(Foto Ilustrativa)
Adequado controle da cefaleia também pode
evitar o surgimento de outras doenças
Quem nunca teve uma dor de cabeça? De tão comum, esse tipo de dor muitas vezes não é devidamente tratada. É normal uma pessoa com dor de cabeça optar pela automedicação e prosseguir com suas atividades diárias sem buscar um tratamento adequado. Mas especialistas do mundo inteiro, inclusive no Brasil, têm se esforçado cada vez mais para demonstrar que a dor de cabeça não deve ser encarada como parte da rotina e o tratamento correto melhorará muito a qualidade de vida e produtividade de quem sofre com o problema.
- Os números são altos e não podem ser ignorados, pois 46% da população tem dor de cabeça ocasional, 42% sofrem dor de cabeça do tipo tensional, 11% a 15%, de enxaqueca e 2% a 3%, de enxaqueca crônica. Atualmente, temos insistido muito para que se procure um especialista e se faça um tratamento adequado que poderá minimizar muito os danos para o paciente, que retomará sua vida com qualidade. O adequado controle da cefaleia também pode evitar a longo prazo o surgimento de outras doenças como depressão, ansiedade e em casos extremos doenças cardiovasculares - explica Élcio Piovesan, neurologista e integrante da Sociedade Brasileira e Internacional de Cefaleia.
Quadro preocupante
Os médicos têm razões para se preocuparem. Um estudo publicado pelo "Atlas of Headache Disorders", da OMS (Organização Mundial da Saúde), mostrou que 50% das pessoas com dor de cabeça praticam a automedicação sem ter tido nenhum contato com um profissional da saúde.
- Muitas pessoas pensam somente naquele momento em que têm algum compromisso e precisam dar um fim àquela dor, mas desconhecem que a automedicação pode fazer com que o problema se torne crônico, ou seja, poderá levá-las a ter cada vez mais crises de dor, com possíveis aumentos na intensidade também - define Piovesan.
O uso de BOTOX®
Existem mais de 150 tipos diferentes de dor de cabeça. Por isso, é fundamental que um neurologista faça o diagnóstico certo para que o tratamento indicado seja o mais eficaz possível. Por exemplo, no caso da migrânea crônica ou enxaqueca crônica - aquela que ocorre em crises de no mínimo de 15 dias de dor de cabeça por mês, com duração de mais de quatro horas por dia, por mais de três meses -, além do uso dos medicamentos de praxe, os pacientes podem contar com um avanço: o uso de BOTOX® (toxina botulínica tipo A), marca registrada da empresa Allergan, para o tratamento desses casos.
- Estamos otimistas em relação à terapia com o BOTOX®, já que tem se mostrado bem positiva com a diminuição do número de dias e horas de dor e a necessidade do uso de diversos medicamentos orais, que não há como negar que provocavam um impacto econômico e efeitos colaterais consideráveis aos pacientes - diz o neurologista.
O tratamento com BOTOX® somente para enxaqueca crônica foi aprovado no Brasil pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e não deve ser indicado para outros tipos de dores de cabeça, porque ainda não existem estudos conclusivos sobre a sua eficácia para as distintas características que englobam cada caso.
Dois grandes grupos
Segundo Élcio Piovesan, também é importante destacar que os médicos dividem as dores de cabeça em dois grandes grupos: dores de cabeça primárias e dores de cabeça secundárias.
- No caso das primárias, a dor de cabeça é a própria doença e isto ocorre na enxaqueca e na cefaleia do tipo tensional. No caso das secundárias, a dor de cabeça é um sinal de outra doença que está chegando para atingir o paciente, por exemplo, dor de cabeça secundária a uma sinusite, secundária a um tumor cerebral, a um problema visual, a um problema nos dentes. O médico deverá num primeiro momento diferenciar o que é uma dor de cabeça primária de uma dor de cabeça secundária. No caso da enxaqueca, ela é uma dor de cabeça primária, ou seja, ela é o sintoma e a própria doença. Não sabemos ainda sua origem, mas já sabemos como controlá-la.
