(Foto: Divulgação)
Momento de vivenciar as sensações de um deficiente
Voltar o olhar para o novo perfil de alunos que ingressam na faculdade é o fator preponderante das atuais políticas públicas de inclusão a pessoas com deficiência. E foi justamente isso que os alunos do mestrado profissional em ensino em ciências da saúde e do meio ambiente do UniFOA (Centro Universitário de Volta Redonda) exercitaram no campus Três Poços. Em uma aula diferente das convencionais, eles puderam sentir na pele como são as dificuldades encontradas pelos acadêmicos que buscam cada vez mais seu espaço no ensino superior.
De acordo com Setor Pedagógico Institucional, atualmente 75 alunos com deficiência declarada estudam no UniFOA e, só neste ano, 39 alunos ingressaram na instituição, nos mais diversos cursos. O direito à educação inclusiva está previsto no artigo 24 da Convenção Internacional da ONU como direito inalienável e é a base para as atuais políticas públicas de inclusão social em escala global. Segundo dados do MEC (Ministério da Educação), por educação inclusiva se entende o processo de inserção de estudantes com deficiência ou com distúrbios de aprendizagem na rede regular de ensino, em todos os níveis.
A coordenadora do mestrado profissional, Ilda Cecília Moreira da Silva, explicou que essa recomendação do MEC deve ser atendida e que os futuros docentes necessitam de capacitação para acolher esse estudante que apresenta alguma necessidade de um acompanhamento mais aproximado.
- O mestrado profissional prepara esses alunos para atender essa demanda da população. Se ele não tiver um compromisso social, não consegue entender sua participação, por isso, é preciso que ele saiba identificar seu papel de profissional junto a esse estudante - contou a coordenadora.
Para o professor responsável pelo projeto, Adilson Pereira, as ideias de direitos fundamentais e de equidade são bases para uma mudança do cenário da inclusão:
- Estamos no século 21, e creio que, há um século, o número de deficientes era menor, e eram vozes silenciosas e escondidas. Antes, eles tinham muito pouca possibilidade de protagonismo social, e hoje devemos reconhecer que eles não podem ser tratados da mesma maneira. Não podemos agir como antes, o avanço dos direitos humanos e o princípio de equidade são ideias que devem ser investigadas e analisadas pelo ensino superior, ensino esse que tem o compromisso de tornar o conhecimento significativo para uma transformação social.
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"Com essas políticas públicas de inclusão, os alunos se sentem mais seguros para ingressar na faculdade, o que não quer dizer que é uma garantia absoluta, mas é melhor do que o nada que existia". (Adilson Pereira)
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- Uma sociedade inclusiva é ter o reconhecimento da desigualdade e tratar cada um de acordo com suas necessidades, para que os direitos se tornem iguais, e não as pessoas, porque essas nunca vão ser iguais, tendo deficiência ou não - enfatizou.
A discussão em pauta na aula foi sobre o trabalho desses futuros docentes, que precisam entender o que está subjacente ao ensino superior, tendo cuidado com os sujeitos que estarão nesse ambiente universitário. Nesse sentido, o que o professor procurou deixar claro aos alunos foi uma frase de Aristóteles: “Tratar os iguais de formas iguais e os desiguais, de formas desiguais”.
- Todos nós temos a necessidade de reconhecimento das nossas exclusividades. Dessa forma, as rampas de acesso são usadas por todos, mas para o cadeirante essa é sua exclusividade. A partir do momento que ele não tem acesso à rampa, essa exclusividade passa a ser uma exclusão - completou Adilson.
Além dos alunos de mestrado, também participam do projeto, estudantes do terceiro período do curso de direito, que desenvolvem um trabalho sobre o tema. Esse PIC (Projeto de Iniciação Científica) é a dissertação de mestrado do aluno Carlos Eduardo Meira. Segundo ele, o debate sobre inclusão é sempre relevante e deve ser discutido em todos os âmbitos.
- Se a geração de hoje não compreende o que é inclusão, a tendência é que ela passe para as outras essa falta de conhecimento. Por isso tratar desse tema no mestrado é fundamental, porque o único lugar no mundo onde não se pode haver exclusão é na academia. Esse é um local de formação de conteúdo e deve ser o exemplo para o mundo, criando soluções para combater preconceitos - explicou.
A experiência
Depois de uma pequena introdução teórica acerca de tudo o que já foi aprendido na sala de aula, os alunos visitaram a Biblioteca Central e conheceram os equipamentos que a instituição oferece para facilitar a inclusão de alunos com deficiência, como impressora braille, e computadores específicos para surdos.
Após a visita, foi o momento de vivenciar as sensações de um deficiente. Divididos em grupos, eles passaram pela experiência da surdez, cegueira, deficiência física e dificuldade de locomoção (uso de muletas). Eles se revezavam e em um relatório, escreviam as dificuldades encontradas no campus, e o que a instituição já oferece de estrutura para essas pessoas. Ao final, esses relatórios serão inseridos ao projeto de mestrado do aluno Carlos Eduardo, e servirá como base para possíveis melhorias de estrutura e serviço para a instituição.
