(Foto Ilustrativa)
Possibilidade de um adolescente negro ser
vítima de homicídio é 3,7 vezes maior em
comparação com os brancos
No lançamento da quarta edição do Bapi (Boletim de Análise Político-Institucional), o diretor do Ipea, Daniel Cerqueira, apresentou dados que mostram que, no Brasil, a probabilidade do negro ser vítima de homicídio é oito pontos percentuais maior, mesmo quando se compara indivíduos com escolaridade e características socioeconômicas semelhantes.
Para Almir de Oliveira Júnior e Verônica Couto de Araújo Lima, respectivamente pesquisador do Ipea e acadêmica da área de Direitos Humanos da UnB, se no Brasil a exposição da população como um todo à possibilidade de morte violenta já é grande, ser negro corresponde a pertencer a um grupo de risco, pois a cada três assassinatos, dois são de negros. Somando-se a população residente nos 226 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, calcula-se que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos.
"Segurança pública e racismo institucional"
Os dados são do artigo que escrevem em parceria, "Segurança pública e racismo institucional", que compõe a quarta edição do Bapi, lançada na quinta-feira, 17, simultaneamente no Rio de Janeiro e em Brasília. Analisando o racismo institucional dentro das polícias, os autores conceituam o termo como sendo o fracasso coletivo das instituições em promover um serviço profissional e adequado às pessoas por causa da sua cor.
A pesquisa aponta que negros são maiores vítimas de agressão por parte de policiais do que brancos. A Pesquisa Nacional de Vitimização mostra que 6,5% dos negros que sofreram uma agressão no ano anterior à coleta dos dados pelo IBGE, em 2010, tiveram como agressores policiais ou seguranças privados (que muitas vezes são policiais trabalhando nos horários de folga), contra 3,7% dos brancos.
Coletiva de lançamento do Boletim
A coordenadora da publicação, Joana Alencar, e o diretor da Diest abriram a coletiva de lançamento do Boletim, na sede do Instituto, em Brasília. Logo em seguida, Roberto Messenberg, que também coordena a publicação, comentou o conteúdo geral dos sete artigos da publicação. A apresentação contou ainda com a participação da pesquisadora do Instituto Maria Bernadete Sarmiento Gutierrez, que demonstrou dados de seu artigo, "Desenvolvimento Sustentável: a necessidade de um marco de governança adequado".
Os outros textos que compõem o Bapi são: "As manifestações de junho e os desafios à participação", de Wagner Romão; "A pacificação das favelas do Rio de Janeiro e as organizações da sociedade civil", de Rute Imanishi e Eugênia Motta; "Participação e desenvolvimento regional: uma conexão ainda frágil", de Clóvis Henrique de Souza, Paula Fiuza Lima e Joana Alencar; "Audiências públicas: fatores que influenciam seu potencial de efetividade", de Igor Fonseca, Raimer Rezende, Marília de Oliveira e Ana Karine Pereira; e, por fim, "Pronatec: múltiplos arranjos e ações para ampliar o acesso à educação profissional", de Maria Martha Cassiolato e Ronaldo Garcia.
Este volume da publicação tem como foco aspectos estruturais de algumas das instituições políticas brasileiras e a relação entre o desenvolvimento e os mecanismos de democracia representativa e participativa.
Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
Fundação pública vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada fornece suporte técnico e institucional às ações governamentais - possibilitando a formulação de inúmeras políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiro - e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas e estudos realizados por seus técnicos.
