
(Fotos: Divulgação)
Minissérie já levou o Golden Rose Award, oferecido pelo
Rose d’Or, um dos mais importantes festivais de televisão da Europa
Em dezembro de 2011, estreou na Inglaterra "Black mirror". A minissérie (eu entendo como série), com três episódios em sua primeira temporada, foi criada pelo roteirista, jornalista, produtor e apresentador de TV Charlie Brooker (criador também da série de horror "Dead set"), em parceria com sua mulher Konnie Huq e Jesse Armstrong. "Black mirror" nada mais é do que uma versão tecno muito bem feita da clássica "Além da imaginação". No Brasil está na programação do canal I.Sat, que já está exibindo sua segunda temporada, também com três episódios. A primeira temporada estreou no I.Sat em fevereiro deste ano e a segunda, em maio. Os episódios são impecáveis em sua proposta de mostrar o lado sombrio e por vezes terrível da era tecnológica em que vivemos e sua influência em nosso comportamento.
Em "Black mirror" vemos com uma clareza impressionante o que pode causar em cada um, ou no coletivo, o uso indiscriminado das novas ferramentas que surgem no mercado. Hoje em dia temos telas onipresentes, exposição pra lá de exagerada nas redes sociais, vigilância ilegal, pessoas que vivem conectadas dia e noite em seus celulares de última geração, computadores e afins. Vemos o monstro das novas tecnologias que cresce a cada dia, interferindo de maneira assustadora na vida das pessoas, por meio de personagens muito bem construídos em cada situação. Ambição, ansiedade, depressão, hiperexposição pública, problemas amorosos causados pelos uso equivocado das redes sociais, não são coisas do futuro. Portanto, "Black mirror" não é ficção futurista com doses generosas de terror - nem pensar. Essa é a nossa realidade diária e a maioria das pessoas não consegue lidar com tudo isso de maneira saudável.
Histórias são independentes e elenco não se repete

Premiada: "Black mirror" também venceu o Emmy Internacional de 2012 como melhor minissérie
Primeiramente "Black mirror" seria uma minissérie de três episódios e ponto. Mas o sucesso foi tão grande que o Channel 4 da Inglaterra não pensou duas vezes em encomendar a segunda temporada, que em minha opinião é sensivelmente melhor do que a primeira. Quando você assiste à primeira temporada fica impressionado, principalmente pelo impacto do primeiro episódio, "The national anthem". De cara, vemos uma situação desesperadora: a princesa da Inglaterra é sequestrada e para resgatá-la o primeiro ministro tem que se submeter a uma degradação pública. Isso mesmo: degradação na total compreensão da palavra, com toda a história sendo divulgada na imprensa, nas redes sociais e envolvendo a opinião pública. O desenrolar é chocante, polêmico e surpreendente.
No segundo episódio, "15 million merits" (o meu preferido), nos deparamos com um universo paralelo, onde as pessoas trabalham incansavelmente para gerar energia, pedalando em bicicletas ergométricas. Em troca ganham créditos, e uma das formas de uso dos tais créditos é para conseguir se livrar desse trabalho participando do "Hot shot", uma programa tipo "The X factor” e "American idol". Aliás, toda a semelhança não é coincidência. É muito real. O terceiro as pessoas têm um implante onde fica registrado tudo o que acontece em suas vidas. O gancho está na infidelidade entre um casal.
Aposto que terá uma terceira temporada
Depois dessa primeira temporada excelente, veio a segunda, que como já disse, é melhor ainda. Os três episódios, "Be right back", "The Waldo moment" e "White bear", são muito bons. O primeiro remete os fãs de "Além da imaginação" ao episódio "Long distant call". Não vou me estender mais para não cortar o barato de quem ainda não assistiu
A minissérie já levou o Golden Rose Award, oferecido pelo Rose d’Or, um dos mais importantes festivais de televisão da Europa e venceu o Emmy Internacional de 2012 como melhor minissérie. Um conselho: não perca "Black mirror".
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