(Foto Ilustrativa)
Ele veio de outra cidade; seu andar é meio desajeitado; sua paciência é infinita; está preparado para o pior, que são as perguntas capciosas de uma geração ativa
Numa sala de aula, a paciência se esgota. É uma geração eletrizante, tirando o sossego de quem precisa passar conteúdos a troco de um salário para pagar boletos. As redes sociais agitaram os frágeis cérebros dos adolescentes. É uma geração perdida? Não. Foi achada desprevenida. A tecnologia avançou muito rápido. A mente não acompanha a ciência. Caíram na armadilha mais audaz. São vítimas de uma invenção mirabolante. Cada indivíduo tem seu algoritmo. As redes conhecem seus gostos, suas fragilidades. Sabem como passar os conteúdos. No meio dos deliciosos sites, as propagandas cobram duramente o retorno: é necessário mais visualizações. É um complô contra a humanidade? Não, apenas a economia girando.
Mestres entram e saem das salas de aula. Não são polímatas. Será que estão cansados de ministrar as mesmas aulas durante anos a fio? A paciência é uma virtude. Ensinar aos outros o que não aprendem imediatamente torna-se um tormento? O que já se sabe é, para eles, trivial; são repetições que se acumulam. A calma é outra virtude. Alguns discípulos questionam particularidades de um determinado tema. O mestre não responde naquele momento. Precisa consultar. Na próxima aula, ele possivelmente trará a resposta, se não se esquecer.
Um novo mestre, incomum, muito bem preparado, entra para ser testado pela escola. Ele veio de outra cidade. Seu andar é meio desajeitado. Sua paciência é infinita. Está preparado para o pior, que são as perguntas capciosas de uma geração ativa. Seu método é o mais perfeito possível. Conhece cada aluno. Cada dificuldade, cada gesto, cada lacuna. Ele os conheceu previamente. Irá compreendê-los ainda mais com a convivência. Ele possui instantaneamente os meios para responder às dúvidas daquela matéria. Responde a qualquer pergunta. Ele é um Polímata. O aluno entende perfeitamente tudo o que diz. O novo e discrepante mestre conhece os meios para explicar tudo.
Esse mestre foi preparado. Estudou cada aluno e suas dificuldades. Uns discípulos têm maior tendência para a área de humanas. Outros, para a área de exatas. Mas isso não é problema para ele. Seus exemplos são os mais magníficos possíveis. Não há quem não aprenda com ele.
Ele é uma enciclopédia ambulante. Sua voz muda de tom quando quer falar macio. Áspero, se necessário. Nunca chama a atenção dos alunos. É simpático. Não liga para a insubordinação dos discípulos. É obediente. Não atrasa. Fica depois do horário. Ele é solteiro. Não leva os problemas de casa para a sala de aula. Está sempre à disposição. Mesmo à noite, de madrugada, está plugado. Avisa: “Para mim, não tem hora. É só entrar em contato”.
Seu nome é Aristóteles. Seu salário é o preço da sua vida. Ele pertence a uma geração diferente.
A aula chega ao fim. Sai da sala. Vai ao almoxarifado. Fica num canto quieto pronto a servir a qualquer momento. Alguém o guarda num nicho.
Ele é um robô humanoide.
Estamos na era da inteligência artificial.
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