No videoclipe, a escolha foi direcionada propositalmente à uma questão amorosa; não há como negar que o amor está sempre em alta nos vídeos das músicas; amar faz bem
Ricardo Yabrudi
O cantor e compositor TH6 lançou “Me Leva”, disponível em todas as plataformas digitais. O objetivo do lançamento é que o ouvinte possa refletir se está feliz com as pessoas que o cercam. É dirigido às que ainda relutam em continuar com relacionamentos instáveis. Contudo, depois de uma reflexão cuidadosa com a eliminação justa daquele que provocou sofrimento, a bonança chega com a paz e com a desejosa liberdade. A única forma de mudar uma vida cheia de decepções, intrigas, amargores, maus-tratos, é se “evadir”, sair fora, abandonar, deixar o lugar de desconforto para encontrar o paraíso terrestre. Se faz necessário destapar os ouvidos e ouvir a voz que resgata, vinda de alguém que diga o que está no refrão: “Me leva pra casa que eu posso te fazer feliz”.
Algumas considerações são importantes para entender uma frase tão curta, tão poderosa: “Me leva pra casa”. O que TH6 quer dizer com, “me leva”? No videoclipe, a escolha foi direcionada propositalmente à uma questão amorosa. Não há como negar que o amor está sempre em alta nos vídeos das músicas. Amar faz bem. Atingir um público maior, com este exemplo indubitável, foi uma escolha pop. A linda jovem, coadjuvante no clipe, não tem um relacionamento sadio, nem feliz. Ela encontra, num olhar salvador, alguém que é arrebatado por uma paixão súbita e emergente. Ele, o protagonista (TH6), arrebata a gata infeliz e a convida para conhecer um lugar desconhecido por ela: a Eudaimonia.
Essa palavra “eudaimonia” do grego, muito usada nos meios acadêmicos, principalmente, nos ambientes onde os filósofos se reúnem, é traduzida por “Felicidade”. Porém, Eudaimonia, ao pé da letra, quer dizer: Eu (bom), Daimonia (espírito). Eudaimonia seria alguém que deseja encontrar um bom espírito que te mostre, te conduza à paz. Esse é o lugar onde TH6 deseja levar o público que ouve sua orientação poética. Usou de forma estratégica, com poderosa força linguística, sua intensa capacidade intelectual de dizer coisas altamente complexas com frases simples. Todavia, essa frase possui uma profundidade abissal, possui outras leituras. Como toda e qualquer frase, a metáfora sempre está presente para alargar o sentido poético. A poesia, a letra da canção tem o poder de mudar o destino de muita gente. Lógico, aqui estamos falando de poesia, a literatura do sensível. O mais difícil, o desafio que TH6 lança, em poucas estrofes, é fazer o ouvinte repensar sua vida num grande espectro de vias. Caminhos desconhecidos não pensados, não refletidos.
O refrão pode nos suscitar diversos caminhos. “Me leva” pode vir da boca de uma criança dizendo a um casal que deseja adotar alguém que não tem um lar. Pode suscitar que um livro te diga: “Me leva pra casa”, posso te oferecer conhecimento. Talvez um amigo esquecido que te magoou, te diga: “Me leva onde possa encontrar seu perdão”. Um cão para adoção, com o olhar lânguido te pediria: “Me leva pra casa que eu posso te fazer feliz”.
“Casa”, aqui, não é um lugar, tampouco um espaço físico. É um lugar onde habita, reside o conforto da alma. Epicuro, o grande filósofo grego da Antiguidade, criou um jardim onde recebia pessoas, acolhendo todo aquele que desejava encontrar a felicidade. “Levou” para morar com ele todos aqueles que tinham uma vida miserável e infeliz. Ficou conhecido como o filósofo da felicidade. Talvez, seria conhecido popularmente hoje, como o filósofo do: “Me leva pra casa”.
O universo de interpretações, das metáforas que o refrão genial pode oferecer nos leva à seguinte reflexão: “Estamos com alguém no lugar errado”. É preciso abrir nossos olhos, ser conduzido por quem nos quer bem, me levar onde mereço. Que me tire dessa zona de “desconforto”. Levar para um lugar seguro, pacífico, é retirá-lo de onde não se sente bem.
Não se esqueçam de levar TH6 pra casa com suas outras excelentes composições que estão nas plataformas digitais. “Me Leva” é a ponta do iceberg. O que está embaixo dele é o que provoca reflexão no seu público fiel. Nunca é tarde para aceitar o convite: “Me leva pra casa que eu posso te fazer feliz”.
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