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Dhiogo José Caetano

dhiogocaetano@hotmail.com

Opinando e Transformando

Edith Lotufo é a décima entrevistada na série sobre cultura

Objetivo é formar um mosaico com o que cada um pensa desse universo multifacetado

Pelo Brasil  –  14/04/2016 09:40

Publicada: 12/04/2016 (18:45:47) . Atualizada: 14/04/2016 (09:40:52)

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(Foto: Divulgação)

“Cultura imposta nem poderia ser chamada de cultura porque vira ritual, mercadoria”

> Clique e confira todas as entrevistas da série sobre Cultura "Opinando e Transformando"

A décima convidada na série de entrevistas “Opinando e Transformando” é Edith Lotufo. Uma oportunidade para os internautas conhecerem um pouco mais sobre os profissionais que, de alguma forma, vivem para a arte/cultura. Confira:

> Nome: Edith Lotufo
> Reside: Goiânia (GO)

> Breve currículo: Possui graduação em educação artística, pela Universidade de Kassel, Alemanha (1975), licenciatura para o magistério em escolas secundárias em artes e ofícios, pelo Seminário de Estudos I de Kassel (1983) e especialização em educação/docência universitária pela Universidade Católica de Goiás (1997). Desde 1989 é professora da PUC Goiás. Tem experiência na área de artes visuais, com ênfase em comunicação visual, atuando principalmente nos seguintes temas: artes visuais, arte aplicada, criatividade, artes e ofícios, escultura e modelagem, máscaras, teoria e prática da cor, reciclagem de papel, design e artesanato, design e sustentabilidade, design experimental com resíduos sólidos. Concluiu mestrado em arte e cultura visual da Universidade Federal de Goiás em julho de 2015.

> Em sua opinião, o que é cultura?

Cultura tem, para mim, várias dimensões:
- Transformação da natureza pelo Homem, adaptando os recursos naturais às necessidades.
- Expressões de natureza artísticas, simbólicas, estéticas e sensíveis das pessoas individualmente ou coletivamente (tradicionais e inovadores).
- Transmissão de conhecimentos de qualquer natureza de geração para geração.

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"Temos que assumir as contradições e a complexidade da sociedade na qual vivemos e buscar caminhos que respeitem a diversidade, promovam o diálogo e contribuam para diminuir as desigualdades sociais e econômicas, e aumentem o direito à expressão e participação cultural de todos".

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> Você se considera um difusor cultural?

Sim.
- Como professora transmito conhecimentos, técnicas e habilidades;
- Eu contribuo com que expressões culturais que valorizo sejam mais conhecidas.

> Qual é o seu papel neste vasto campo da transformação mental, intelectual e filosófica?

As transformações mentais, intelectuais e filosóficas só acontecem quando existem situações e estímulos que levam a pessoa a refletir sobre sua realidade e a sociedade da qual faz parte. Isso pode acontecer em processos de mediação e aprendizagem na família, na escola, universidade, grupos comunitários etc. Vejo meu papel nesses lugares propondo que as pessoas pensem, reflitem, se abram para outras experiências.

> Como você descreve o processo de aculturação, ao longo da formação da sociedade brasileira?

A sociedade brasileira é composta por elementos multiculturais que se expressam em maior ou menor grau de acordo com as correlações de forças, como: maiorias-minorias, pessoas do lugar e de fora, poder econômico que se impõe e consumidores etc.

> A cultura liberta ou aprisiona os indivíduos?

A cultura liberta quando ela não vira instrumento de imposição de uns sobre outros. Cultura imposta nem poderia ser chamada de cultura porque vira ritual, mercadoria…

> Que problemática você destaca na prática da difusão cultural? Comente sobre o espaço digital, destacando sua importância no cenário cultural brasileiro e mundial?

Vejo que a difusão cultural no espaço digital, por viagens e migração internacional torna as expressões culturais mais assimiladas e parecidas de um lado, mas também aproximam as pessoas permitindo uma troca que pode enriquecer diferentes culturas. Estamos entre o achatamento de um lado e a ampliação da diversidade de outro. Por exemplo, o Halloween é difundido pelas escolas de inglês e vai depender do grau de abertura e identificação o quanto essa expressão externa vai ser aceita. As divisões sociais e econômicas do Brasil em geral fazem com que a cultura da elite e do resto da população vão se distanciando. Com a admiração de parte da população pela cultura norte-americana vemos muitos usos e costumes se transformarem silenciosamente. Por outro lado, não podemos falar de uma única cultura brasileira, temos muitas culturas simultâneas como, a urbana e a rural…

> Qual mensagem você deixa para todos os fazedores culturais?

Definir o próprio lugar na sociedade, a partir de onde olhamos e falamos e com qual modelo de sociedade estamos comprometidos. Temos que assumir que na maioria das vezes pertencemos a grupos sociais privilegiados, mesmo que tenhamos muito dificuldade de poder nos dedicar ao fazer cultural e à arte. Temos que assumir as contradições e a complexidade da sociedade na qual vivemos e buscar caminhos que respeitem a diversidade, promovam o diálogo e contribuam para diminuir as desigualdades sociais e econômicas e aumentem o direito à expressão e participação cultural de todos.

Por Dhiogo José Caetano  –  dhiogocaetano@hotmail.com

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