(Foto Ilustrativa)
A verdade: As editoras contam com equipes de profissionais, e um funcionário da área de direito autoral envia o contrato. O autor assina e encaminha para a editora. Simples e prático.
Não posso evitar me surpreender com as mentiras que as pessoas contam, eu sei, algumas são inofensivas. Mas eu fui educada para dizer a verdade e fico irritada quando escuto exageros, suposições ou mentiras descaradas.
Não é estranho escutar que um poeta “é o melhor do mundo”, isso para os amigos, logicamente. Não é raro ouvir comentário como “esse romancista é o melhor do Brasil”! Muitas vezes, o pobre romancista teve que arcar com os custos do próprio livro, porque nenhuma editora achou o livro bom o suficiente para editá-lo. Mas, há poucos dias, uma mentirola me irritou. O poeta é bom, tem amigos e é uma pessoa muito simpática, mas o elogio é exagerado, e só teria sentido nos lançamentos do Raphael Montes, autor de “Jantar Secreto”, que vendeu mais de 1.000.000 de exemplares. A entusiasta amiga dizia: “Muita gente no lançamento do livro de poesia, eu quase não consigo autógrafo”, e qualquer pessoa sensata “quase” não conseguiria parar de rir.
Lamentavelmente, essas mentirolas só são bem recebidas por amigos e pessoas desinformadas. Editores, poetas e pessoas que trabalham com livros sabem que poesia não tem leitores suficientes para o difícil mercado livreiro. Por isso, poucas editoras “bancam” livros de poesia.
Vejamos um exemplo: O livro “A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver”, de Ana Cláudia Quintana Arantes, vendeu mais de 700.000 livros. Raramente um poeta consegue 10% do público dessa autora. Podemos dizer que, quando se consegue 10% do público dessa autora, um poeta se sente consagrado no mundo das letras.
Já escutei mentiras das mais diversas. Uma autora contou, em uma reunião, que enviou um livro para uma editora de São Paulo. Segundo ela, a dona da editora gostou tanto que imediatamente pegou um avião para Curitiba para pedir que ela assinasse o contrato. Mas ela se recusou a assinar, pois não estava de acordo com algumas cláusulas.
Nos filmes, os editores correm atrás dos autores. Bem… Mas no mundo real é provável que alguns editores corram para conseguir autores como Paulo Coelho, Chico Buarque, Ana Cláudia Quintana Arantes e outros. Mas um autor ainda não conhecido pelo grande público em geral recebe ligação de um funcionário da área de edição. O editor tem muito trabalho e, às vezes, não tem tempo de falar com os novos autores.
Eu já tive livros publicados em São Paulo e sou honesta: Nunca um editor veio até Curitiba para me solicitar que assinasse um contrato. Isso seria maravilhoso, um presente de Natal! Mas as coisas são diferentes. As editoras contam com equipes de profissionais, e um funcionário da área de direito autoral envia o contrato. O autor assina e encaminha para a editora. Simples e prático. Não é tão emocionante quanto nos filmes, mas funciona.
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