(Foto Ilustrativa)
É importante destacar que a hipnose é para
todos, mas nem todo mundo é para hipnose
Publicada: 25/08/2016 (12:57:23)
Atualizada: 09/09/2016 (21:56:22)
Em primeiro lugar, espero que este meu pequeno contributo possa despertar o interesse pela técnica da hipnose, a qual utilizo dentro no meu trabalho como psicóloga e em seguida desmistificar a utilização desta técnica fantástica que, por conta do vínculo com práticas religiosas, ilusionismo e magia, muitos mitos foram criados, mas, devido ao grande número de estudos e pesquisas sobre o assunto, podemos verificar sua importância dentro da psicoterapia.
Bem, já que citei que a hipnose acontece dentro do processo da psicoterapia, acredito ser importante esclarecer os motivos pelos quais as pessoas procuram a psicoterapia, mas antes de pontuar as principais indicações, posso afirmar que a demanda que mais cresce no consultório é o autoconhecimento, com o objetivo de alcançar especialmente o autocontrole e o autodesenvolvimento. Este fato se dá por conta dos tempos árduos que vivemos, plenos de incertezas e angústias, as pessoas se sentem “perdidas” e por isso penso que é de extrema importância conhecer um pouco mais de nós e qual o nosso papel no contexto pessoal, familiar e social.
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Podemos dizer que a psicoterapia e a hipnoterapia, além de tratar questões psicopatológicos como depressão, ansiedade, síndrome do pânico etc., proporcionam, também, o crescimento e o desenvolvimento pessoal.
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Como resultado desse processo temos um conhecimento maior sobre nós mesmos, de nossos pensamentos e emoções. Fato pouco frequente no mundo de hoje, e isso pode até parecer um paradoxo, as pessoas sabem pouco sobre a pessoa mais importante da vida delas, ou seja, conhecem muito pouco sobre si e sobre o seu potencial. Há pessoas que se sentem um estranho dentro do próprio corpo, não conhecem o seu verdadeiro potencial, que é responsável por nos guiar nos momentos de nossas escolhas e o que nos dá o verdadeiro significado à nossa existência e, por conta deste cenário, vemos que cresce, a cada dia, o índice de depressão, ansiedade, síndrome do intestino irritável, dentre outras patologias que paralisam as pessoas e as distanciam dos seus projetos e de seus objetivos de vida.
Quem já fez psicoterapia sabe que o psicólogo utiliza várias ferramentas para alcançar o entendimento e a “cura”, no sentido de mudança. A hipnose é uma excelente ferramenta para baixar o senso crítico e possibilitar que nosso cérebro faça novos entendimentos, ajustamentos ou a reelaboração necessária para a efetiva mudança, levando-nos, assim, a perceber a vida de forma mais positiva. E com tudo isso a pessoa se sente mais equilibrada, expressa sentimentos e comportamentos mais saudáveis e harmoniosos, mesmo diante das dificuldades da vida.
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Com uma boa estrutura psíquica qualquer ser humano é capaz de enfrentar os desafios que nos deparamos no cotidiano, mesmo os mais difíceis, sem sofrimentos, ou sofrendo apenas o necessário. E a hipnose é uma excelente ferramenta que nos possibilita chegar a esse resultado de forma rápida, eficaz e segura, ampliando nossa percepção e nosso potencial.
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Falando um pouco mais sobre o que é hipnose podemos encontrar várias definições, como por exemplo, estado alterado de consciência, estado de concentração intensa, mas eu prefiro ficar com o conceito da autora e hipnóloga Inês Marcel, que diz que hipnose é uma maneira de você aprender mais sobre você mesmo, pois acessará a sua mente inconsciente e então terá acesso a um nível diferente de sentir, onde as emoções acontecem.
O significado de hipnose vem do grego hipnos = sono + latim osis = ação ou processo. Esse nome foi dado pelo médico e pesquisador britânico James Braid (1795-1860), que o introduziu, pois acreditou tratar-se de uma espécie de sono induzido, Hipnos era também o nome do deus grego do sono. Diante de tantos estudos e pesquisas sobre a hipnose podemos dizer que hipnose não é sono, pois foram constatados reflexos neurológicos durante o transe, que não são encontrados na pessoa durante o sono fisiológico.
A hipnose nos permite crescimento, desenvolvimento e recuperação. Durante todo processo o paciente também aprende a auto-hipnose, ou seja, realizar consigo mesmo a técnica para enfrentar todas as circunstâncias que a vida oferece, como diz o adágio: “Se alguém tem fome não lhe dês um peixe, mas ensina-o a pescar…” A auto-hipnose ensina-nos a pescar nas águas turbulentas, em que muitas vezes se transformou a nossa vida.
Gosto de dizer que nossos cérebros foram evoluindo, permitindo que nós entrássemos em transe de forma biológica. Ou seja, a hipnose é um estado da mente que todos nós experimentamos naturalmente, ao longo do dia, por exemplo, ao conduzir um carro, você pode não se lembrar que está conduzindo e nem dá por conta o trajeto que irá passar até chegar ao destino. Isso acontece porque entrou num processo automático, quer dizer, entrou em estado Alpha, vulgo hipnose. O estado hipnótico natural também acontece quando está enamorado, lê um bom livro, vê um filme interessante ou em qualquer outra atividade rotineira, onde todas as outras coisas parecem ter sido “bloqueadas”. Em qualquer circunstância onde seja necessária uma grande concentração, automaticamente, a mente se transfere para um estado hipnótico natural, pois somos geneticamente concebidos a entrar em processos biológicos e naturais de transe.
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Em hipnose descobrimos que o normal é estarmos tranquilos, equilibrados e serenos, olhando para as dificuldades como oportunidades de crescimento e que devemos despertar para as experiências da vida com um respeito e um significado mais profundo.
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Então, posso concluir dizendo que mais importante do que hipnotizar é nos tirar do transe que as crenças limitantes nos aprisionam, aquelas que foram adquiridas diante de alguma circunstância da vida e que nos impede de seguir em frente, de acharmos a solução adequada, enfim, de sermos felizes e completos diante da vida.
É importante destacar que a hipnose é para todos, mas nem todo mundo é para hipnose, o que quero dizer, como psicóloga, que sempre respeito e conduzo a psicoterapia segundo os princípios da Gestalt e os sintomas apresentados pelo paciente e, acima de tudo, sua vontade, resumindo, todas as ferramentas que utilizo são escolhidas de acordo com cada caso e com a participação do paciente, nada é realizado contra sua vontade.
Existe ainda muito a fazer para divulgar esta abordagem terapêutica absolutamente fantástica, para que mais pessoas possam recorrer a ela. Termino, não sem antes deixar uma reflexão sobre a possibilidade do uso da hipnoterapia e a diferença que essa ferramenta pode agregar na psicoterapia, onde, juntas nos permite a cura dos males das sociedades modernas.
