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Conflitos Sociais

Dhiogo José Caetano

dhiogocaetano@hotmail.com

Reflexão

Eu sou a ancestralidade

A vida é pueril, imortal poema diante da mortalidade do poeta; viver é complexo, mas o existir é muito singular

Pelo mundo  –  16/02/2023 10:56

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(Foto Ilustrativa)

O nosso arquétipo saiu da caverna, entretanto, a essência continua presa nas profundezas daquele orifício, frio, escuro, mórbido  

 

O homem sempre tentou compreender a vida buscando codificar sua totalidade. Desde os primórdios, o desejo de encontrar respostas inquietou os indivíduos, seja no campo individual ou coletivo. A angústia nos retirou da caverna, colocando-nos frente a frente com os conflitos, o que resultou na superação, sobrevivência e evolução. 

A humanidade nunca mais foi a mesma, tudo se fez diferente. A revolução transcendeu as consciências, do primitivo, deu-se o salto quântico rumo à civilização, ao progresso, à modernização. A luz ganhou força no vasto horizonte.

Avançamos intelectualmente, porém, nos vemos aniquilados moralmente. Tornamo-nos meros apêndices das máquinas e tecnologias, ferramentas do mundo moderno. A angústia ainda nos apavora, temos medo do amanhã, do possível futuro que está por vir. 

Plantamos dor em prol do poder, ganância e fama... Construímos um tempo egoísta, competitivo, voraz, desumano... Matamos o semelhante sem pensar na responsabilidade do ato e consequência que a atitude vil pode causar à atmosfera que nos circunda. 

A nossa civilização está falida. Tudo se perdeu, não sabemos onde estamos. A torpeza das nossas práticas tem nos conduzido à morte. Uma morte que trespassa o físico, deixando marcas profundas na alma. Triste realidade, profunda desilusão, falta a reflexão. A efemeridade compõe nossa verdade. Somos frutos de verdade a ser repensada. 

Queremos demais, fazemos muito pouco diante das possibilidades ofertadas. A vida oferece múltiplas probabilidades, contudo, optamos por conveniências do momento quando o umbigo é sempre favorecido. Esquecemos de fazer parte da criação e que tudo é célula, a vida se fez a partir de divisões celulares. Somos unos! Se uma pessoa não está bem, todos os seres estarão comprometidos. Não existe unicidade no contexto evolutivo, a evolução se deu através da multiplicidade, da divisão de um núcleo de vida em infinitos mundos. 

A depressão que nos consome é fruto do medo que não identificamos dentro de nós. Existe um Universo a ser descoberto. Ao longo da evolução desbravamos diversos mares, terras, até o espaço sideral, todavia, não desvendamos os segredos do nosso complexo mundo interior. Cada um deve mergulhar em si, buscar réplicas às inúmeras questões lançadas.  

Ser e estar devem se fundir no ato do existir. Infelizmente vivenciamos o ter, esquecemo-nos de ser, entender que estamos e que, em questão de milésimos de segundos, deixamos de estar. A vida é pueril, imortal poema diante da mortalidade do poeta. Viver é complexo, mas o existir é muito singular. O que seria a existência em comparação aos fluxos do tempo, não seria, é a própria evolução das espécies. 

Sim! O nosso arquétipo saiu da caverna, entretanto, a essência continua presa nas profundezas daquele orifício, frio, escuro, mórbido. Por que negamos nossa origem? Onde está o ser, quem é ele?

Ainda não é o fim! Tudo inicia com o despertar da consciência. Os seres estão sentindo a aceleração, o fluxo coerente do tempo, precisamos acompanhar o que o tempo urge. É chegada a hora limite. 

Nós compreenderemos a angústia milenar que acelerou o nosso DNA. Tudo virá à tona, as perguntas encontrarão respostas dentro de nós. Reescreveremos a nossa história, a coletividade individual dos processos que nos fizeram chegar até aqui. 

 

Por Dhiogo José Caetano  –  dhiogocaetano@hotmail.com

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