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Olhar Errante

Ruan Campos

ruan.campos@hotmail.com

Fotografia Digital

Texturas, intervenções e sobreposições marcam o trabalho da fotógrafa Cláudia Moraes

Série Do Kaos ao Caos fica exposta no Salão de Arte Anual de Paraty até o dia 30 de abril

Parabólica  –  17/04/2026 19:46

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(Fotos: Divulgação)

Utilizando múltiplas formas de produção, a artista plástica e fotógrafa tem a natureza e a relação do Homem com o planeta como alicerces em seus trabalhos; contemporaneidade e sustentabilidade são traços marcantes nas produções de Cláudia Moraes

 

A pesquisa artística de Cláudia Moraes investiga a fundo a complexa relação entre corpo, natureza e tempo; partindo da compreensão de que o ser humano não está separado do mundo natural, mas sim constituído por ele. Através da fotografia digital com intervenções e sobreposições, Cláudia produz imagens onde o corpo humano se funde à terra, às árvores, às folhas e aos frutos, evidenciando uma memória ancestral, destacando o pertencimento que permanece, mesmo diante da degradação ambiental contemporânea. 

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A trajetória e a relação de Cláudia Moraes com a fotografia teve início a partir do encantamento que carrega desde a adolescência, quando registrar a natureza e os animais já era uma necessidade expressiva.   

- Sempre fui movida pela paixão de observar o que é sutil: o amanhecer, o detalhe da chuva e o comportamento da fauna. No entanto, o ponto de viragem para a profissionalização ocorreu durante a pandemia (novo coronavírus/Covid-19). As angústias desse período transformaram a minha curiosidade em uma dedicação sistemática e profunda - ressalta a artista.

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O que antes era observação tornou-se investigação artística; levando a fotógrafa a explorar a imagem não apenas como registro, mas como uma ferramenta para entender a constituição do Na série “Do Kaos ao Caos”, exposta no Salão de Arte Anual de Paraty (RJ) até o dia 30 de abril, o trabalho de Cláudia Moraes é marcado pela experimentação e por um intenso processo criativo. Para a fotógrafa, a série de imagens de “Do Kaos ao Caos” foi um processo e uma jornada para entender como o ser humano se perdeu de sua origem natural para chegar ao caos atual.     

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Com uma temática atualíssima, a série começou com uma pesquisa profunda sobre a raiz humana (o conceito de Haadamar, o homem que vem da terra). A partir disso, o trabalho da fotógrafa ganhou vida em três etapas: a primeira foi a criação da imagem.    

- Antes de clicar, eu concebi cada cena mentalmente. Usei técnicas de sobreposição e duplas exposições para mostrar as camadas da nossa identidade e como a imagem que projetamos nem sempre é quem realmente somos e do quiasma (inversões em formato de "X") para mostrar o sufocamento do ser humano pela tecnologia e pelo consumo, contrastando com a pureza da "terra vermelha" original - relata.  

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Em seguida, Cláudia escolheu o material, base importante da identidade de seus trabalhos.    

- Decidi produzir as obras em metacrilato. Como ele é brilhante e reflexivo, ele funciona como um espelho; quem olha para a foto acaba vendo o seu próprio reflexo misturado à obra, tornando-se parte do projeto. Ele permite "tocar" na história.   

Como terceira etapa da produção, Cláudia Moraes explorou com maestria a experiência do toque.

- Atualmente, estou executando uma fase essencial que é a adição de texturas e relevos. Quero que o público, inclusive pessoas com deficiência visual, possam tocar na obra. O processo de produção da coleção “Do Kaos ao Caos” foi uma jornada para entender como o ser humano se perdeu de sua origem natural para chegar ao caos atual - conta.

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Novas produções para 2026    

Para este ano, Cláudia Moraes pretende produzir uma nova série fotográfica. Nesta série inédita, serão 20 imagens de alta sensibilidade, onde a artista busca revelar os grafismos, traços e formas deixados por grupos caçadores-coletores que habitaram a região das Agulhas Negras há milênios.   

- Tenho um projeto muito especial previsto para este ano que marca um momento histórico na minha carreira. A nova série chama-se “Primeiro Traço: 6000 Anos de História Revelada no Parque Nacional do Itatiaia”. Diferente dos meus trabalhos anteriores, onde explorei a “Alma Vivente” de uma forma mais filosófica e psicanalítica, esta série foca em uma descoberta arqueológica real e inédita: as pinturas rupestres encontradas no Parque Nacional. São registros de cerca de 6.000 anos atrás, sendo os primeiros desse tipo documentados no Vale do Paraíba - adianta Cláudia.

Além das fotografias, o projeto prevê uma forte interação com a comunidade, com oficinas, conteúdo digital; mantendo o compromisso com a acessibilidade, incluindo audiodescrição e Braille, para que todos os públicos possam enxergar e sentir a rica e importante história que ficou escondida por tanto tempo.

. Acompanhe o trabalho da artista no Instagram @claudiafotogrartista ou pelo site (clique aqui).

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Por Ruan Campos  –  ruan.campos@hotmail.com

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