(Foto Ilustrativa/O Sabor do Viver)
Água de coco somente da fruta e deve estar
levemente turva, quando turva demais não beba
Carlos Eduardo Prado Costa
Tive a oportunidade de trabalhar neste verão de 2013/14 em duas cidades do litoral catarinense: São Francisco do Sul e Bombinhas. O que eu observei ter ocorrido nessas duas belas cidades catarinenses também aconteceu em todo litoral do Brasil, neste tórrido verão. Diarreia e vômito foram os sintomas que vingaram e estão vingando nesta temporada. Juntas ou isoladas, associadas ou não com dor abdominal e com febre de 38.5 a 39 graus, por um ou dois dias, fazem parte da gastrenterite (inflamação ou infecção ou as duas juntas do estômago e intestino).
Em um só dia, das 7h à meia-noite, em Bombinhas, dos 336 atendimentos na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), contabilizamos 316 casos de diarreia e vômito. Descuido das autoridades sanitárias? Não! Raras foram as vezes que observei tanto empenho de secretarias de Saúde, como as de Bombinhas e São Francisco do Sul, em tentar dar o melhor atendimento e procurar entender o que estava ocorrendo. É um relato do que presenciei, não posso falar de outros municípios porque não estava presente.
Adultos e crianças sofreram desse mal. Porém, a grande maioria dos casos se deu com turistas e raros nativos (pessoas que são naturais da cidade ou regiões circunjacentes, ou que moram na localidade há anos). Talvez o que falta é divulgar os cuidados com alimentação, higiene e cuidados em especial com a água e exposição ao sol. A gastroenterite pode ocorrer somente com períodos de diarreia e vômitos e então os sintomas finalizam em até três dias. Porém, esses sintomas podem ser tão intensos que podem ocorrer desidratação e necessidade de internação. Os cuidados têm que ser redobrados com as crianças.
As diarreias agudas podem persistir por três semanas, e são geralmente causadas por agentes infecciosos, por toxinas bacterianas ingeridas por toxinas pré-formadas nos alimentos ou produzidas no intestino. Quando ocorrer episódios em uma família, isso sugere um agente infeccioso. A ingestão recente de alimento guardada de forma inapropriada ou preparada sem se observar cuidados com a manipulação vai causar diarreia de causa infecciosa, normalmente bacteriana.
No verão, milhares de pessoas vão para o litoral, e quanto mais calor e sol, com céu azul e sem nuvens, melhor. O banho de mar é gostoso num dia ensolarado, mas, devido à quantidade muito grande de banhistas essa água fica mais contaminada e pode causar diarreia ou gastroenterite. Cuidado com acampamentos e banho em água parada. Água de poço em tempos pretéritos, onde a população era menor e o lençol freático mais puro, essa água era de melhor qualidade. Hoje a água de cisternas e poços artesianos deve ser analisada para ver se está contaminada com coliformes fecais. Além disso, verificar a quantidade de enxofre existente, principalmente em locais onde exista mangue.
O uso de antibiótico recente também pode causar diarreia, porque, além de combater a bactéria para a qual foi à indicação, também pode destruir a flora intestinal, causando diarreia. As gastroenterites deste verão têm a característica de não ser de caráter inflamatório, pois a maioria (90 %) tem cedido com cinco dias de hidratação oral. Na gastroenterite não inflamatória, se observar diarreia aquosa não sanguinolenta associada com cólicas periumbilicais, meteorismo, náuseas e vômitos que podem ser mais persistentes, sugere irritação do intestino por toxinas bacterianas, virais e por Giárdia. O tratamento das gastroenterites é basicamente hidratação oral com soro oral, caseiro ou com bebidas isotônicas. É preciso evitar bebidas à base de cafeína e contenham derivados do leite (lactose), e alimentos crus, até que haja melhora dos sintomas.
Para evitar a gastroenterite, é necessário que as pessoas entendam e compreendam que:
# Higiene é fundamental e começa no lavar as mãos com água corrente e sabão.
# Carregue consigo um frasquinho de álcool em gel para as mãos para quando em lugares sem água possa utilizar nas mãos e deixar enxugar sem passar lenço ou papel toalha.
# Cuidado com os peixes e frutos do mar sempre frescos, observar odor de mar, a pele deve estar brilhante, jamais enrugada e a calda não pode estar seca. Guelras rosadas ou vermelho vivo, olhos brilhantes.
# Os camarões são mais difíceis de notar diferença, na dúvida comprar descascado e que já esteja embalado. Se comprar com casca observar se a cabeça está no lugar, e pegue para ver se a casca está firme. Camarão que já foi congelado e descongelado a cabeça fica mole e facilmente se desprende. Só existem dois tipos de camarão (cinza e rosa), qualquer outra cor não compre.
# Mariscos frescos só se vivos e na casca, e para saber se estão vivos basta tocar levemente que fecham. É melhor comprar embalados e congelados em peixarias com balcões refrigerados e em redes de supermercados.
# Sempre dê preferências para frutas da estação, porque são colhidas e levadas para a comercialização. Sempre lave bem as frutas com cascas antes de comer. Dê preferência para consumo de fruta natural, não em caixas.
# Suco industrializado preferencialmente em garrafas.
# Muita água, mineral e fresca ou gelada. Leve no isopor ou caixa térmica além da cerveja, água muita água e se ficar muito tempo na praia e exposto ao sol mesmo embaixo de guarda sol, deve tomar bons goles de 20 em 20 minutos.
# Tome sua cerveja bem gelada, mas lembre a partir do momento que começar a ir várias vezes ao banheiro, pare e tome no mínimo uma garrafinha de 500 ml de água mineral.
# Água de coco somente da fruta e deve estar levemente turva, quando turva demais não beba, o teor de gordura está alto e pode acarretar diarreia.
# Churros, pastéis e crepes não devem fazer parte da dieta de praia, principalmente para crianças e idosos. Também evite cachorro-quente, neste calor a salsichas rapidamente se deteriora.
# No restaurante peça sempre carnes e peixes grelhados, evite peixe com molho branco ou rose. Evite também maionese e patês e sempre busque a qualidade e higiene do estabelecimento onde você e sua família irão comer.
# Por último, cuidado com comidas de ambulantes na praia, principalmente queijo assado e espetinhos de peixe ou camarão. Vamos fazer deste resto de verão um verão azul e não marrom.
> Carlos Eduardo Prado Costa (CRM/SC 7222) é médico integrante da Sociedade Internacional de Medicina Sexual e da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, é palestrante e realiza mensalmente conferências em todo o Brasil, especialmente sobre a saúde do homem, é autor do Programa Ictus Homem. Dúvidas ou mais informações: pradocosta12@hotmail.com
