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Conflitos Sociais

Dhiogo José Caetano

dhiogocaetano@hotmail.com

Não Concordo, Silas Malafaia

Afinal, as pessoas escolhem a sua sexualidade?

Sexualidade envolve muito mais do que sexo; de forma complexa, pode-se afirmar que sexualidade é amor, carinho, vida, inteligência, natureza

Pelo Brasil  –  06/08/2013 17:25

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(Foto Ilustrativa)

Convido a humanidade a praticar a arte de amar, difundindo a esperança, a vida, a união, a verdade

Não quero confrontar o pastor Silas Malafaia, admiro o seu trabalho, mas não posso concordar com algumas afirmações feitas por ele no programa "De frente com Gabi”, que foi ao ar no dia 3 de janeiro de 2013, causando polêmica no Brasil e no mundo. Aqui não está em questão se um "padrão sexual" é normal ou não. O que não pode ser aceito é a violência que cresce a cada dia. Todas as pessoas têm o direito de ser feliz e viver plenamente a sua existência, pois, acima de tudo, todos nós somos seres humanos. No discurso de Malafaia, ele deixa transparecer que as pessoas escolhem a sua sexualidade, mas pensem comigo: Será que uma pessoa optaria por enfrentar a sociedade, a família e o mundo para viver as aventuras de um homossexual? Os mesmos são espancados, humilhados, violados, mutilados por defender a sua sexualidade. 

Em minha concepção, creio que ninguém escolheria viver essa realidade, as pessoas nascem com a inclinação sexual voltada para pessoas do mesmo sexo, a sociedade pode até dizer que é errado, mas o desejo de viver a sua "natureza" é maior, sobrepondo o preconceito. O ser humano deve ser respeito enquanto indivíduo no espaço social, não importa a sua condição sexual, religiosa ou economia, pois os mesmos igualmente pagam seus impostos. Os deveres são iguais, então os direitos também devem ser.

Caro, Malafaia, deputado Bolsonaro e tantos outros defensores de ideologias polêmicas, precisamos unir a humanidade, ensinar a arte de amar, que Jesus sabiamente nos deixou ao longo da sua caminhada, eliminando o etnocentrismo como disciplina de discussão da realidade vida, buscando solução para os problemas e conflitos coletivos que a sociedade vem enfrentando ao longo dos séculos. 

A sociedade precisa compor-se de
seres humanos, não de grupos exilados
 

Mas, quem são eles? Onde estão eles? "Homens como qualquer um". E acima de tudo seres humanos. Eu não tenho nada contra. Mas a maioria tem! No entanto, eles são seres humanos. Amam e vivem a quebrar as regras e padrões sociais. Só querem ser feliz. Ser amado. Querem respeito e direitos iguais. Sair, falar, sentir e viver plenamente feliz. Gostam de muitas cores. Vivem na magia de coabitar corpos diferentes de sua alma. Já sabem quem são eles? Eles desejam viver e ser feliz. Falar, sentir as vibrações de uma vida plena e romper com normas e padrões; isto se elas existirem. São eles homens como "qualquer um". Onde estão eles? Eles estão em todas as partes. Eles são seres humanos. Só desejam ser feliz e viver plenamente a sua existência, pois acima de tudo eles são seres humanos. 

Quando Malafaia afirma a Marília Gabriela que a maioria dos homossexuais foram violentados, não concordo pois sou umas das pessoas que sofreram tal trama e digo que jamais conseguiria fazer esse mal a nenhuma pessoa. Não entendia o comportamento daqueles monstros que conviviam à minha volta. Eu era simplesmente uma criança, mas, mesmo assim, aqueles seres me atormentavam. Fui perseguido, obrigado a fazer coisas que nem mesmo eu sabia o que era. Mas, dentro de mim, sentia que era algo errado e que não deveria ser feito. Mas aqueles monstros me obrigavam, me ameaçavam. E eu era obrigado a fazê-lo. Eu me sentia culpado. 

Tinha medo e vergonha, também. Mas me sentia obrigado 

Dentro de mim um desalinho, pois sabia que algo errado estava acontecendo, mas, ao mesmo tempo, tinha medo de contar e omitia pra mim mesmo aquela cena terrível. Não fui violentado, graça a Deus, mas foram inúmeras as vezes que me deparei com pessoas ditas honestas e humanas, que olharam pra mim, uma simples criança, e diziam, olhando para o seu membro genital: "Eu deixo você pegar". No decorrer da vida, encarei essa cruel realidade e sobrevivi e, hoje, busco defender pessoas que, como eu, foram traumatizadas por monstros que não respeitam ninguém. 

A cada momento nada se pensa, sobre o que aconteceu, o nosso corpo pode ser pertença de quem abusos tece. Mas tudo silencia e nada nos descansa quando surge um novo dia e alguém se apropria da doçura da alma de uma criança. Seja humano e se coloque no lugar das mesmas, assim você verá, ou melhor, sentirá na pelo o medo, o desalinho da alma.

A sociedade deve se libertar das amarras do preconceito e viver a "plena liberdade de expressão" pregada nos documentários, comerciais, novelas e jornais. Em pleno século XXI ainda vivenciamos em grande proporção a falta de respeito entre seres que compõem a sociedade humana. 

Seres humanos vivem além do sexo e da realização carnal 

A sexualidade envolve muito mais do que sexo. De forma complexa, pode-se afirmar que sexualidade é amor, carinho, vida, inteligência, natureza. Transsexualidade, heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade, assexualidade, não importa o termo, não podemos esquecer que estamos falando de seres humanos que vivem além do sexo e da realização carnal. 

Em suma, convido a humanidade a praticar a arte de amar, difundindo a esperança, a vida, a união, a verdade. Como sabiamente disse Jesus: "Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei". Ninguém tem maior amor do que esse, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. "Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando" - João 15, 12-14 . Simplesmente "Ame o próximo como a ti mesmo" - Marcos 12, 31

Por Dhiogo José Caetano  –  dhiogocaetano@hotmail.com

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