(Foto Ilustrativa)
Em tempos de migração, o futuro não pertence aos muros, mas à tolerância, à convivência e à reinvenção do político além das fronteiras
A ideia de Estado-nação, hoje tratada como algo natural e eterno, é na verdade uma construção histórica relativamente recente. Ela surge de processos políticos, econômicos e culturais específicos e se transforma ao longo do tempo. Compreender essa trajetória é essencial para entender por que concepções rígidas de soberania nacional - como a defendida por Donald Trump - soam anacrônicas diante de um mundo marcado por intensas migrações internacionais.
1. As origens do Estado-nação
Antes da modernidade, o poder político não estava organizado em Estados nacionais como conhecemos hoje. Na Europa medieval, predominavam impérios, reinos dinásticos e feudos, onde as fronteiras eram fluidas e a lealdade se dirigia mais a um senhor, a uma dinastia ou à religião do que a uma “nação”.
O Estado-nação começa a tomar forma entre os séculos XVI e XVIII, especialmente após a Paz de Westfália (1648), que consolida a ideia de soberania territorial. Mais tarde, com as Revoluções Americana e Francesa, surge um novo elemento central: o povo como fonte de legitimidade do Estado. A nação passa a ser entendida como uma comunidade política com língua, cultura, símbolos e identidade comuns.
No entanto, mesmo nesse período, a noção de “povo nacional” era altamente excludente: mulheres, pobres, colonizados e minorias étnicas ficavam fora da cidadania plena.
2. Nacionalismo, industrialização e controle de fronteiras
No século XIX, o Estado-nação se fortalece com a industrialização, a escolarização em massa e o nacionalismo. Estados passam a padronizar línguas, criar exércitos nacionais e reforçar fronteiras. Ainda assim, paradoxalmente, esse foi também um período de grandes migrações internacionais.
Milhões de europeus migraram para as Américas, África e Oceania. Os Estados Unidos, frequentemente idealizados hoje como defensores de fronteiras rígidas, foram historicamente um país construído por ondas sucessivas de imigrantes. As fronteiras eram muito mais abertas do que no presente.
3. O século XX e a crise do modelo fechado
Após as duas guerras mundiais, o nacionalismo extremo mostrou seu potencial destrutivo. Ao mesmo tempo, o mundo passou por uma crescente interdependência econômica, cultural e tecnológica. Organismos internacionais, blocos econômicos e tratados multilaterais relativizaram a soberania absoluta dos Estados.
No final do século XX e início do XXI, fatores como:
• desigualdade global,
• guerras regionais,
• mudanças climáticas,
• e globalização econômica
impulsionaram novas e intensas migrações internacionais. Milhões de pessoas passaram a se deslocar não por escolha, mas por necessidade.
4. Por que a ideia de Estado-nação de Trump é antiquada
A visão de Donald Trump sobre o Estado-nação se baseia em três pilares clássicos e ultrapassados:
• fronteiras rígidas,
• identidade nacional homogênea,
• e soberania entendida como isolamento.
Essa concepção ignora que:
1. As nações sempre foram plurais - os Estados Unidos nunca foram culturalmente homogêneos.
2. Muros não detêm fluxos globais, apenas os tornam mais violentos e desumanos.
3. A economia global depende da mobilidade humana, especialmente de migrantes que ocupam setores essenciais.
Trump trata a migração como uma ameaça externa, quando ela é, na verdade, um fenômeno estrutural do mundo contemporâneo. Sua retórica recupera um nacionalismo do século XIX para lidar com problemas do século XXI.
5. Migração, tolerância e fronteiras no mundo atual
Em uma época de migração em massa, insistir em Estados fechados e identidades rígidas é politicamente ineficaz e moralmente problemático. A alternativa não é o caos, mas a tolerância, a cooperação internacional e políticas de acolhimento reguladas e humanas.
Abrir fronteiras não significa ausência de Estado, mas reconhecer que:
• a dignidade humana precede a nacionalidade;
• a diversidade fortalece sociedades;
• e a mobilidade é parte constitutiva da história humana.
Conclusão
O Estado-nação não é um dogma eterno, mas uma forma histórica de organização política. Defender uma versão rígida e excludente desse modelo, como faz Trump, é ignorar séculos de transformações e a realidade de um mundo em movimento. Em tempos de migração, o futuro não pertence aos muros, mas à tolerância, à convivência e à reinvenção do político além das fronteiras.
. Escrito com ChatGPT, revisado pelo colunista
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