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Cenas e Temas

O direito de optar por uma cidade limpa (de qualquer tipo de sujeira)

Preocupação maior de boa parte da população não é a eleição de fulano ou beltrano e sim a erradicação dessas poluições visuais e sonoras

Colunistas  –  24/09/2012 17:58

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(Foto Ilustrativa)

Poder de decisão: Democracia é

votar com responsabilidade

Olá, candidato, como vai você? Pela calçada também? São algumas coisas que queria lhe perguntar durante sua campanha. Quero saber de seus projetos, sua seriedade no compromisso com a cadeira que você pretende ocupar, mas antes de tudo gostaria muito de elucidar:

- Você acha bacana começar uma campanha política atravancando o caminho dos eleitores?

Cavaletes espalhados

Os dois quilômetros de calçada que percorro todos os dias para ter direito ao salário digno no fim do mês estão repletos de cavaletes espalhados com rostos de pessoas que nunca vi e nem ouvi falar. E eis que de repente sou apresentada a elas de uma forma um tanto constrangedora, pois nessa história de ficar desviando entre uns e outros cavaletes, outro dia coloquei dois passos na rua porque não tinha como passar e uma moto quase me atropela.

Ao ouvir a buzina, a reação foi de pular pra calçada novamente, desequilibrar e cair em cima de uma fotografia enorme de um distinto candidato que sorria pra mim. Fiquei ali durante uns segundos a contemplar aquela autoimagem caótica, caída em cima de um futuro, ou não, político, completando o cenário cara a cara com ele, que agora parecia rir do meu susto. Rapidamente aproveitei o momento e falei revoltada em voz alta: “É assim que você respeita o cidadão?”

Fui removida por duas pessoas

Não pense que fui socorrida, fui removida por duas pessoas que me ajudaram a levantar para prontamente colocar o cavalete no lugar. Nem sequer perguntando se eu estava bem, pois eram dois funcionários da campanha do moço, que estavam ali de plantão para proteger a integridade da transtornada propaganda e vigiar o desrespeito.

Ultimamente, como presto muita atenção no que meus amigos de ponto de ônibus dizem, tenho escutado muito por aí que não veem a hora desse período crítico acabar para retornar a “limpeza” nas ruas, e podermos caminhar livremente sem os incômodos dessas sádicas campanhas. Escuto que a preocupação maior não é a eleição de fulano ou beltrano e sim a erradicação dessas poluições visuais e sonoras, para alívio de quem tem todo o direito civil de optar por uma cidade limpa (de qualquer tipo de sujeira).

Por Elisa Carvalho  –  elisacarvalho.br@gmail.com

2 Comentários

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  • Claudia Moraes

    Elisa, muito apropriada a sua matéria!
    Sinto muito pelo acontecido a você. Imagine então, uma pessoa com deficiência, que sofre pela falta de acesso, de rampas, e agora as poucas calçadas que lhe sobram são invadidas por essas placas.
    Além das ruas estarem sujas, eles tb fazem questões de sujarem os nossos jardins e quintais, pois todos os dias inúmeros "santinhos" são jogados dentro do meu jardim. Além do meu já habitual excesso de trabalho, tenho de despender meu tempo para ainda limpar a sujeira que esses candidatos infligem ao meu espaço. E, que ela fique só nessa área, porque eleitos, sabe-se lá que tipo de "sujeira" vão infligir a minha vida .
    Abçs

  • Fatima Lima

    Imagino o constragimento que você passou. Lembra qual era o "candidato"? O país fica um caos realmente.