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"Sonhei demais", um CD como os discos da época de ouro da MPB

Álbum de Sérgio Dumont tem belas canções, instrumental superelegante, coisa fina, bacana mesmo

Música  –  08/10/2012 22:21

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(Fotos: Divulgação) 

Sérgio é uma grata surpresa; sabe cantar, e encantar, tem leveza, canta com naturalidade

Quando ouço o trabalho de alguém que não conheço e pretendo escrever sobre o que achei do disco, gosto de ouvir e escrever logo ou ir ouvindo e escrevendo. A primeira impressão pra mim tem importância, gosto de me deixar levar pelos sustos, no bom sentido que a palavra me traz. Acho que o disco do Sérgio Dumont já valeria só pelo fato de ter Jane Duboc e Flavio Venturini em participações superespeciais.

Flávio Venturini, em “Sonhei demais”, e Jane Duboc, em “Realeza vulgar”, além de produção musical de Ricardo Leão (exceto “Sonhei demais”, produzida por Flávio Venturini) e direção musical e artística de Daniel Figueiredo.

Isso por si só já estaria bom, mas o melhor é que o Sérgio é uma grata surpresa. Sabe cantar, e encantar, tem leveza, não tem que se esforçar pra cantar, o faz com naturalidade. Também compõe e sabe compor, o álbum tem ótimas canções de autoria do próprio Sérgio, que tem como principais inspirações e influências Flávio Venturini, Beto Guedes, Milton Nascimento, Chico Buarque, Ivan Lins, entre outros. Ouça e surpreenda-se!

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O CD “Sonhei demais” foi lançado em abril deste ano

Um pouco sobre o artista

Sérgio Dumont é carioca e começou cedo seu amor pela música. Uma das suas maiores paixões é o violão, instrumento que viabiliza suas inspirações melódicas, que o levou a cursar o Conservatório Brasileiro de Música e a Academia de Música Lorenzo Fernandes, formando-se em harmonia tradicional e licenciando-se e especializando-se em educação musical.

O CD “Sonhei demais” foi lançado em abril deste ano. Para mostrar seus novos trabalhos, Sérgio realizou o circuito “Sérgio Dumont e amigos cantam MPB” por três meses no Teatro Rival Petrobras, no Rio de Janeiro, que contou com participações de Zezé Motta, Jane Duboc e Zé Renato.

Além das fronteiras brasileiras

Seus sucessos estão além das fronteiras brasileiras e foram parar nas rádios de Lisboa, Portugal, e também vem agradando aos franceses. As letras “Realeza vulgar”, gravada com a cantora Jane Duboc, e “Sonhei demais”, com Flávio Venturini, estão entre as mais tocadas no sofisticado Maximi’s Paris. As composições de Sérgio também fazem parte da trilha sonora do filme americano “The heartbreaker”, que tem como protagonista a atriz Giovanna Antonelli.

O CD remete aos bons discos da época de ouro da MPB, com belas canções, instrumental superelegante, coisa fina, bacana. Também com esses músicos como André Rodrigues, André Siqueira, Iura Ranevsky, João Castilho, João Viana, Márcio André, Pedro Mamede, Torcuato Mariano e Zé Canuto seria complicado fazer diferente.

A sonoridade do álbum é bem gostosa, pede até pra dançar de rosto colado. Ouvi o disco no site do Sérgio Dumont e gostei bastante. Alguém pode me enviar o cd original? Obrigada!

Sérgio Dumont por Aldir Blanc

O voo de Sérgio Dumont 

No momento atual, em que compositores são abatidos como patos, é estimulante ver que alguns alçam voo, nas asas do talento, graças às músicas, letras e interpretações refinadas. Não estou fazendo trocadilho com o sobrenome do Sérgio, mas ele tem asas e impulso para ir muito longe. Sua filiação com a criativa escola musical mineira não o limita, pelo contrário, redimensiona as influências.

Para um compositor como eu, entrando meio angustiado na curva de chegada, a seriedade do trabalho de Sérgio Dumont faz bem e renova minha vocação, um tanto Clint Eastwood, de morrer atirando. Amei “Brasileirice” e “Realeza vulgar” (na qual reencontrei Jane Duboc fazendo o milagre de exibir a classe habitual, só que sempre nova). Jane Duboc me faz pensar nos artistas que o Brasil - eta, paizinho ingrato! - não trata com o merecido reconhecimento. “Beija flor” e “Vila Rica” são verdadeiras teses a respeito da polêmica entre modernidade e tradição. Sérgio Dumont prova que as duas não são incompatíveis.

Vencida a batalha de realizar um belíssimo CD, virão outras: divulgação, execução etc. - mas quem voa bonito como o Sérgio, certamente terá peito e fôlego para vencer essas também. Mérito e qualidade não lhe faltam.

Por Márcia Tunes  –  marciatunes@gmail.com

1 Comentário

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  • José Ricardo

    Gentil, elegante e correta apreciação crítica, sobre um novo valor que exsurge na MPB.
    Parabéns à crítica apreciativa, sucesso ao compositor.