia, biologia e até mesmo questões sobre geografia de Volta Redonda. Segundo a bolsista Ana Carolina, questões regionais aproximam o conteúdo escolar à realidade dos alunos, permitindo o aprendizado.
- No jogo do Meio Ambiente, uma das cartas perguntava qual era a maior área verde de Volta Redonda. Um aluno respondeu que era a PET (Praça de Esportes Tabajara) - Clube dos Funcionários. Mas a resposta certa é a Fazenda Santa Cecília (Cicuta), e um outro aluno disse que não conhecia a fazenda - conta.
Já a bolsista Jéssica Simões ressalta que com os jogos, os alunos não levam dúvida para casa. "Os jogos têm cartões com perguntas e respostas. Um aluno faz uma pergunta para o outro, e o que a gente vê é que mesmo com a resposta dada, se alguém não tiver entendido, eles pausam o jogo e questionam a gente, tanto sobre o conteúdo quanto sobre como jogar", explica.
Cada um aprende de um jeito
Com os jogos, o conteúdo é apresentado de forma contextualizada. Seja sob o viés da história da ciência, da divulgação científica ou do lúdico. Isso para prender a atenção do aluno. "Selecionamos o conteúdo e trabalhamos para montar uma atividade em que a gente mostre a matéria de forma diferente, e sempre tentando que seja divertido. Porque acreditamos que o aluno aprende melhor quando sente prazer, aí ele fica mais interessado. Por isso, o lúdico está sempre presente nas nossas atividades", ressalta Marta Abdala.
A sala de aula tradicional que conhecemos - com quadro, livro didático, aluno copiando e com transmissão de conteúdo oralmente - pode dar espaço para novas formas de ensinar. De acordo com a coordenadora, os teóricos da área afirmam que apenas uma forma de ensinar limita o aprendizado e o ensino.
- Como a gente ensina e como a gente conhece? Por múltiplas formas, e elas têm que entrar na sala de aula. Temos alunos diversos na sala, que aprendem de diferentes formas. Alguns aprendem mais dialogando em um debate, outro a partir de uma apresentação oral, outro num seminário, vendo um filme ou discutindo uma charge. Por isso trazemos para sala de aula metodologias que possibilitem diferentes formas de aprender - argumenta.
