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"Psi"

Tudo vai além da psicanálise na nova série brasileira

Primeira temporada tem tudo para ser empolgante e muito bem conduzida por atores afinadíssimos, roteiro e direção de alto nível

Colunistas  –  26/03/2014 15:37

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(Fotos: Divulgação)

Outra nuance da figura do psiquiatra, interpretado
de maneira brilhante pelo ator Emílio de Mello
 

No fim de semana (23/domingo), tivemos a tão esperada estreia de "Psi", nova série brasileira do canal HBO. O episódio-piloto, com duas horas de duração e mostrando duas histórias, foi bem promissor. Não ficou devendo nada a grandes produções de outros países e deu a entender que teremos uma primeira temporada empolgante e muito bem conduzida por atores afinadíssimos, roteiro e direção de alto nível.

Já tem um bom tempo que a HBO, através da HBO Latin America Originals, está investindo em produções brasileiras para atender a lei que determina cota de conteúdo nacional na programação da TV paga, e já realizou algumas séries originais próprias em parceria com produtoras independentes, como: "Filhos do Carnaval", "Preamar", "FDP", "Alice", "Destino: São Paulo e Rio de Janeiro", "Mulher de fases", "Mandrake" e "O negócio". As séries consequentemente são exibidas em toda a América Latina e lançam novos talentos no mercado, além de valorizar atores experientes que às vezes não se enquadram ou não conseguem espaço no padrão novelesco. O sucesso das produções nacionais é indiscutível e tem cada vez mais espaço na tela da HBO, que também está investindo em séries ótimas na Argentina, México e Chile, e ampliando esse segmento por aqui. 

Mexendo com o íntimo de cada um 

"Psi" traz novamente o tema psicologia para despertar a curiosidade do telespectador e mexer com o íntimo de cada um. Todo mundo já sabe que o tema em si não é novidade. Pelo contrário: tem sido comum vermos no universo dos seriados e cinematográfico vários aspectos sendo mostrados em particular. Por aqui, no que diz respeito às séries, temos "Sessão de terapia", que é adaptação do canal GNT de "In treatment" (também da HBO), e que já foi renovada para sua terceira temporada com previsão de estreia para agosto. A abordagem é bem ousada, explorando terapeuta e paciente, todo o tempo. Já em "Psi" temos uma outra nuance da figura do psiquiatra, interpretado de maneira brilhante por Emílio de Mello, que encara seu primeiro protagonista com muita propriedade: segurança e domínio do ator em cena. Dá gosto de ver e impressiona, em tempos de corpinhos perfeitos e carinhas lindas. Emílio dá vida a Carlo Antonini, um homem com uma personalidade instigante e enigmática, claramente movido por sua curiosidade, que o leva por caminhos geralmente perigosos e o colocam em situações pouco comuns. 

Na descrição oficial, o psiquiatra tem uma visão crítica sobre tudo: pacientes, amigos, família e, principalmente, sobre ele próprio. Ele se enquadra no perfil do tipo que tem valores conservadores, mas tem seu lado dark, em especial no que diz respeito a sexo. De cara, deu para perceber que tudo o que acontece é motivado diretamente pelas ações de Carlo, que tem espírito aventureiro e gosta de pagar pra ver, apostando na alienação, loucura e normalidade humanas. Normalidade, sim. O próprio personagem define que a normalidade humana é também uma patologia, e sem graça. Nesta produção de primeira linha, temos drama, ação, humor e suspense, ao que parece na medida certa. Tomara que nos próximos episódios a minha expectativa continue no mesmo nível. 

Série é baseada no personagem e não nos livros 

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Protagonistas estão em perfeita sintonia e
certamente vão explorar bastante a química dos dois

Carlo é criação do psicanalista e escritor Contardo Calligaris, colunista da "Folha de S. Paulo". Contardo é italiano e vive no Brasil desde o fim da década de 80. A série "Psi" leva seu personagem, que rendeu dois livros, para a TV. Carlo Antonini, psiquiatra, psicólogo e psicanalista, é figura central de "O conto do amor" e "A mulher de vermelho e branco". A primeira temporada tem 13 episódios de uma hora e suas histórias, pelo que entendi, são novinhas em folha, pois a série é baseada no personagem e não no conteúdo dos livros, onde ele também é personagem central. Carlo vai se envolver em casos complicados como profissional, se meter em investigações policiais e tramas amorosas, tendo ao fundo uma São Paulo plurifacetada pela loucura de uma grande metrópole. Tudo vai além da psicanálise, pode ter certeza.

A produção é da HBO em parceria com as produtoras independentes Biônica Filmes e Damasco Filmes. O período de filmagem foi de 20 semanas e foram usadas mais de 90 locações diferentes da cidade de São Paulo. Contardo Calligaris e Thiago Dottori são os roteiristas, a direção geral é de Marcus Baldini. "Psi" foi realizada integralmente com investimentos próprios da HBO Latin America. Ou seja, não rolou dinheiro público. Além de Emílio de Mello, temos no elenco a experiente Claudia Ohana, Raul Barreto, Aida Leiner, Igor Armucho, Bianca Vedovato e Otávio Martins. Claudia Ohana e Emílio estão em perfeita sintonia e certamente vão explorar bastante a química dos dois. Carlo e Valentina são amigos e colegas de profissão, e têm uma relação extremamente próxima e íntima. A tensão sexual está ali, só não se sabe se vai rolar. "Psi" é uma ótima opção para as noites de domingo na cama ou no sofá. Até a próxima!

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Por Silvaninha Medeiros  –  silvaninhamedeiros@live.com

1 Comentário

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  • PIA TORRES

    Eu gostei dos primeiros capítulos do Psi por isso vou estar incentivando a vê-lo até o fim e espero continuar a surpreender-me com ter bom roteiro.