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Dedim de Prosa

Francisco Ferreira

francisco.ferreira2606@hotmail.com

Trâmites Linguísticos

Dos dramas de minha gente

Dois causos para aliviar a tensão; que a semana seja sem sustos para todos nós

Colunistas  –  22/03/2020 18:26

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(Foto Ilustrativa)

É preciso lembrar que, aqui por estas bandas, rapariga é xingamento para moça donzela e mulher honesta

 

Orgulho ferido

Meu avô Bené Barra tinha um xodó, que ele tratava igual a uma filha: sua gata Mocinha. Certa vez, quando chegou em casa "esfalfelado da lida", minha vó deu-lhe a triste, mas inevitável novidade:

- A mucinha pariu. Quatro gatim.

O vô com seu orgulho ferido e ares de pai ciumento ou marido traído, passou-lhe (na gata) uma reprimenda:

- AriEssa. Quocê agora num é mucinha mais não, sua rapariga!

É preciso lembrar que, aqui por estas bandas, rapariga é xingamento para moça donzela e mulher honesta.

***

Soltando o verbo

Cutelo, nosso filósofo, certa vez, teve problemas intestinais e procurou o médico. Médico novo e novo na cidade, desconhecedor dos trâmites linguísticos daquele povo. Pois bem vamos à consulta:

- Bom dia, dotô. Comvai, compassou? Vim aqui, mode que tô incaiado, já tem uns seis dia queu num amarro um gato.
- Senhor, Cutelo, o senhor toma um destes comprimidos aqui hoje à noite e outro amanhã de manhã e, daqui a três dias o senhor retorna para sabermos o resultado. - e tascou-lhe um laxante. 

O filósofo segue direitinho os passos e levou vida de rei naqueles dias (da cama para o trono e do trono para a cama). Voltou. O médico atarefado, muita consulta, viu o filósofo ali meio acabrunhado e perguntou no corredor mesmo:

- Senhor Cutelo, o senhor evacuou?

Filosófo desconfiado, matutou: "Sei lá que diabéisso?" Responde:

- Não!

O médico manda-lhe dobrar a dosagem e voltar no dia seguinte. Feito! E haja papel para tanta trabaieira. Volta o filósofo, meio verde e andando torto, com medo até de respirar. Mesma pergunta mesma resposta. Dobro da dose novamente.

Cutelo agora já com pesadelo real: sem poder se afastar do trono. Vai à consulta:

- Senhor Cutelo, o senhor evacuou?
- Não! 

O médico já preocupado, cismando: "Não é possível! Esta dose cavalar solta o intestino até de um cavalo". (Óbvio ululante, né?). Reformula a pergunta:

- Senhor Cutelo, o senhor cagou?
- Aaaaaiiiiiiii, dotô! Até a aima! 

Uma excelente semana, sem sustos a todos nós. 

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Por Francisco Ferreira  –  francisco.ferreira2606@hotmail.com

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