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Premio

Filosofante

Giovani Miguez

giovanimiguez@gmail.com

Refexão

A busca pela verdade

Uma proposta exlética pela busca da índole das coisas

Colunistas  –  29/11/2019 19:04

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(Foto Ilustrativa)

Na ânsia de encontrar uma verdade, acabamos assumindo posturas dogmáticas e conflitivas, na crença de que o confronto de uma tese com uma antítese é capaz de produzir uma síntese potencialmente verdadeira

 

Xavier Zubiri, um filósofo espanhol, no seu primeiro livro publicado, em 1944, disse referindo-se à situação intelectual daquela época, que "a verdade é a posse da índole das coisas". Há, entretanto, a verdade e as verdades, ou, as conjecturas, que são pretensões de uma verdade. E, sem querer ser relativista ou construtivista, é sobre essas conjecturas que nós estamos nos referindo todo o tempo quando arrogamos a condição de verdade para determinada opinião.

Na ânsia de encontrar uma verdade, acabamos assumindo posturas dogmáticas e conflitivas, na crença de que o confronto de uma tese com uma antítese é capaz de produzir uma síntese potencialmente verdadeira. Essa é a velha e boa dialética a que quase todos os intelectuais e aspirantes a intelectuais arrogam como método na hora de produzir argumentos, sobretudo no âmbito das humanidades e das ciências sociais, onde o pensamento dialético encontrou farto terreno.

Não pretendo empreender esforços para desconstruir o método dialético como estrutura de pensamento capaz de buscar a verdade, pois é bem provável que essa busca da verdade absoluta seja uma conquista com grandes chances de insucesso. O que pretendo oferecer aqui é uma proposta de caminho metodológico que capaz de superar a dialética por oferecer uma base ontológica e gnosiológica (ou epistemológica) de compreender a realidade a partir de dois pontos de partida: o que o homem é e como o homem conhece.

O método (ou caminho) para se encontrar uma verdade provisória precisa estar sustentado sobre o que a coisa investigada é e como o conhecimento construído sobre essa coisa se dá. Nesse sentido, minha proposta é que a coisa objeto da investigação seja considerada (1) ontologicamente entre duas dimensões, material e noética/espiritual, e (2) gnosiologicamente entre as dimensões da idealidade e da realidade. O esforço dialético colocaria essas dimensões em conflito; ou seja, a dimensão espiritual do homem excluiria a dimensão noética e a idealidade excluiria a realidade.

Para dar conta da realidade complexa e sistêmica os objetos, por outro lado, Edward De Bono e posteriormente Nádia Beviláqua Martins e Amaury da Cruz Rodrigues propuseram um método que pretende superar o pensamento dialético e que se organiza em função de uma dimensionalidade aberta, não linear e que pretende não compartimentalizar o conhecimento em setores, tendo como horizonte uma questão fundamental: a inteligência; propondo assim, uma tentativa de síntese prenhe de uma visão crítico-analítica da ciência  e uma proposta de pensamento livre via filosofia. Enquanto a dialética realiza-se pelo conflito e pela disjunção, a exlética propõe-se ao engajamento construtivo (De Bono) e conjunção, "uma construção teórica de todas a teorias" (Martins, 2009).

Na construção da minha proposta estrutural de pensamento, adoto o caminho exlético como referencial metodológico por entender que ele melhor repousa sobre minhas premissas ontológicas e gnosiológicas. Assim, para a compreensão do "homem", por exemplo, e sua relação com qualquer outro objeto fenomênico (informação, câncer ou ação social) pode ser melhor compreendida a partir do encontro das dimensões ontológicas (material/noética) e gnosiológicas (idealista/realista).

Nesse sentido, a verdade seria, conforme Zubiri, a posse da índole das coisas dispostas numa estrutura dinâmica realidade. Assim, qualquer ancoragem bidimensional (por exemplo, material-idealista (marxismo) e espiritual-idealista (religião) seria incapaz dar conta da verdade, oferecendo uma análise sempre conjectural das coisas.

Pretendo desenvolver melhor esse tema em um próximo ensaio, oferecendo uma exemplificação mais adequada para ilustrar meu argumento.

Até lá. 

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Por Giovani Miguez  –  giovanimiguez@gmail.com

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