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Dhiogo José Caetano

dhiogocaetano@hotmail.com

Opinando e Transformando

Caroline Albuquerque é a 22ª entrevistada na série sobre cultura

Objetivo é formar um mosaico com o que cada um pensa desse universo multifacetado

Pelo Brasil  –  05/10/2016 18:38

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(Foto: Divulgação)

“Plateias vazias me incomodam muito, principalmente em eventos gratuitos, acho um absurdo” 

> Clique e confira todas as entrevistas da série sobre Cultura "Opinando e Transformando"

A 22ª convidada na série de entrevistas “Opinando e Transformando” é Caroline Albuquerque. Uma oportunidade para os internautas conhecerem um pouco mais sobre os profissionais que, de alguma forma, vivem para a arte/cultura. Confira: 

> Nome: Caroline Albuquerque
> Breve biografia: Pesquisadora em moda e sua relação com a história, memória e cultura, atua principalmente na área de ensino e produção de figurinos e adereços para espetáculos. Especialista em História Cultural: Imaginários, Identidades e Narrativas/UFG (2015), possui graduação em design de moda pela Universidade Estadual de Goiás (2009). Como instrutora atuou no Projeto Agente Jovem lecionando Eco-Design (2008) e participou do projeto Fica Itinerante: A Construção da Cena Goiana, através do qual atendeu dez municípios goianos com a oficina de construção de objetos cênicos em Eco-design. Junto ao Senai Ítalo Bologna, ministrou aula para o curso de aperfeiçoamento figurinista (2013-2014). Integrou equipe de produção artística do Centro de Estudos e Pesquisas Ciranda da Arte/Seduc (2012-2014), onde desenvolveu projetos de figurino para espetáculos da casa, bem como, implementou o Projeto de Reestruturação do Acervo de Figurinos e Adereços (2014); participou no Nepec - Núcleo de Estudo e Pesquisa em Economia Criativa (2014-2015), através do qual ministrou palestras sobre a temática ligada à atuação em design em eventos acadêmicos na Faculdade Cambury (2015). Participou da seleção para o reality "Como manda o figurino" representando Goiás, Rede Globo- Fantástico (2014). Premiada por melhor figurino e maquiagem do espetáculo “Cora Coralinha” - Cia. Sala 3, no FIT 2016. Fundou o projeto de economia criativa BTF&A - Banco de Talentos de Figurinistas e Aderecistas de Goiânia e Região (2014) pelo qual realiza e mantém ações ligadas ao rastreamento e cadastramento de profissionais, bem como fornece consultoria e formação técnica nessa área do vestuário dentre palestras, oficinas e cursos. Quer conhecer mais dos trabalhos de caracterização da Caroline? Acesse seus canais: Instagram, Facebook e Flikr

> Em sua opinião, o que é cultura?

Tudo isso que vem embutido e é construído diariamente nesta memória de ser. Seja como forma de expressão, na tradição de um ofício, de um valor ou alimentação. Tudo isso que faz parte do nosso cotidiano e nem prestamos atenção. 

> Você se considera um difusor cultural?

Sim, me considero!

> Qual é o seu papel neste vasto campo da transformação mental, intelectual e filosófica?

Dividir meu conhecimento e conectar pessoas. É o que mais gosto de fazer. Creio que a cultura só vai prosperar e se expandir como consumo se cada um da área fizer um pouco disso para além do seu círculo social, de maneira ampla. 

> Como você descreve o processo de aculturação, ao longo da formação da sociedade brasileira?

Consigo ver o reflexo da supra valorização do que vem de fora, seja da cidade ou do país, como herança desse processo e que até hoje persiste. Em questão de prestígio quanto ao que é produzido culturalmente na cidade isso fica evidente para mim, muitas vezes, quando surpreendo quem me pergunta se tem teatro em Goiânia, e eu digo não só tem como acontecem espetáculos todos os dias, de domingo a domingo para todos os gostos e bolsos e, prédios teatrais vários pela cidade. E em nossa formação escolar, vejo uma precariedade quanto a inibir o indivíduo como formador de opinião e até mesmo de pensar possibilidades de carreira profissional que não seja como proletário, não somos formados para pensar como empreendedor. 

> A cultura liberta ou aprisiona os indivíduos?

Acredito que liberta. O que aprisiona são os discursos de quem você escolhe seguir. Mas eu mesma não tinha acesso a espetáculos, cinema estrangeiro, exposições... Então tudo soa meio estranho, esquisito, sem sentido até.

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"Conforme você vai degustando por si só alcança um senso crítico (que é diferente de gosto) e isso é libertador e empodera a razão sobre o que se passa ao seu redor". 

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> Que problemática você destaca na prática da difusão cultural?

O egoísmo que vejo ao não compartilharem eventos que não são seus. Vagas de trabalho que não vão ocupar. Até mesmo contar o material usado e onde comprar. O que é realizado é para o público, então que seja pública essa difusão das ações culturais como um todo. Plateias vazias me incomodam muito, principalmente em eventos gratuitos, acho um absurdo. Se não é divulgado a notícia não chega a quem precisa, daí não tem sentido mesmo. É um comércio sem comprador que vai à falência. 

> Comente sobre o espaço digital, destacando sua importância no cenário cultural brasileiro e mundial?

Acho que é ao mesmo tempo o remédio e o veneno. É incrível ter acesso fácil e gratuito a livros e conteúdos de estudo que antes, mesmo em uma biblioteca, eu não tinha. Mas o lado ruim é que com tanta informação tão rápida, e em grande quantidade, ninguém lê a postagem. Vejo as pessoas perguntando nos comentários informações que estão contidas na publicação, como por exemplo, qual o horário, o telefone... Daí você olha na imagem publicada e tá lá descrito bem grande (risos)! Fico pensando se com coisinhas bobas tipo essas as pessoas não prestam atenção, que dirá o que estão realmente guardando de informações mais sérias. 

> Qual mensagem você deixa para todos os fazedores culturais?

Compartilhem mais conhecimento e realizem. A cidade antes de ser do governo é minha, é sua é nossa. Vamos ser cidadãos e cuidar do que é nosso sendo agente de realização e não de reclamação.

Por Dhiogo José Caetano  –  dhiogocaetano@hotmail.com

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