
(Fotos: Divulgação)
Elenco fraco: Se eles são bons atores, a direção não está conseguindo explorar isso
Um fã da nossa coluna pediu por e-mail que eu comentasse sobre produções nacionais. Já falei aqui de "Contos do Edgar", da Fox, que começa a exibir novos episódios na semana que vem e, pelo que já vi, vem coisa boa por aí. Então, escolhi "Vida de estagiário", que, apesar de não ser inédita, é mais uma série brasileira que entrou na grade do Warner Channel, para cumprir a exigência de conteúdo nacional na programação dos canais pagos, que têm que exibir três horas e meia de produção nacional por semana.
Apesar de não ser uma grande produção - aliás, é abaixo da média - pelo menos alivia um pouco a repetição pra lá de cansativa de alguns filmes brasileiros, não só na Warner, mas também nos outros canais, às vezes até no mesmo horário e no mesmo mês. Eu, pessoalmente, não entendo essa repetição, pelo fato de que temos muitos filmes bons que não entram em exibição, sabe-se lá porque. O que é lamentável.
Uma comédia de humor absurdo
“Vida de estagiário” já foi exibida pela TV Brasil em 2011. A série foi uma das vencedoras de um concurso público promovido pelo Ministério da Cultura, em 2008. Várias produtoras apresentaram projetos com "uma visão original sobre a juventude brasileira das classes C, D e E". Foram recebidas 225 ideias de seriados, e foram escolhidas três para produção, com 13 episódios cada. "Vida de estagiário" é a única série de humor entre as três. Baseado nas tiras de Allan Sieber, o seriado é uma comédia de humor absurdo (duvidoso), que se passa numa agência de publicidade. O objetivo, segundo o roteirista e diretor Vitor Brandt, é refletir, com tiradas ácidas sobre uma condição muito comum no universo do jovem, afinal, todo mundo um dia já foi, é ou será um estagiário.
Além disso o mundo da publicidade tem uma infinidade de situações para se fazer humor escrachado. De acordo com os produtores, alguns seriados estrangeiros são uma grande referência para a série, como "The office", "The flight of the conchords", "Arrested development" e "IT crowd". Até aí tudo bem. Mas tirar as ideias da teoria, de exemplos de grandes sucessos internacionais e das tirinhas de Sieber, e fazer acontecer, é outra conversa.
Para você entender
Antes de chegar à telinha, a série foi publicada de 2000 a 2009 no caderno "Folhateen", da "Folha de S.Paulo", e também foi lançado um livro, em formato de álbum colorido, com originais de ilustrações, relatos de estagiários da vida real colhidos pelo autor Allan Sieber em seu blog, além de outras curiosidades muito engraçadas. Mas a adaptação para seriado ainda não se encontrou.

Antes de chegar à telinha, a série foi publicada de 2000 a 2009
no caderno "Folhateen", da "Folha de S.Paulo"
Pelo que vi de "Vida de estagiário", a série está aquém do que se viu no jornal e no livro. A produção é pobre e o roteiro é fraco, infelizmente. Com exceção do ator principal Thomas Huszar, que encarna o estagiário Oséias com muita propriedade, o restante do elenco parece estar completamente fora do ar. Se são bons atores, a direção não está conseguindo explorar isso. E realmente dá pena do Oséias, o pobre estagiário, que não consegue segurar a onda sozinho.
Tentativa de mostrar o universo jovem
"Vida de estagiário" faz a tentativa de mostrar o universo jovem, acompanhando o dia a dia do estagiário Oséias, que precisa lidar com um salário baixo, funções desagradáveis e colegas estúpidos em uma agência de publicidade. O roteiro da série é assinado por Vítor Brandt (também diretor), Pedro Aguilera, Arthur Warren e Denis Nielsen (12 episódios), além do próprio Allan e Arnaldo Branco, que assinam o primeiro episódio.
Li muitas críticas favoráveis e não concordei com nenhuma. Mas acho super saudável a liberdade de opinião. Não gostei da série e acho que, se conseguir uma segunda temporada, será um milagre.
"Vida de estagiário" é exibida todas as quintas-feiras, às 19h, no Warner Channel.
> Clique & Confira: Warner Channel e as tirinhas.
