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Ricardo Yabrudi

yabrudisom@hotmail.com

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Literatura: a matéria-prima do pensamento

Leituras prediletas de jovens em tenra idade são os textos das redes sociais

Colunistas  –  17/08/2026 19:14

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(Foto Ilustrativa)

Ler quase tudo que seja possível levaria os jovens ao conhecimento das coisas, do mundo; os ajudaria a compor novas ideias

 

O exercício da redação está formando uma geração de apreciadores da boa literatura? É com esta que nos preparamos, inclusive, para a confecção de textos argumentativos. É fato que jovens em tenra idade não se dão muito a ler assuntos variados. Esses são, teoricamente, responsáveis por uma boa escrita: tradicional, formal e criativa. Ler quase tudo que seja possível os levaria ao conhecimento das coisas, do mundo. Os ajudaria a compor novas ideias. Mesmo com o córtex com poucas informações e ainda incipiente, alunos conseguem driblar muitos examinadores nas avaliações com uma retórica em espiral. Está embasada em princípios básicos do curso de redação que aprenderam. Tiram boas notas se observarem os cânones oferecidos pelas técnicas redacionais. Uma cartilha já pronta, como um “ready-made” dadaísta. São aferidos como esforçados e razoáveis.

A grande lacuna, o esvaziamento de muitas de suas composições - não todas - está na falta de vasto conteúdo. Obviamente, não houve tempo para assentá-los em seus cérebros. Contudo, esses conteúdos estão armazenados e solitários nas estantes das bibliotecas virtuais e físicas. A maioria se esqueceu de que elas existem e não as visita com regularidade. Suas leituras prediletas são os textos das redes sociais. Umberto Eco, o grande semiólogo italiano, postulou que o conhecimento da humanidade está nessas bibliotecas. Afirmou que as universidades ou escolas são o ambiente de discussão desse conhecimento. Ora, se não existe o conhecimento da realidade histórica e filosófica, como haverá discussão? Em primeiro lugar, deveria estar a ingestão desse conhecimento, coisa que geralmente não acontece com frequência. Posteriormente, viria o diálogo desse saber. É isso mesmo? Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Vivemos um paradoxo.

A filosofia ocidental, na qual estamos inseridos, rejeitará qualquer tipo de manifestação aleatória a respeito do conhecimento. As teses ou assuntos originais serão possíveis, desde que se apropriem desse saber. Na obra de Descartes, “Meditações”, ele se embasou em princípios fenomenológicos e na rejeição de velhas teorias. Mágicos nos enganam tirando coelhos da cartola. Alunos treinados reiteram mesmices com as técnicas de redação, como receitas de bolo. É improvável que a maioria consiga colocar conteúdo filosófico, sociológico, antropológico etc. em seus textos, não por uma impossibilidade neural, mas pela pouca maturidade intelectual e pelo reduzido repertório cultural próprios dessa fase da vida.

Jovens em tenra idade podem ler “Dom Casmurro”, a “Ilíada”, “Os Lusíadas” ou o “Fausto”, de Goethe, mas dificilmente terão, ainda, a experiência e o conhecimento necessários para apreender toda a complexidade dessas obras. Seu córtex pré-frontal ainda está em processo de amadurecimento, mas não é esse o único fator: a formação de um leitor e de um pensador exige tempo, vivência, leitura e contato continuado com diferentes áreas do conhecimento. Como estarão aptos a argumentar sobre temas tão complexos se até alguns filósofos mais preparados, às vezes, não conseguem abordar de forma direta ou indireta obras tão complexas? Avaliadores alegam que desejam ouvir os ensinamentos, as tais deliciosas receitas literárias e argumentativas. Essa avaliação é como ouvir crianças falando com uma beleza estonteante, sonolenta, que nunca mais esqueceremos. Vivemos esse sonho? O onírico ganha força.

Uma possível avaliação correta poderia estar em ver o bem em suas almas. Temas mais ligados ao amor e à misericórdia talvez fossem o melhor espelho para a aferição exata do mérito para a entrada em uma instituição de ensino. Uma profissão exercida com amor é mais eficaz. 

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Por Ricardo Yabrudi  –  yabrudisom@hotmail.com

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