
(Foto: Divulgação)
Lorran Bento, uma história para se repetir muitas vezes não apenas em Volta Redonda
Bento. Adjetivo que qualifica aquele que é consagrado pela benção. Assim diz a definição teórica gramatical. A prática tem outra origem particular no destino de cada um, como na história que vou contar desta "Cena" que gostaria muito de ver repetidas várias vezes com todo mundo que conheço e até com quem nunca conhecerei, mas com satisfação ouvirei falar um dia.Começarei assim:
O sinal fechava e o menino, do seu jeito, aproveitava e trabalhava. Fazia malabarismos diante dos carros e caminhões momentaneamente parados, como se dissesse aos motoristas dessas máquinas que ele sabia que no meio do caminho existiam pedras e ele queria saber como conduzi-las para algum lugar fora da sua própria estrada.
O sinal abria...
E o menino de bolsos vazios observava a vida correr, passar repentinamente sobre sua fome e vontade de sobreviver. Uma vez, seus dias na rua não chegaram mais. Não, não pense que alguém o tirou de lá, alguém estacionou o carro e investiu no seu futuro. O menino caminhou para a escola em que estudava e lá dentro encontrou-se com a música.
Reconheceu nos sons dos atabaques, surdos e timbais, que a sua vida podia ter uma batida diferente daqueles sons de motores, asfaltos e indiferenças sociais que ele precocemente ouvia através da indelicadeza da oportunidade.
Utilidade cidadã
Quando a realidade estabelecia o risco de o transformar em número de prontuário médico, de ser estatística do descaso, de ser portador de "má sorte", como diziam os antigos, ele desafiou tudo isso e saiu ileso porque se viu produtor de uma utilidade cidadã a que todos temos direitos civis de usufruir, e isso o fez prestar mais atenção na dignidade dos seus educadores que acreditam no investimento moral e coletivo através da arte. Atualmente o menino está fazendo as malas para ir à Europa mostrar o que está aprendendo com sua determinação e responsabilidade de vencer.
O sinal não está mais fechado, está aberto em seu próprio caminho e por ele passarão o seu crescimento interior, suas descobertas, suas alegrias e tristezas, processos naturais na trajetória de todos nós e que jamais poderiam ser violados pela mesquinharia humana.
Essa história não tem final...
Porque o personagem dela tem muita coisa ainda para viver e nos contar. Bento é mais do que adjetivo, além de ser o sobrenome do menino da minha feliz narrativa, é também a forma que encontrei de significar aquele que agora é consagrado pela arte.
Esta é a "Cena" de Lorran e o "Tema" de Bento.
Com enorme gratidão,
Elisa Carvalho
