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Dexter

Justiceiro sem causa, mesmo com todo o declínio, deixou saudades

Da quinta temporada em diante, série se transformou num show bizarro de erros, idiotices e ações sem noção por parte do personagem principal

Colunistas  –  14/05/2015 13:14

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(Foto: Divulgação)

Michael C. Hall: Dexter ficou tão boboca e indeciso que cometeu
erros inaceitáveis e seu lado sombrio perdeu o sentido e ele, o encanto

A série de drama e suspense "Dexter" foi encerrada em 22 de setembro de 2013. Desde que comecei a escrever a coluna, recebi alguns pedidos para que a destacasse aqui, pois a maioria dos fãs detestou o fim do justiceiro sem causa e do bem. Então, vamos falar de "Dexter", finalmente. Confesso que relutei muito para assistir essa série. Via um episódio ou outro e não conseguia me prender, mesmo tendo simpatia por alguns personagens. Essa simpatia pela intensa e desbocada Debra (Jennifer Carpenter), pelo boa-praça Batista (David Zayas), pela pobre e doce - e não tão bobinha quanto parecia - Rita (Julie Benz) e por Dexter (Michael C. Hall), não era suficiente para que eu continuasse a acompanhar o desenrolar da trama. Isso me incomodava, porque de repente percebia que já tinha perdido meia dúzia de episódios. E o tempo foi passando, até que a série foi encerrada. Em consideração aos e-mails recebidos, resolvi conferir o que aconteceu em oito temporadas na vida do pseudopsicopata, que encantou fãs pelo mundo e foi adorado nos EUA por 96 episódios (???).

Não foi bem assim. Até a quinta temporada esse amor foi praticamente incondicional, quase que todo o tempo, mesmo com alguns deslizes dos autores. A ideia de um justiceiro sem causa e do bem, além de bonito, inteligente, com humor sarcástico na medida certa, anti-social e desapegado sem causar antipatia, agradava tanto que não se culpabilizava Dexter Morgan diretamente pelos crimes, pelo fato de que ele matava quem supostamente merecia, e seu charme e convencimento deixavam qualquer um do seu lado. E geralmente, cá para nós, nas primeiras temporadas, eu contava os minutos para que Dexter montasse sua parafernália toda e pegasse o (outro) assassino. 

Nada dura para sempre... 

Da quinta temporada em diante a série se transformou num show bizarro de erros, idiotices e ações sem noção por parte do protagonista, que se perdeu completamente, em meio a um roteiro fraquíssimo, que não só tirou dos trilhos Dexter Morgan, como também demais personagens, sem exceção. As tramas paralelas nada acrescentaram. Tanto que alguns personagens surgiram e desapareceram, com o mesmo valor: nenhum. Outros que poderiam crescer e dar a "Dexter" chance de respirar novamente foram tão mal colocados, tão mal conduzidos e construídos que causa perplexidade imaginar criadores, produtores, roteiristas e diretores perderem a mão no mesmo ritmo. Mesmo que apenas e tão somente em nome da audiência. De repente parecia que se estava acompanhando outra série, tamanha a desordem que se instalou até o derradeiro fim.

O argumento da série era mais do que sólido e convincente, mas parece que não sentiram firmeza e deu o no que deu. Que Dexter precisava ser mais humanizado, até aí tudo bem. Quando começou a demonstrar sentimentos e culpa, foi interessante. Mas após a morte de Rita (Julie Benz) ele não ficou mais humano. Na verdade ele ficou tão boboca e indeciso que cometeu erros inaceitáveis e seu passageiro sombrio perdeu o sentido e ele, o encanto. 

Maioria dos fãs odiou o desfecho 

Não vou me estender quanto ao final do personagem, porque se alguém aí ainda não assistiu não vou cortar o barato. Mas como disse no início, a maioria dos fãs odiou o desfecho que deram a Dexter.

Sei que muitos fãs não vão gostar da minha opinião, mas nem sempre tudo é cor de rosa. Eu também fiquei frustrada, pois até a quarta temporada a série foi sensacional. Foram oito anos de muitos prêmios, recordes de audiência e fãs pelo mundo todo. "Dexter", apesar de tudo, é considerada um dos maiores fenômenos da televisão mundial e tem história em quadrinhos, jogos, além do livro de Jeff Lindsay "Darkly dreaming Dexter", que deu base para a primeira temporada e foi o primeiro da coleção de romances com o personagem. A página dedicada à série no Brasil continua sendo atualizada e é bem legal. "Dexter", mesmo com todo o declínio, deixou saudades e tem seu lugar entre as maiores séries de todos os tempos. Até a próxima!

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