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Conflitos Sociais

Dhiogo José Caetano

dhiogocaetano@hotmail.com

Opinando e Transformando

José Carlos Bortoloti é o 20º entrevistado na série sobre cultura

Objetivo é formar um mosaico com o que cada um pensa desse universo multifacetado

Pelo Brasil  –  07/09/2016 12:23

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(Foto: Divulgação)

“O ‘sertanojo’ (sim, isto mesmo) ofende a inteligência de quem tem um pouco de cérebro”

> Clique e confira todas as entrevistas da série sobre Cultura "Opinando e Transformando"

O 20º convidado na série de entrevistas “Opinando e Transformando” é José Carlos Bortoloti. Uma oportunidade para os internautas conhecerem um pouco mais sobre os profissionais que, de alguma forma, vivem para a arte/cultura. Confira:

> Nome: José Carlos Bortoloti (@profeborto)
> Reside: Passo Fundo (RS)

> Em sua opinião, o que é cultura?

Segundo a antropologia, é todo um sistema e muito complexo onde estão inseridos tudo ao que acreditamos, desde as lendas e histórias repassadas de geração a geração, como tudo o que é incluso nisso: valores, moral, arte, leis, e o mais comumente os costumes que foram sendo adquiridos e transmitidos a outras gerações. Mesmo as não ouvidas estão em nossa memória genética,

Esses hábitos, conhecimentos, instrução, convívio com os seres vai somando, ao próprio ser, um aculturamento. O que nós conhecemos por Cultura, em nossos dias, é derivado de "kultur" da origem etimológica germânica e uma das grandes obras que trata do Processo Civilizatório, de Norbert Elias, uma obra fantástica. A partir dela poderemos definir em termos gerais mais de 30 significações para o termo cultura. Ficando em nosso tempo, no Brasil, é a soma daquilo tudo que vem conosco de conhecimento (memória genética) através da educação - esta exclusivamente familiar - da instrução, o ensino formal, das vivências e convivências com outras famílias, grupos sociais, comunidades, e, para mim o mais importante a leitura variada para se ter uma ideia também variada do que somos, onde estamos e as demais perguntas do ser enquanto filósofo natural.

> Você se considera um difusor cultural? Qual é o seu papel neste vasto campo da transformação mental, intelectual e filosófica?

Não Dhiogo. Posso exacerbadamente e humildemente afirmar que sou um difusor de conhecimento através do que escrevo e é difundido em vários sítios brasileses e estrangeiro (Portugal, França e EUA).

Essas informações difundidas, através de artigos, crônicas e outros geram algum tipo de conhecimento no leitor. Ao somar, o leitor, com seus conhecimentos e vivências, ele começa um processo de aculturamento a partir de algo ou alguma coisa, mas geralmente leitura ou vivência. Nestas vivências poderemos colocar tudo desde o sofrimento da morte, a vivência de um nascimento, a audiência de uma orquestra sinfônica, toda a instrução escolar, mas principalmente o que ele trouxe de valores familiares que irão somar-se e com isto discernir sobre o que ele leu. Desta forma e através do filtro de cada um, poderá pegar uma destas informações, filtrá-la e usá-la consigo ou em seu meio. Quando da difusão desta ideia por muitos em uma ou mais comunidades se transformarem em importância, a partir disto começa a formar-se uma cultura... Naquela área ou setor.

Não existe uma cultura. Tudo é cultura. Guerra é uma cultura e traz conhecimentos incríveis. A felicidade do casamento ou do nascimento de um filho já está arraigado em nossa mente como os momentos felizes do Ser. Já foi transformado em cultura ou aquilo que foi cultivado - de agricultura - uma das definições que os antigos gregos gostavam. 

> Como você descreve o processo de aculturação, ao longo da formação da sociedade brasileira?

Está chegando até o final de 2015, ao mercado Brasilês, ou seja: a todos nós uma nova obra, completamente revisitada sobre a História do Brasil. Desde antes do Tratado de Tordesilhas onde realmente é o início de nossa própria história. De lá até hoje, todo o somatório e experiências acumuladas e registradas pelas mais diversas áreas da pesquisa, principalmente os historiadores, nos dará uma ideia aproximada do que somos e de onde viemos e o principal porque agimos assim, inclusive politicamente.

Por que somos tão passivos enquanto estado (povo) e aceitamos tanta balbúrdia, como por exemplo, o que está acontecendo na última década a partir de nossa capital federal, dos próprios estados da Federação e em nossos municípios - nossa própria casa - De onde vem tudo isso? Se verificarmos a história, teve todo o século passado mergulhado neste mesmo problema. E toda nossa sociedade e nosso povo enquanto Brasilês foi guardando, depositando tudo em sua memória, e através disto criamos a “cultura” do bonzinho, sorridente, Carnaval, futebol, samba e muita alegria com beleza humana e natural.

Esta é uma longa explanação e requer do leitor um conhecimento mais aprofundado de história e da sociologia, porquanto paro por aqui para ficar no simples. 

> A cultura liberta ou aprisiona os indivíduos?

Liberta. Indiscutivelmente. Quanto mais conhecimento eu tenho mais dúvidas eu terei e mais respostas buscarei. A máxima de Sócrates é a mais pura das verdades; “quando mais sei que sei, mais sei que nada sei”. Sintetizando o aforismo original deste grande filósofo grego e divisor de águas do conhecimento humano ocidental. O que houve antes e depois Dele - Sócrates - é o que somos hoje como uma forma de sociedade e de seres com seus próprios defeitos e suas virtudes acumuladas.

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"Um sujeito ignorante (de ignorar) o que tem pouco ou nada de conhecimento, tem um mundo tão pequeno que tudo gira exclusivamente ao seu redor (ou de seu umbigo como dizemos sempre). Ele não sabe nem imaginar, que dirá ir além. Esta “viagem” como a conhecemos metaforicamente vem de muita leitura, de muito conhecimento adquirido, vivenciado".

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Esta liberdade oriunda do aculturamento está muito ligada à felicidade do ser e de grupos como um todo e em alguns casos até do Estado enquanto um país.

Vamos pegar um exemplo a grosso modo: Um prisioneiro, não importa a lei transgredida, ele está exatamente do tamanho do seu mundo, uma cela de prisão. Fora desta “cela” seu mundo restringe-se ao que aprendeu praticando ou os crimes. Mesmo que tenha família, ou seja, um psicopata (sem emoções e sentimentos) o mundo dele está restrito à transgressão. Fora dela ele não conhece e não seria feliz com nada (salvo raras exceções).

Portanto, sim. Cultura traz libertação do indivíduo para usufruir das liberdades onde está inserido e com isso mais próximo da tão buscada felicidade.

> Que problemática você destaca na prática da difusão cultural?

Primeiro, na última década não tivemos difusor em nosso país. Todas as entidades foram praticamente adormecidas. As que sobraram da destruição. Teatros, orquestras, grandes encontros literários, grandes encontros de sábios e profissionais especializadíssimo em suas áreas e com isso difundido seus conhecimentos.

Sabe de algum que aconteceu e ficou marcado nesta última década?

Não. Não houve. Mas por quê? Porque o grande responsável por isso é quem gerencia nosso estado (povo e área física). Ao contrário, nosso ensino foi ridiculamente enfraquecido (quanto menos conhecimento adquirido mais facilmente o ser será controlado, é uma das máximas do decálogo de Lênin e seu comunismo fanático), isso estamos acompanhando, vendo na última década senão mais. No ensino, desde a década de 70, quando Freyre implantou o Gramscismo no Brasil. Ou seja, o comunismo através do ensino formal. Ele foi entrando, tal qual bactéria, e ninguém deu bola. O resultado está aí hoje para todos verem. Não tivemos nada marcante nesta década em termos de educação e principalmente de cultura. Ao menos não que pudéssemos deixar como legado para nossos filhos.

> Comente sobre o espaço digital, destacando sua importância no cenário cultural brasileiro e mundial?

Uma frase do colunista, Dhiogo Caetano, em correspondência eletrônica, junto com sua assinatura, crê seja o início de sua própria pergunta.
“... Que possamos fazer a diferença!”

Foi seu cumprimento ao final da mensagem. Exatamente aqui começa a resposta:
Nós, que ao sermos difusores de informação criamos responsabilidades de valorizar o que é rico e fortíssimo em nossa cultura.

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"Nossa Cultura? Sim. Cada estado, com raras exceções, tem uma cultura regional riquíssima. Autores, escritores, poetas, cancioneiros, músicas instrumentistas que em poucos países podemos ver".

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Quando digo raras exceções, tiro partes dos estados de SC e PR pela influência gigantesca do Rio Grande do Sul no processo de avançar em novas frentes do território brasilês.

E SC somente até chegar ao Vale do Itajaí, região lindíssima próxima ao mar de descendência alemã com uma riqueza impressionante.
Entrar em Blumenau é entrar em um pedacinho da Europa. Em Itajaí tem mão esquerda; sim você dirige seu automóvel pela mão esquerda. Engraçado para nós que não estamos acostumados.
Assim, se subirmos cada estado, vamos encontrar riquezas culturais literalmente nascidas de cada pequena região e conservando seus costumes de uma maneira tão fantástica que se torna apaixonante.

A área digital? Ora ela é o meio mais rápido para chegar a todas estas regiões. Ao participar de um programa da Web recebíamos correspondências do interior do Acre e do Alto Amazonas. Sim lá tem internet com sinal melhor que todo o resto do país, pois a Amazônia Legal tem um satélite exclusivo.

Tudo o que realmente precisamos valorizar e buscar nestas riquezas de nosso Amado Brasil nada pode ser tão rápido e ter resultado tão imediato quanto os canais digitais. Páginas dedicadas à educação, à informação que gera conhecimento e se transforma em cultura.
Hoje é necessidade que o meio digital faça isso em virtude de nossa péssima instrução escolar.

Sim, nobre Dhiogo:
Através do meio digital nós podemos e devemos fazer a diferença.

> Qual mensagem você deixa para todos os fazedores culturais?

Bem o que você chama de “fazedores culturais” estão em desuso há muito tempo. Grandes difusores e não fazedores foram grandes escritores nacionais que estamos perdendo todos eles aos poucos pela idade. Todos sabem as últimas grandes perdas: Rubem Alves, Suassuna, entre outros. E o que resta?

Poucos - Uma gigante chamada Adélia Prado em Goiás, outro gigante reconhecido até na Europa Oriental e que a grande maioria dos Brasileses não conhece Thyago de Mello amazonense e um dos grandes da atualidade... Isto é cultura pura. Cadê os grandes teatros nas capitais? Hoje servem para fazer show de “sertanojo”. Sim eu escrevi isto mesmo que alguns ainda chamam de cultura regional. Ofende a inteligência de quem tem um pouco de cérebro. Até porque ofende a raiz sertaneja pura, que agora se tornou uma ferramenta de mercado só isso. Músicas comerciais, letras horríveis, erros linguísticos chamados de “regionalismo”. Estes, amado Dhiogo, não são fazedores culturais, são assassinos do que ainda resta de cultura no Brasil.

Por Dhiogo José Caetano  –  dhiogocaetano@hotmail.com

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