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Conflitos Sociais

Dhiogo José Caetano

dhiogocaetano@hotmail.com

Opinando e Transformando

Rafael Mallagutti é o 79º entrevistado na série sobre cultura

Objetivo é formar um mosaico com o que cada um pensa desse universo multifacetado

Pelo Brasil  –  19/05/2020 22:51

Rafael Mallagutti 23 
 

(Foto: Divulgação) 

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“Temos a obrigação de, através da cultura e da arte, ilustrar os caminhos e mostrar as vertentes humanas do respeito, da igualdade e da fraternidade que nos une” 

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Rafael Mallagutti é o 79º convidado na série de entrevistas “Opinando e Transformando”. Uma oportunidade para os internautas conhecerem um pouco mais sobre os profissionais que, de alguma forma, vivem para a arte/cultura.  

> Nome: Rafael Mallagutti
> Breve biografia:
 Rafael Mallagutti (@rafaelmallagutti), ator/cantor paulistano e multiartista; atuando no circuito cultural também como diretor, roteirista, dramaturgo e ilustrador. Atualmente dirige a Cia. London (@cialondon); premiada companhia teatral paulistana, onde tem suas traduções e textos em cartaz. Formado em Letras/ Linguística na USP e Artes Cênicas pelo Senac São Paulo; pós graduando em História do Brasil e Ilustração; autor de dois romances publicados e mais de 20 espetáculos, dentre eles, “Manjar dos Deuses”, em cartaz há dez anos na cidade de São Paulo. Seus trabalhos já foram indicados, dentre outros, ao Prêmio Belas Artes de Teatro e à nomeação internacional de Jovem Diretor de Shakespeare na Inglaterra. Atualmente desenvolve dentre outros projetos, escrita de um livro dramático com roteiros para teatro, intitulado “Tragédias Brasileiras”.

Confira a entrevista com Rafael Mallagutti

> Em sua opinião, o que é cultura de paz?

Agir com o diálogo, racionalidade e principalmente humanidade. A cultura engloba muitas vertentes das características de um povo. Atuar diretamente na mostra das causas que gerem os conflitos é nossa principal função como artistas e, portanto, criadores de opinião.

> Como podemos difundir de forma coerente a paz neste vasto campo de transformação mental, intelectual e filosófica?

A paz e o amor são nomes para o mesmo sentimento, por vezes distorcido. Todos os seres que abrigam nosso planeta têm funções básicas intrínsecas à existência: a sobrevivência e a reprodução. Seria muito pequeno e sem propriedade dizer que outros seres que têm vida não têm consciência. Não acredito nisso como muitos afirmam. O que acredito, porém, é que o ser humano tem algo a mais em sua conexão consciente; a habilidade divina de racionalizar e enxergar a consequência de seus atos. Portanto, não nos basta sobreviver e reproduzir. Isso é muito pequeno perto da vastidão das mudanças que podemos gerar com nossos atos. Para nós também cabe a evolução. E evoluir é cuidar com amor e, portanto, com paz e reflexão, em caminho ao bem comum. Só nós podemos fazer isso. E, se fizermos, todos poderão cumprir livremente suas vidas e destinos; a função plena e insubstituível do vegetal em ser vegetal, do animal em ser animal e do ser humano em ser humano.

> Como você descreve a cultura de paz e sua influência ao longo da formação da sociedade brasileira/humanidade?

O entendimento do homem como uma espécie única e o respeito mútuo está atrás da maioria das problemáticas humanas desde a origem dos tempos. Guerras se travaram por isso, impérios caíram, povos foram dizimados.
O Brasil, país até hoje chamado pelo nome de um de seus itens de exploração, mostra inegavelmente ao longo de sua história o caráter de uma terra de muitos sofrimentos e tristezas. Fomos o último dos países a abolir a escravatura e ainda assim toda a história relativa a ela é suavizada. A falta de educação do povo escancara discussões, questionamentos e absurdos simplesmente por falta de conhecimento ou de reflexão dentro de um cenário político, que em geral tende a ser sinistro e opressor; com breves respiros de tempos em tempos.
Por isso como uma comunidade global (aqui isento a responsabilidade cultural de algo tão regional), temos a obrigação de, através da cultura e da arte, ilustrar os caminhos e mostrar as vertentes humanas do respeito, da igualdade e da fraternidade que nos une.  

> A cultura e a educação libertam ou aprisionam os indivíduos?

Certamente libertam. A castração intelectual ou o direcionamento sem reflexão própria só leva o homem ao autoritarismo e à involução.

> Comente sobre o espaço digital, destacando sua importância na difusão do despertar da humanidade.

O universo é mental. Assim diria a primeira lei de Hermes Trismegisto, grande filósofo egípcio anterior a muitos dogmas e criações atuais. Não se cria uma cadeira sem antes pensar em como fazê-la. O que quero pontuar é que, no plano das ideias, já há muito tempo existem as tecnologias que nos fariam conectar uns aos outros. Para um homem do passado, nossa tecnologia digital seria simplesmente algum tipo de magia poderosíssima plausível apenas em seus pensamentos mais malucos. Assim como um dia foi a roda, a imprensa, a luz elétrica; materializações de desejos humanos há muito presentes no plano mental. Hoje ainda o teletransporte nos parece impossível; loucura. Mas ele existe em nossos desejos. Em breve pode ser que os homens do futuro descubram uma maneira de fazê-lo.
No último século nossa tecnologia evoluiu mais do que em milênios. Isso é bom e ruim. Assim como tudo. Até porque não adianta a máquina evoluir e o homem não. A tecnologia pode nos trazer milhares de benefícios e malefícios. Assim como um balde d´água pode salvar ou matar alguém. Tudo tem caráter duplo e deve ser analisado de tal maneira.
A acessibilidade e os meios deveriam crescer juntamente à filosofia em seu sentido mais puro da palavra (philos + sofia = amor à sabedoria). Os homens do passado entendiam o saber e pensavam em evoluir e se tornar mais sábios simplesmente pelo bem que o conhecimento podia lhes trazer, não visando objetificar.
Hoje em dia se estuda, claro, mas o estudo é visto como um percalço; uma pedra no meio do caminho. Estudar para trabalhar e ganhar dinheiro. Se formar para ter um diploma; trocar ele por trabalho. Para ter. O certo seria estudar para ser. Ser alguma coisa. Evoluir. Amar o saber, entender onde ele te leva. E usar a tecnologia como um instrumento para isso.   

> Qual mensagem você deixa para a humanidade?

Pensar no outro. Verdadeiramente. Parece fácil falar da boca pra fora; para fazer bonito. Tente se colocar de verdade na pele de outra pessoa. Entender seu ponto de vista. Mesmo não gostando dela, das atitudes; de tudo. Pense que talvez você seja essa pessoa em algum momento, que você não está isento disso. Pense que em algum momento pode ser que todos nós sejamos a mesma coisa; ou parte desse todo. Você verá que tudo em seu pensamento muda drasticamente. 

> Clique e confira todas as entrevistas da série sobre Cultura "Opinando e Transformando"      

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Por Dhiogo José Caetano  –  dhiogocaetano@hotmail.com

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