(Foto: Divulgação)
“Quando falamos em cultura falamos em liberdade;
liberdade de expressão, de pensamento”
O 31º convidado na série de entrevistas “Opinando e Transformando” é Marc Souza. Uma oportunidade para os internautas conhecerem um pouco mais sobre os profissionais que, de alguma forma, vivem para a arte/cultura. Confira:
> Nome: Marc Souza
> Reside: Dracena, interior de São Paulo
> Breve currículo: Autor dos livros de crônicas “Casos, acasos e DEScasos - Várias variáveis de uma vida sem graça”, “Fatos, relatos e boatos”. É colunista do “Jornal Interativo” de Dracena.
> Em sua opinião, o que é cultura?
Cultura é o conjunto de costumes, tradições de um povo, de uma nação, de uma determinada região, inclusive a sua língua. No entanto, para mim a cultura também é um meio de se manter esses costumes, de perpetuá-los por gerações, através da arte. Seja escrita, desenhada, representada.
> Você se considera um difusor cultural?
A arte de um povo é a cultura em seu formato bruto (talvez a mais importante forma de cultura), porque é através dela que se transmite os conhecimentos de um povo, pois o artista através de sua sensibilidade retrata o meio em que vive num determinado momento da história.
> Qual é o seu papel neste vasto campo da transformação mental, intelectual e filosófica?
Meu papel como difusor cultural é o de retratar por meio de minhas crônicas (semanais no “Jornal Interativo” ou nos meus livros) o momento em que vivemos, seja político, seja comportamental, de forma que todos analisem o dia a dia e tomem suas próprias conclusões acerca do meio em que vivem. Seja na cidade, no estado, no país e até no mundo.
> A cultura liberta ou aprisiona os indivíduos?
Quando falamos em cultura falamos em liberdade. Liberdade de expressão, liberdade de pensamento. Liberdade no jeito de falar e de viver, pois, quanto mais bagagem intelectual, mais consciente o ser humano fica. Consciente da sua vida e das suas limitações, consciente do meio em que vive e da sua real importância para a sociedade. Para a comunidade em que vive. A partir daí ele começa a tomar decisões mais sensatas e baseadas no bem comum. A pessoa “culta” analisa todas as situações nas suas mais diferentes formas e forma o seu caráter. A pessoa culta não se deixa ludibriar por meras palavras jogadas ao vento, ele questiona, ele pensa, ele sugere, ele analisa o que está vivendo, não se deixa levar por meras palavras bonitas, sem qualquer nexo ou qualquer explicação plausível. Ele não se deixa enganar.
> Que problemática você destaca na prática da difusão cultural?
Infelizmente a difusão cultural é muito difícil no país, pois não há apoio, e o que é pior, não há interesse por parte da maioria da sociedade que considera a cultura, seja em qualquer tipo de expressão, algo supérfluo. Esquecem-se que a cultura de uma região ou estado ou até mesmo do país está até no tipo de alimentação. Pratos típicos de uma determinada região fazem parte de sua cultura. A sua língua (falada) e seus tipos regionais (gíria) também fazem parte da cultura. Mas infelizmente a sociedade e principalmente o estado deixam a cultura sempre em segundo plano. Não dão a devida importância, se esquecem que, calando os divulgadores culturais, as tradições dos povos (suas danças, comidas, gírias, músicas), das regiões podem desaparecer para sempre.
> Comente sobre o espaço digital, destacando sua importância no cenário cultural brasileiro e mundial?
A era digital está contribuindo, e muito, para a perpetuação de algumas tradições e até ajudando no estudo, trazendo à tona costumes esquecidos. A divulgação das diversas formas de arte através da internet está deixando um registro histórico e fiel, principalmente, acerca da maneira em que vivemos hoje em dia e que poderá, no futuro, ser de suma importância para a análise do nosso comportamento e principalmente das mudanças comportamentais da nossa geração perante as gerações anteriores, e, claro, quanto as próximas gerações.
> Qual mensagem você deixa para todos os fazedores culturais?
Espero que todos os agentes culturais do país não desistam nunca desta nobre missão. Porque é uma missão, nobre, linda, maravilhosa. Pois sem os agentes, que por muitas vezes, ou melhor, na maioria das vezes, realizam o seu trabalho por amor. Realizam o trabalho de graça, quando não tiram o dinheiro do bolso para realizá-lo. A cultura de um povo tende a desaparecer. Desaparecendo também a sua identidade. Perdendo para sempre o que lhe é mais sagrado, que é a sua individualidade, a sua exclusividade.
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