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TV Séries

Silvaninha Medeiros

silvaninhamedeiros@live.com

Olhos que Condenam

A melhor minissérie da Netflix de 2019

Traz visão crua de uma realidade que se localiza no final dos anos 1980 e nos anos 1990, mas que perdura até hoje; julgados pela cor da pele e origem

Colunistas  –  01/10/2019 20:33

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(Foto: Divulgação)

 

Mesmo inocentes, cinco jovens negros foram condenados e cumpriram penas de seis a 13 anos de prisão 

 

A melhor minissérie da Netflix deste ano de 2019 é sem dúvida, “When they see us” ou “Olhos que Condenam”. São apenas quatro episódios que causam uma revolução na cabeça do telespectador. Mais realista impossível. Com uma narrativa direta, “Olhos que Condenam” é exatamente como a crítica americana a definiu: um soco na boca do estômago. Em algumas cenas você perde o ar e entra na mesma sintonia dos personagens. O tema é pesado, dolorido e vergonhoso. Traz uma visão crua de uma realidade que se localiza no final dos anos 1980 e nos anos 1990, mas infelizmente ainda está aí, massacrando e acabando com as vidas de muitos inocentes que são julgados pela cor da pele e origem.  

Ava DuVernay deu voz aos cinco rapazes presos e condenados por um crime que não cometeram, e através de sua genial sensibilidade profissional expôs as faces do racismo que ditam as regras da máquina da Justiça, não só nos EUA, e bem sabemos disso aqui no Brasil. Para se ter uma breve noção do número total de presos em nosso país, cerca de 64% são jovens negros entre 18 e 29 anos. Os dados são do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias. Temos vários casos idênticos aos cinco do Central Park, em terra brasilis em andamento, sem vislumbre de justiça.  

Justiça cega, parcial, opressora e racista  

Mas votando à nossa minissérie, para quem não sabe Ava é uma jovem diretora californiana, já indicada ao Oscar pelo longa “Selma” e vencedora do Bafta - maior prêmio do cinema britânico - pelo documentário “A 13ª Emenda”. Ava decidiu dar voz aos cinco meninos que tiveram suas vidas destruídas e mostrar o que a justiça cega, parcial, opressora e racista pode fazer de mal para os injustamente condenados e seus familiares. Em 19 de abril de 1989, cinco adolescentes resolveram acompanhar um grupo de jovens negros no Central Park, em Nova York, sem imaginar que suas vidas mudariam radicalmente, devido ao estupro e agressão brutais sofridos por Trisha Meili, executiva branca de 28 anos. Trisha estava no Central Park, onde costumava correr e foi atacada por um maníaco. Na ânsia de encontrar e nomear culpados, a polícia foi em cima dos primeiros jovens negros que surgiram em seu caminho e prenderam Antron McCray, Raymond Santana Jr., Kevin Richardson, Yusef Salaam e Korey Wise, com idades entre 14 e 16 anos. A partir daí eles entraram no inferno e, mesmo tendo evidências incontestáveis de que suas confissões foram conseguidas através de coerção dos policiais, todos foram condenados e cumpriram penas de seis a 13 anos de prisão.  

De todos os envolvidos na farsa da condenação, Linda Fairstein, chefe da unidade de crimes sexuais do escritório do Procurador Distrital de Manhattan entre 1976 e 2002, foi a orquestradora de tudo e usou de todos os meios ilegais que pôde para assegurar à sociedade americana de que a justiça estava acima da impunidade, praticando a mesma - impunidade - sem medir esforços. A condenação foi revertida em 2002 após o estuprador em série Matias Reyes confessar o crime e testes de DNA confirmarem sua culpa. Em “Olhos que Condenam’ Linda foi interpretada pela competente Felicity Huffman. A vida e carreira de Linda tomaram rumos bem diferentes depois da anulação da condenação e agora após a minissérie, lançada em maio. Sugiro que você, leitor, pesquise e entre fundo no assunto.  

Oprah Winfrey e Robert De Niro na produção  

Ava DuVernay teve como produtores executivos uma dupla de muito peso: Oprah Winfrey e Robert De Niro. O elenco muito bem escolhido se confunde com os personagens reais. Ava escreveu, dirigiu e idealizou “Olhos que Condenam” para jogar um holofote gigante no sistema judiciário americano e refletir clarões para todos os lados. Não é fácil assistir aos quatro episódios, em especial ao último. Traz reflexão sobre o racismo cultural que está entre nós e dor. É impossível não nos imaginarmos ali dentro de toda aquela dor, seja no papel que for. “Olhos que Condenam” merece todos os prêmios e aplausos. Assista também ao especial Netflix “Oprah Apresenta: Olhos que Condenam”. 

Poucos dias antes da estreia de “Olhos que Condenam” a HBO lançou sua produção impactante que também trouxe para a TV outro acontecimento do mundo real que chocou o mundo: “Chernobyl”, cotada como melhor minissérie de 2019, e considerada uma das favoritas para concorrer e conquistar os prêmios do ano. E a disputa foi acirrada no Emmy entre “Olhos que Condenam” e “Chernobyl”, com a última levando a estatueta de melhor produção do gênero série limitada. As duas minisséries bateram recordes de audiência ao redor do mundo. “Olhos que Condenam” ficou com o prêmio de melhor ator da mesma categoria para Jharrel Jerome, que se sobressaiu de maneira espetacular e emocionante, interpretando Korey, o que mais sofreu com as injustiças praticadas contra os cinco rapazes do Central Park. Suas cenas são únicas e o último episódio é todo dedicado a ele - Korey Wise.  

Você pode perdoar, mas não vai esquecer. Você não pode esquecer o que perdeu. Nenhum dinheiro pode reviver o tempo arrancado de você”. (Korey Wise)  

Até a próxima!  

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Por Silvaninha Medeiros  –  silvaninhamedeiros@live.com

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