(Foto Ilustrativa/Lide)
Métricas, configurações, sorrisos e impressões
"Femme à I´ombrelle tournée vers la droite" (Monet Claude)
Um excursionismo em uma tarde ensolarada.
Sinto-me confortável.
Um vento canta aos meus ouvidos.
Estou acautelada, submergida por uma serenata gregoriana.
Sou esplêndida, virgem, uma sentinela.
Deixo-me desvirtuar pela onda de paz.
Optei agrilhoar a vida.
O meu corpo absorve a energia do astro rei.
Sou conduzida por entre as flores.
Sou amada por inteira.
"Portrait de I´artiste" (Van Gogh Vincent)
Um varão viril.
Uma circunscrição marcante em tela.
Olhar intenso.
A definição de um amigo.
Um cultivador das paragens floridas.
Um sujeito com ascendência caipira.
A tua pupila desvenda um mundo complexo.
A experiência é acoimada na tua fisionomia.
Não me lembro desse forasteiro.
Um senhor prosaico.
Lidador que bravamente, movimenta a roda motriz do universo.
"Coquelicots" (Monet Claude)
O paradoxo da vida pacata.
A dualidade campo versus cidade.
A exaltação da vida caipira.
A relva que nutre as manhãs.
As flores que inspiram os trovadores.
Entre os dedos, os pincéis que dão vida a legendária arte expressiva.
A métrica da leveza, narra com presteza, o contexto.
O dilatado horizonte é imortalizado.
O colóquio feminino é codificado.
Os famosos chás das tardes ensolaradas.
A complexidade da afinidade entre mãe e filho é desvendada.
Eis, uma sociedade guiada por uma matriarca.
"Bal du moulin de la Galette" (Auguste Renoir)
Aquela multidão.
Púberes, marmanjos, curumins e ancestrais.
Uma sociedade em oscilação.
O fluxo durável das ideias.
O intercâmbio social.
O aconchego da vida urbana.
A trégua das hierarquias sociais.
O romance no ar.
A donzela que se coloca a coreografar.
Um acionador caracterizado pela dualidade.
Uma ponderação imortalizada em tela.
"L´église d’Auvers-sur-Oise" (Van Gogh Vincent)
Um castelo.
Um edifício majestoso.
Uma casa de genealogia.
Uma catedral.
Um arcabouço abstruso.
Ponto de encontro.
Quantos festejos ali realizados.
A oficialização de acordos.
Os diálogos intensos entre as paredes sustêm o mitológico mausoléu.
Quantas lembranças.
Períodos que fico a refutar.
Quanta saudade da dona Firmina.
Que discursava nas alvoradas.
Deixando suas pegadas nas alamedas que cortavam a suntuosa edificação.
"Le bassin aux nymphéas, harmonie verte" (Monet Claude)
Inspirando em grandes inspirações.
O romantismo a promulgar.
Uma sutileza esmagadora.
O furor da natureza.
A vinculação com o todo.
Um episódio singular.
Em reverso a confabulação de uma arte além da arte.
O amor abrolha como flores bestiais.
Uma profundeza regida pela vitória.
Percepções que contagiam.
Uma representação de eriça.
"Le cirque" (Georges Seurat)
Alacridade inabalável.
A vernaculidade no olhar.
A nostalgia da tenra meninice.
A magia do picadeiro.
Um espaço de fantasias e alegorias.
Uma brincadeira que contagia.
Animais e homens promovem o influxo das artes.
Não sei como apregoar.
Na reminiscência permaneço a raciocinar.
Onde está Espalha Riso e Chico?
Os alvitres transportam-me para aquele recinto.
Uma atmosfera surreal.
Métricas, configurações, sorrisos e impressões.
"Jeune paysanne à la baguette, assine" (Camille Pissarro)
Aquela guria.
Uma púbere desconhecida.
Não era uma ingênua garotinha.
Uma arte que genuinamente transpira a candura advertida em teu semblante.
Em tela a exclamação de uma intensa admiração.
Donzela do campo.
Uma donzela que encanta.
Perfilha do capataz.
A criança que se tornou mulher, perante os meus olhos.
Fazendo germinar em mim, o amor, que em poesia não é possível narrar.
"M´O" (Musée d´Orsay)
Mansão das artes.
Sou conduzido por entre as flores.
Uma circunscrição em tela.
Sou inspirado pelas artes.
Sou parte da arte.
Sou a arte!
O amplo horizonte é imortalizado.
Aquela multidão faz de mim microrrecortes da ultravida.
Um arcabouço abstruso.
Em reverso a confabulação de uma arte além da arte.
Os alvitres transportam-me para aquele recinto.
Fazendo germinar em mim, o amor, que em poesia não é possível narrar.
Impressões, confabulações, narratividade...
Torno-me um monumento do vasto Musée d’Orsay.

