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Cláudio Alcântara

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Cena em Movimento

Coletivo Avoantes nasce da migração e transforma pertencimento em linguagem

Grupo reúne mais de 50 artistas nordestinos no Rio, estreia mostra de cinema no CCJF e estrutura núcleos de teatro, dança e audiovisual com foco em identidade e mercado

Pelo Brasil  –  18/03/2026 19:41

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(Fotos: Divulgação)

O movimento do Avoantes não se limita ao cinema; o grupo mantém em andamento a pesquisa teatral “Pitoresco Nordeste”, desenvolvida por um núcleo de 12 atores sob direção de Juracy de Oliveira

 

O ponto de partida é o deslocamento. Mais de 50 atores que saíram do Nordeste e hoje vivem no Rio de Janeiro encontraram, em 2024, um eixo comum para transformar experiência em criação. Assim surgiu o Coletivo Avoantes, iniciativa que rapidamente deixou o campo das ideias para ocupar espaço concreto no audiovisual carioca. Em 2025, o grupo realizou a primeira Mostra Avoantes de Cinema no Centro Cultural da Justiça Federal, reunindo mais de 20 cineastas e exibindo 16 curtas-metragens atravessados por referências da cultura nordestina.   

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Idealizada pela atriz e produtora Renata Leite, pós-graduada em Arte, a mostra funcionou como vitrine e também como ponto de encontro. Além das exibições, o evento promoveu uma roda de conversa mediada pelos artistas do coletivo, com participação de nomes atuantes na cena cultural do Rio, como Inez Viana, Alexandre Lino, Alice Demier, Adriano Mel, Marco Antônio de Carvalho, Raiza Antunes e Alexandre Fructuoso, entre outros convidados.   

... Renata Leite (que ganhou o Prêmio OLHO VIVO 2022 - Troféu Técnico, na Categoria Arte Sem Fronteiras) 

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O movimento do Avoantes não se limita ao cinema. O grupo mantém em andamento a pesquisa teatral “Pitoresco Nordeste”, desenvolvida por um núcleo de 12 atores sob direção de Juracy de Oliveira, artista também migrado do Nordeste e indicado ao Prêmio Shell de melhor atriz pelo espetáculo “Egoísta”. A investigação parte das trajetórias de deslocamento e se debruça sobre questões de pertencimento, preconceito e trocas culturais no Sudeste. 

A estrutura do coletivo se amplia em outros núcleos. Um deles é dedicado às danças populares nordestinas, com coreografias assinadas pelo ator e bailarino Mário Cardona, que já levou apresentações para diferentes espaços da cidade. Outro braço foca na preparação para o audiovisual, com encontros e práticas que aproximam os artistas do mercado, incluindo colaborações com produtores de elenco da TV Globo, como Rudson Martins e Hermínio Ribeiro.

À frente da criação está o ator Luiz França (foto abaixo), fundador do coletivo. Natural de Piancó, na Paraíba, ele é bacharel em Artes Cênicas pela Casa das Artes de Laranjeiras e licenciado em Teatro pela Universidade Estácio de Sá. Com mais de 20 anos de carreira, transita entre teatro, televisão, cinema e publicidade. No Avoantes, ele identifica um espaço que vai além da produção artística.

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- O Avoantes, para mim hoje, é um refúgio. Um refúgio de resistência, de persistência e de acolhimento, onde eu me sinto parte de algo maior. Entendo que a junção desses artistas dentro do coletivo representa algo muito potente, e sinto que temos uma caminhada muito bonita pela frente, levando a arte e a cultura do Nordeste para serem representadas e reconhecidas em todo o país - afirma França.

A origem do projeto está ligada a um processo pessoal que acabou ganhando dimensão coletiva. França relata que a ideia surgiu da necessidade de compreender a própria identidade como artista nordestino no Sudeste, um mercado que, segundo ele, nem sempre abre espaço para essas narrativas.

- A ideia do coletivo surge da necessidade de me entender enquanto artista nordestino, de compreender a minha cultura, as histórias que me atravessam e o valor que tudo isso possui dentro do mercado artístico do Sudeste do país, que muitas vezes não abre espaço para essas vozes. A partir dessa reflexão, percebi que talvez o caminho não fosse tentar ocupar esse espaço sozinho, mas somar forças, juntar pessoas que também carregam essas vivências, essas referências culturais e essas questões. Criar força através da coletividade, valorizando nossa cultura e afirmando o lugar que ela merece ocupar - diz.

Para 2026, o planejamento inclui a montagem do primeiro espetáculo teatral do grupo, a produção do primeiro curta-metragem e a realização da segunda edição da Mostra Avoantes de Cinema, que deve repetir o formato e ampliar o alcance. O coletivo também mantém presença ativa nas redes sociais, onde divulga atividades e articulações com a cena cultural.

. Conheça o coletivo em suas redes sociais: @coletivoavoantes 

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Por Cláudio Alcântara  –  claudioalcantaravr@hotmail.com

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