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Ponta de Lança Social

Ronaldo Marinho

ronaldomarinhodesousa@gmail.com

Novembro da Consciência Negra

Negritude e protagonismo

No Brasil, o preconceito racial é tema não superado; casos e denúncias de discriminação são reincidentes

Colunistas  –  07/11/2019 19:36

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(Foto Ilustrativa)

Desde o Quilombo de Zumbi dos Palmares, a luta é diária, na busca da equidade étnico-racial

 

A riqueza de considerável porção das famílias brasileiras deve-se à herança de quem habita em morros, periferias carentes de infraestruturas básicas, favelas, invasões e ruas; suscetíveis a todos os tipos de violências e exclusão. A sociedade brasileira presencia mais um “Novembro da Consciência Negra”, órfã de programa de governança de âmbito nacional, que contemple reparos à comunidade negra; em forma de distribuição da justiça social.

Nas consultas que você submeteu-se, em quantas foi atendido por um médico negro? O leitor consegue dizer, quando o Brasil teve como seu primeiro medalhista olímpico um nadador afrodescendente? Conhece o motivo pelo qual os nazistas perseguiram judeus, negros, deficientes físicos e homossexuais?

O racismo é a discriminação social fundamentada na cor da pele, sustentado na justificativa de hierarquia das raças. Vivemos fortes reflexos da escravidão no Brasil, nos dias atuais. Quando ocorreu a abolição da escravatura aquele pessoal não tinha para onde ir, eram analfabetos, em maioria. Foi-lhes negado o acesso à terra e aos meios de produção. Alguns “senhores” acolhiam as libertas com quem mantinham relações sexuais abusivas, promovendo a miscigenação. Aqui, a abolição foi tardia, irresponsável e imposta pela Europa, pois com a Revolução Industrial precisava conquistar maior mercado consumidor em outros continentes. Excluído do processo educacional, e privado de manifestar sua religiosidade de matriz africana, o negro marginalizou-se. Qual a população de negros, hoje no Brasil, de acordo com o IBGE? E, quantos entre estes são senadores da República?

Ao liberto, como moradia, restou-lhe os morros, a zona rural e periferias distantes. Esta realidade histórica se evidencia no percentual de afrodescendentes habitando em favelas, invasões e regiões desprovidas de mínimas condições sanitárias, abandonados pelo poder público. O cidadão, alienado, não acredita na possibilidade de vivenciar a distribuição da justiça social. Considerando utópica a narrativa que exalta a conquista do bem-estar e progresso. O sujeito é vítima de preconceito estrutural e institucional.

A condição do negro atualmente é lamentável. O leitor pode me questionar referente às cotas nas universidades e em concursos públicos, das políticas de inclusão. Afirmo que ações esporádicas e isoladas não irão debelar o problema em sua raiz. Há o preconceito internalizado, vivo no íntimo do indivíduo, configurando racismo estrutural. As piadinhas referentes à raça são fixas no subconsciente coletivo. Ditos tipo: “Para um negro, você até que é bonito”. O preconceito flui pelas vias mais sutis possíveis. O elemento não tem preconceito algum; e, se a filha lhe apresentar o namorado negrão?! Nas primeiras décadas do século XX, alguns dos grandes clubes de futebol brasileiros não aceitavam negros em seus quadros de jogadores, caracterizando o racismo institucional. A análise da índole está atrelada ao teor de melanina no corpo da pessoa.

O panorama atual requer trabalho pedagógico nas escolas de educação infantil, campanhas publicitárias em vários meios de comunicação, apresentando a igualdade racial como tema, e ações focadas em políticas públicas direcionadas ao inconsciente da massa. É crucial buscar o direito na lei para punir seres que praticam e/ou incitam a intolerância. Legislação existe, as autoridades constituídas e a militância negra devem se posicionar repudiando qualquer espécie de discriminação. A notoriedade negativa de certos casos ainda representa pequena parcela do racismo brasileiro. 

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Por Ronaldo Marinho  –  ronaldomarinhodesousa@gmail.com

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