(Fotos: Divulgação)
Para a inclusão ser completa, o Mãos que Encantam é formado por
surdos, mudos e alunos ouvintes, que têm conhecimento de libras
O principal objetivo do Projeto Música nas Escolas é educar por meio da música. Ao colocar esse objetivo em prática, cada aluno da rede municipal de Barra Mansa é inserido no cenário musical desde a pré-escola. Esse processo de formação torna-se uma ferramenta de inclusão social.
A professora de musicalização infantil Priscila Faria de Oliveira Santos percebeu essa possiblidade de utilizar a música como ferramenta de inclusão ao ministrar aulas pelo Projeto no Colégio Municipal Prefeito Marcello Drable. Nas aulas que realizava no colégio, um polo de inclusão, Priscila se frustrava ao constatar que os alunos surdos não acompanhavam as aulas de musicalização. Propôs, então, à direção da unidade escolar e ao Projeto a criação de um Coral de Libras. A diretoria do colégio e o Projeto Música nas Escolas apoiaram a ideia de Priscila, nascendo assim em 2015 o Coral Mãos que Encantam.
O coral ensaia no intervalo dos turnos do colégio e já conta com 26 integrantes, de 8 a 17 anos. Para a inclusão ser completa, o Mãos que Encantam é formado por surdos, mudos e alunos ouvintes, que têm conhecimento de libras. Os integrantes expressam três músicas por meio da linguagem de sinais, que foram adaptadas por Priscila, em conjunto com a intérprete Dayana Aparecida Francisco de Souza.
- Precisamos adaptar a música para a libras, de maneira que faça sentido para os alunos e eles não apenas sejam repetidores dos sinais, mas, principalmente, sintam a música e cantem com toda a expressão. É um trabalho complexo, mas que vem apresentando resultados surpreendentes - afirma Priscila.
E esses resultados são demonstrados pela socialização dos alunos, interesse pelo mundo da música, que os levam a querer aprender instrumentos. Lara de Araújo Lima da Silva quer tocar violino, Grazieli Campos Rodrigues tem interesse na flauta, mas, principalmente, no orgulho que os pais e familiares sentem. Vanessa Pedrosa Campos Rodrigues, mãe de Grazieli, conta que a família toda aprendeu a falar em libras.
- A Grazieli começou a se apresentar em libras na igreja que frequentamos e já apresentou o Hino Nacional. É sempre muito emocionante e ajuda na sua socialização, tanto que ela já pediu para ir à escola sozinha. Mesmo preocupados, mas não em razão dela, mas sim pela violência geral, nós a autorizamos e colocamos todas as informações de contato na carteirinha do passe escolar. Acreditamos na independência dela acima de tudo - afirmou Vanessa.
União que ultrapassa o portão da escola
Os laços que unem os integrantes do coral ultrapassaram o portão da escola e todos são amigos. Recentemente, no aniversário de 15 anos de Maria Fernanda Alves Martins, participante do coral, eles apresentaram uma música.
- Foi uma festa muito emocionante, eles prepararam essa surpresa que deixou todos de boca aberta. A Maria Fernanda é um exemplo para toda nossa família e tem um futuro promissor pela frente - disse, emocionada, Sônia Maria Alves Martins de Oliveira, avó de Fernanda.
Os alunos do coral conheceram a sede do Projeto Música nas Escolas e participaram de ensaios da Orquestra Sinfônica e da Banda Sinfônica de Barra mansa. A percussão, com seu som vibrante, impressionou os alunos, que ficaram descalços para sentir a música e os instrumentos da orquestra. No ensaio da banda, os alunos tiverem contato mais próximo com os instrumentos, tocando-os e aprendendo como funcionam. A experiência os aproximou ainda mais da música. A intérprete reforçou a importância do ensino de libras, não apenas para os surdos.
- Libras é a segunda língua do país e mesmo assim não é tão difundida. Temos uma carência enorme de profissionais com conhecimento na língua e precisamos cada vez mais difundi-la a todos, para que a inclusão ocorra naturalmente - salientou Daiana.
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Projeto Música nas Escolas
O Projeto Música nas Escolas de Barra Mansa atende a todas as escolas públicas municipais da cidade com processo de educação musical que inicia na educação infantil e se estende a todas as séries. Além da OSBM, o projeto investe na criação de grupos de diferentes estilos musicais, ampliando sua diversidade e alcance. Desde o início, o Projeto é mantido pela Prefeitura de Barra Mansa, numa ação conjunta da Secretaria Municipal de Educação e da Fundação de Cultura. A gestão administrativa é feita pela Associação da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa. Além disso, o Projeto é patrocinado pela Saint-Gobain, Votorantim, CCR - NovaDutra, White Martins e Grupo Toniato, por meio da Lei de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet, do Ministério da Cultura. A Light e a Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, patrocinam o Projeto por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio de Janeiro.

