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Primeira Temporada

"Agora sim!", uma "quase sitcom" fraquinha e sem graça

Dedicação à parte, faltou algo mais: direção, roteiro, cenário, e mais alguma coisa

Colunistas  –  22/10/2013 19:44

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(Foto: Divulgação)

Futuro da série deve ser definido em meados de
novembro; cada episódio tem orçamento de R$ 270 mil

O que dizer de "Agora sim"? Infelizmente é uma série fraca. Roteiros parecidos, cópias disfarçadas, adaptações para outros países de séries de sucesso, temos aos montes por aí. E com a exigência de conteúdo nacional na programação dos canais, o Brasil está começando a ter suas produções. Os canais HBO e Multishow por exemplo vêm acertando no conteúdo nacional. Além desses, atualmente temos séries nacionais nos canais GNT, TBS, MTV Brasil, e agora no canal Sony, que resolveu apostar na criação de João Daniel Tikhomiroff, Lucas Paiva Mello, Rodrigo Castilho e Fábio Danesi, baseados na ideia de Marcello Serpa, publicitário brasileiro, sócio-presidente e diretor de criação da agência AlmapBBDO. Então, partindo desse time, a gente espera que algo bom saia disso tudo, não é? Mas por enquanto só ficamos na espera. Segundo os criadores, o roteiro foi trabalhado nos EUA para se enquadrar no padrão de comédia que o canal Sony apresenta em suas séries próprias como "Seinfield", "Scrubs", "Will and Grace". Caramba! Já vi e revi as séries citadas, que inclusive fazem parte da minha coleção, e posso afirmar que está muito longe disso... 

Mas vamos lá: "Agora Sim!" é uma série de comédia com 13 episódios em sua primeira temporada, gravados em 45 dias. Os atores se dedicaram, vamos reconhecer. Mas dedicação à parte, faltou algo mais: direção, roteiro, cenário, e mais alguma coisa. Sua classificação é de série de comédia, mas os produtores a rotularam de "quase sitcom", pelo fato de não ter plateia e claques (as risadas que ouvimos nas séries americanas), em respeito ao público brasileiro, que, segundo eles, não necessitam de indicação do momento certo de rir. E sem querer ser chata ou debochada (ou as duas coisas), aí é que fica mais difícil, apesar de João Daniel Tikhomiroff, fundador da Mixer e diretor da série, afirmar que as piadas farão rir (???). Personagens e situações para fazer graça não faltam no pacote, isso é certo. Resta a produção se encontrar e realmente apresentar humor de boa qualidade com cara brasileira. Afinal, é esse o objetivo. E a ideia de imprimir um humor com jeito brasileiro nos seriados não é tão simples. As produções nacionais estão se popularizando e o público alvo, de bobo não tem nada. Quem não correr atrás de bons talentos, cheios de ideias originais para criar séries de nível, vai fazer feio. 

Roubando ideias da concorrência 

Em "Agora sim!" temos Maurílio Bittar (Fábio Herford), um chefe legal e completamente sem noção que quer se tornar o maior publicitário do país. Ele comanda a Bitt Propaganda, e em sua equipe temos o essencial puxa-saco/amigo Jurandir (Augusto Madeira), a secretária tipo gostosona Dani (Larissa Machado), a gerente chata que sabe tudo Rosamaria (Amanda Lyra) e a dupla sem criatividade e sem graça Serginho (Thiago Pinheiro) e Alan (Rodrigo Pandolfo) e Marina (Mayara Constantino), a estagiária, que não podia faltar. Essa turma começa seus trabalhos numa nova sede em frente a uma das maiores agências do país e o foco é buscar inspiração na mesma, roubando ideias. 

E tudo começa com a apresentação detalhada de cada um - para mim foi uma estratégia completamente desnecessária e com uma narração mal feita. Poderia até ter ido por esse caminho, mas deixando uma pontinha para a imaginação de cada um. No decorrer do episódio, as piadas não eram de todo ruins, mas não funcionaram. E até agora a coisa não mudou muito não. Na apresentação da pré-estreia fizeram questão de salientar que a "série vai melhorando conforme os episódios vão passando". Então tá bom. A gente espera, quem sabe? E um ponto interessante que vale a pena destacar aqui são as participações especiais de grandes comediantes brasileiros, como Moacyr Franco, Juno Andrade, Claudio Lins, Luis Lobianco e Rafael Infante, do "Porta dos fundos". Pelo menos dá uma esperança de que de alguma forma pode melhorar. 

Só falta a série dar certo 

Alguns dizem que "Agora sim!" tem ares de "It crowd", com pinceladas de "The office". Deixo a cargo de cada um chegar a uma conclusão. Para mim não tem como comparar com nenhuma das duas, até o momento. "Agora sim!" ainda não garantiu sua segunda temporada, mas ela já está em fase de desenvolvimento. O futuro da "quase sitcom" deve ser definido em meados de novembro. Cada episódio tem orçamento de R$ 270 mil, e essa é a primeira série ficcional do canal Sony. Os executivos do canal afirmaram que a segunda temporada já está 99% confirmada. Só falta a série dar certo.

Para quem não sabe, uma curiosidade: a Sony Entertainment Television já produziu duas versões brasileiras de séries estrangeiras no fim da década de 90: "A Família Pinto", versão de "Um amor de família", e "Santo de casa", versão de "Who´s the boss?"’. 

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Por Silvaninha Medeiros  –  silvaninhamedeiros@live.com

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