
(Foto Ilustrativa)
Eis que em minha surpresa, estava comigo um livro de contos de humor do mundo inteiro
Hoje o calor acordou mais cedo do que eu. Esperto que só ele, tirou-me do sonho em que me encontrava numa horta verdinha, colhendo alguma coisa que não sabia explicar, mas em abençoada companhia de meu avô. Ainda não havia claridade suficiente em meu pedaço de horizonte, o sol estava chegando de mansinho, mas a temperatura dizia que ele parecia estar lá faz tempo.
Depois do banho, não fui direto ligar o computador e checar o pitoresco mundo das redes sociais para espionar o mundo virtual, mas enfim troquei de rota: fui pra cozinha acender o fogo e apreciei os velhos estados físicos da água até que ela se transformasse em um chá dentro de uma caneca em forma de lápis que me acompanha há anos. Liguei para uma tia, que eu sabia que também amava madrugar.
- Bom dia!
- Nossa... Há quanto tempo não nos falamos de manhã? - Esse espanto foi sua resposta à minha saudação.
- Sei lá, tia, muito tempo.
- Tá tudo bem por ai?
- Sim. E com você?
Dez minutos de conversa
E durante dez minutos escutei seu relato de que havia vencido a artrite e que conseguira se livrar do vício do jogo de bingo. Estava praticando exercícios e finalmente despachara o marido que a traía desde antes do casamento.
Depois de muitas risadas confortáveis e desopilantes, nos despedimos e fui preparar-me para ir ao trabalho. O primeiro vestido que encontrei no armário serviu imediatamente ao meu propósito de não ficar preocupada com a aparência externa, isso sem contar que ao sair de casa verifiquei se não havia deixado o ventilador ligado.
Distribuí mais Bons-Dias até o ponto de ônibus e não demorei muito para chegar no lugar que mais amo estar aqui na Terra: a Escola, onde posso alcançar profissionalmente meu êxito como ser humano. E, lá dentro, ministrei uma reunião para pais interessados em acompanhar o desenvolvimento de seu filho.
Alguns momentos comerciais
Após as horas prazerosas dentro do meu templo preferido, aproveitei alguns momentos comerciais depois do expediente e segui para uma agência dos Correios com a intenção sublime de postar umas cartas para amigos que moram longe.
No retorno pra casa, a exaustão física não venceu a alegria d’alma, a estas horas nem sabia onde havia deixado meu celular. Nenhuma tentativa de resgate de lembrança mental aguçou os sentidos de saber onde ele estava. Vida que segue.
Repeti o mesmo ritual da manhã:
Não liguei o computador. Acendi novamente o fogão e preparei uma canja de galinha, que não faz mal a ninguém, sentei-me sem culpa no sofá para ver TV sem a permissão do controle remoto.
Antes de me despedir de um dia plenamente artesanal, agradeci ao meu Deus como de amável costume mortal, comecei a escolha de textos que me conduziriam suavemente ao sono com uma leve brincadeira de fechar os olhos e tatear na minha estante algum livro eleito pela cumplicidade do desaviso. Eis que em minha surpresa, estava comigo um livro de contos de humor do mundo inteiro. Fomos os dois para a cama. Agora, era a vez dos autores globais me contarem histórias para novamente dormir e sonhar que: Assim eu quereria minha última crônica, que fosse tão livre e descoberta de tudo que alhures me observa.
