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Vida e Sociedade

Leone Rocha

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Mulheres Negras em Movimento

Julho das Pretas no Brasil e sua expressão em Macapá

Mais do que uma agenda comemorativa, constitui um espaço de denúncia das desigualdades raciais e de gênero que ainda marcam a sociedade brasileira

Colunistas  –  23/07/2026 11:42

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(Foto: Divulgação)

Na Amazônia, o Julho das Pretas assume características próprias ao dialogar com as experiências das mulheres negras amazônicas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas

 

O Julho das Pretas é uma das maiores mobilizações do movimento de mulheres negras no Brasil. Criado em 2013 pelo Odara - Instituto da Mulher Negra, em articulação com diversas organizações de mulheres negras, transforma o mês de julho em um período de reflexão, mobilização política e valorização da história, da cultura e do protagonismo das mulheres negras. A iniciativa culmina em 25 de julho, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído pela Lei nº 12.987/2014.

Mais do que uma agenda comemorativa, o Julho das Pretas constitui um espaço de denúncia das desigualdades raciais e de gênero que ainda marcam a sociedade brasileira. Durante todo o mês são promovidos seminários, rodas de conversa, manifestações culturais, oficinas, feiras de empreendedorismo, atividades acadêmicas e atos públicos voltados para temas como direitos humanos, combate ao racismo, enfrentamento à violência contra as mulheres, saúde da população negra, participação política, memória, ancestralidade e Bem Viver. Em 2026, a agenda nacional destaca o tema "Mulheres Negras em Movimento: Ocupando Espaços e Construindo o Futuro", reforçando a continuidade da luta por reparação histórica, justiça social e igualdade de oportunidades.

Na Amazônia, o Julho das Pretas assume características próprias ao dialogar com as experiências das mulheres negras amazônicas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas. A região evidencia a relação entre identidade negra, defesa dos territórios tradicionais, preservação ambiental e valorização dos saberes ancestrais, ampliando o debate nacional sobre direitos, cultura e desenvolvimento sustentável.

O contexto amapaense confere ao Julho das Pretas um significado especial. O estado possui uma expressiva população negra e dezenas de comunidades quilombolas reconhecidas, além de manifestações culturais como o Marabaixo e o Batuque, que constituem importantes patrimônios da identidade afro-amapaense. Nesse cenário, as atividades desenvolvidas durante o mês fortalecem não apenas a luta contra o racismo e o sexismo, mas também a preservação da memória coletiva, das tradições culturais e da história dos povos afro-amazônicos.

O encontro busca discutir caminhos práticos para a construção de futuros mais justos e inclusivos na Amazônia. A ação é fruto de uma articulação conjunta entre o Coletivo Arte da Pleta, a Escola Estadual Lauro Chaves, a Universidade do Estado do Amapá (UEAP), o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi), a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres (Semp), a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e o Instituto de Mulheres Negras do Amapá (Imena).

No dia 30 de julho (quinta-feira), as atividades se deslocam para o tradicional bairro do Laguinho. Das 16 às 23h, o Espaço Cultural Marabut sedia a Mostra Cultural de Economia Criativa, um espaço dedicado a dar visibilidade ao trabalho de artesãs, escritoras, estilistas, gastrônomas e produtoras culturais negras do Amapá.

Além da comercialização de produtos e serviços que fortalecem a autonomia financeira de mulheres negras locais, o público poderá acompanhar uma programação artística diversificada, que inclui:

Apresentações de poesia, música, dança e performances integradas; Mesa de diálogo sobre o tema “Reparação e Bem Viver na Amazônia Negra”; Homenagens a mulheres negras e lideranças históricas que ajudaram a pavimentar a trajetória do Julho das Pletas em Macapá.

. Julho das Pretas Macapá 2026
Tema: Em Marcha pelo Bem Viver
Roda de Conversa: Educação, Reparação e Bem Viver
Data: 28 de julho (terça-feira)
Horário: Das 15 às 17h
Local: Rádio Difusora de Macapá (Programa Show da Tarde, com Lígia Mônica)

. Mostra Cultural de Economia Criativa
Data: 30 de julho (quinta-feira)
Horário: Das 16 às 23h
Local: Espaço Cultural Marabut (Bairro do Laguinho, Macapá/AP)
Entrada: Gratuita 

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Por Leone Rocha  –  leone.rocha@gmail.com

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